A caneta percorre valsando esta folha em branco.
Segue com precisão a indicação destes passos.
A caneta é o Quixote e a linha é Sancho.
O relógio espanca na terra de amores rasos.
Quando você menos vê, já foi…
Folhas secas contém o endereço.
Dos rostos fingindo serem castos.
Um seixo por um minuto de atenção
“Diga-me, qual o seu preço?”
Somos o mais novo endereço da solidão?
As paredes estão recobertas de minhas anotações.
Poesias concretistas darão significado a esta alma vazia.
A incerteza já não faz diferença.
A quem?
Tristeza pra quem?
“A todos, menos a mim”
O respirar ofegante das cortinas denota.
O inverno está bater em tua porta.
Divide-se se um novo amor bater-lhe a aorta.
Fazendo, teu sangue bombardear o suor em direção a suas mãos…
As janelas tremem com o frio.
Janelas barram a viagem de projeteis nascidos de um fuzil.
Declaro-te o meu afeto.
Declaro-me fã do teu vestido caído.
Além disso, seu beijo cálido acende-me.
Discorro um amor indevido.
Culpa de um terrível cúpido.
Em bares lotados, eu vejo dos olhos escorrer a culpa.
Depois, deparo-me com o desespero nas ruas…
Mágicos contam as contas corrompidas de seus rosários.
Todos tão tímidos, ganham o apelido de bichos do mato.
No aperto meu bom cidadão, tu és obrigado a escutar os lamentos de um afortunado avarento…
Na liberdade em que todos lhe vigiam.
Um simples esquecimento é motivo de condenamento.
O meu sonho derrama de minha mente.
Desaba em teu coração.
Germinando um novo amor.
Eu aqui, guardo este carinho secretamente.
Cavalos marinhos marcham em retirada.
Iscas de peixes, fazem-te seguir o ritmo de uma viagem antecipada.
Sóis jovens fazem enormes sombras sobre os espantalhos.
Transformando-os em cartas fora do baralho…
—  Surrealíssimo! - Pierrot Ruivo
LX

Quais ondas rumo aos seixos de uma praia, 
Nossos minutos correm para o fim, 
Cada qual sucedendo ao que desmaia,
Lutando por chegar mais longe enfim.
O nascimento, luminoso instante,
Para a maturidade avança herói;
Eclipses frustram sua glória adiante
E o tempo que o gerou ora o destrói.
Trespassa o tempo o ardor da juventude,
Enruga a face da beleza opima;
Nutre-se do que é raro em plenitude,
Nada lhe escapa à foice que dizima.
Mas meus versos esperam no papel,
Louvando-te, vencer a mão cruel.

- William Shakespeare, no livro “Os melhores sonetos” - [tradução: Ivo Barroso]

ISAIAS   -  50   (   7 , 8    )

Porque o Senhor DEUS me ajuda, assim não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei envergonhado.
Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim.
Isaías 50:7-8

” Tão longe da noite das primeiras eras…Nós estamos acostumados a olhar para a forma presa de um monstro,mas ali…ali você poderia olhar para uma coisa monstruosa e livre”

Mas agora só ouço
Seu ronco melancólico,longo,recuante,
Retraindo-se, até o soprar
Do vento da noite,descendo a encosta ampla do medo
E dos seixos do mundo.

Vagando entre dois mundos,um morto
O outro impotente para nascer,
Sem um lugar para descansar minha cabeça
Como eles,na terra eu espero aflito.

Tudo mudou totalmente, o giro ainda se amplia aqui em minha noite de primeiras eras e,no fim,sobram uma beleza terrível e uma fera preguiçosa.O monstro não está preso e ela tampouco é dominada, e olho para ela,monstruosa e livre.

Ela se aproxima da janela e olha para a areia,
E além da areia,para o mar;
E seus olhos estão fixos em um olhar parado;
E um desconhecido ali suspira,
E um desconhecido ali derruba uma lágrima,
De um olho nebuloso pelo pesar,
E um coração tomado pelo pesar,
Um suspiro longo,longo
Para os olhos frios e estranhos de uma pequena sereia-donzela…

-A Menina Submersa

A rocha, a pedra, a areia, o seixo.
O braço, o ombro, o rosto, o queixo.
Um buraco pra cavar
e uma concha pra guardar
O mundo inteiro é um vasto lugar.

O mel, a abelha, o favo, o zumbido.
O sabugo, a espiga, o milho
cozido!
O tomate vermelho, a erva de cheiro.
O mundo inteiro é um canteiro.

