O dia nasce. Finjo não ouvir os pássaros, apenas fecho as janelas e a noite volta para mim. Tranco-me na clausura do leito vazio e olho para o teto branco que reflete a penumbra da ternura maior que o tempo – tempo este, mais lento que o coração. Da boca salta o grito, um hino de dor, hibernado no âmago do pântano que é o meu peito perdido, estocado no meio de um nó que custa desatar, custa um mar inteiro que derramo no travesseiro mal lavado. Quero aplaudir de pé o vazio que venceu a imensidão, esse vazio que se alastra para dentro de mim toda e pouco se importa com o meu sofrer, cuspindo-me com escárnio a realidade: o prelúdio para o fim, a pesada caminhada num deserto em direção à água, a chuva que nunca vem pr’acalmar a alma, o nada. O nada. Fecho os olhos para esconder do mundo o quanto é fundo o meu chorar. E o sono, coitado, espera de lado a água sair e dar espaço para enfim poder sonhar.
—  Giovanna Zambianchi

num quarto de hotel

comendo pamonha

assistindo novela

sozinho cadê ela

vem falar comigo

me diz teu nome

me conta um absurdo

descobre meu segredo

tem medo?

te conto a verdade

não sabe?

Vai desliga