O tronco, o toco, o ramo, o carvalho.
Trepar no alto, ficar sobre o galho.
Ver a manhã passar neste abrigo.
O mundo inteiro é novo e antigo.

A rua, a via, a travessa, o caminho.
O navio, a jangada, a vela, o barquinho.
O ninho, a ave, a nuvem cinzenta.
O mundo inteiro sopra e venta.

Corre, tropeça, escorrega, olha a lama!
Vira o balde, derruba, esparrama.
A sorte volta em outro momento.
O mundo inteiro segue em movimento.

A mesa, o prato, a faca, o saleiro.
A barriga faminta, o jantar vem ligeiro.
O pão, a farinha, o caldeirão fervente.
O mundo inteiro é frio e quente.

O sol se pondo, a sombra repentina.
O fim do dia, o grilo, a cortina.
Um fogo leva o frio embora.
O mundo inteiro descansa uma hora.

Os avós, os pais, os parentes, os primos.
O piano, a harpa e o violino.
De colo em colo segue o bebê.
O mundo inteiro somos eu e você.

Tudo o que se escuta, sente e vê.
O mundo inteiro é tudo isso
Tudo isso somos eu e você
A paz, a esperança e o amor verdadeiro
Nós somos o mundo inteiro.

—  Liz Gartn Seanlon e Marla Frazee
Fusing quer deixar marcas nas paredes da Figueira da Foz

Nem só de música se faz este festival de Verão: o Fusing Culture Experience leva à Figueira da Foz artistas urbanos que prometem deixar uma marca nas paredes da cidade.

De 14 a 16 de agosto, o Fusing Culture Experience regressa à Figueira da Foz. Além de música, este festival apresenta um cartaz com atividades divididas entre o desporto, a gastronomia e a arte. “Boa música, sol e dinamismo é o que se espera da segunda edição do Fusing, um evento que marcou a Figueira da Foz através da arte urbana”, conta ao P3 Carlos Martins, um dos organizadores do festival.

Os artistas urbanos foram selecionados pela coordenadora de arte do Fusing, Lara Seixo Rodrigues, tendo em conta a forma como se destacam através de um estilo distinto. “A arte urbana tinha uma conotação negativa na Figueira da Foz e nós constatámos que, no final da primeira edição do evento, essa opinião mudou”, continua Carlos Martins. “As pessoas ficaram expectantes e isto mostra a relação do Fusing com a cidade”.

Em comunicado, Lara Seixo Rodrigues fala num “resultado altamente positivo”. As peças criadas em 2013 “ficaram para a cidade e, passado quase um ano, estão completamente intactas, o que quer dizer que a comunidade percebeu a mais-valia de ter este tipo de peças”.

Os eventos de arte vão incluir pintura de murais por Pantónio, Tamara Alves, Saddo e Aitch, em toda a cidade, e instalações de Panda do Transe, entre outros artistas, bem como exposições. Agendadas estão mostras de ilustração por André Fernandes Trindade, de fotografia por Miguel Oliveira e de vinil por Mr. Mute. Já nos workshops, o público pode contar com o breakdance do b-boy Speedy, e conversas com Anita dos 7 Ofícios, por exemplo. O ponto de encontro para a arte urbana no Fusing é a Garagem das Artes. Durante os três dias, o duo romeno Aitch e Saddo vai pintar, de forma alternada, a torre de sinalização do porto, retratando, através de dois olhares distintos, a dinâmica marítima da Figueira da Foz.

Explica Carlos Martins que os artistas visitaram a cidade com antecedência, para “conhecerem as paredes e procurarem inspiração e ligação com a mesma”. A ideia é que o “museu a céu aberto” que se iniciou em 2013 seja aumentado, “valorizando a história da cidade, os desportos náuticos e a cultura piscatória da Figueira da Foz”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Para que os festivaleiros não percam as paredes pintadas em 2013 e durante a edição de 2014, o Fusing preparou tour bikes durante os três dias. Todas as atividades fazem parte do cartaz do Fusing, pelo que não comportam qualquer custo acrescido ao preço do bilhete, à venda por 39 (passe para os três dias) ou 17 euros (entrada diária).

Orange Stone (do it yourself)

Em tempos de veraneio convém quebrar a rotina do dolce faire niente e, nada melhor para isso do que dedicar-se à bricolage, sobretudo se estiver numa aldeia portuguesa e não esteja a ocorrer nenhum incêndio.

Comece por apanhar 28 seixos mais ou menos do mesmo tamanho junto ao rio da localidade e, pintar em cada um deles uma peça de dominó. Depois das pedras secas cobrem-se com verniz banana para…

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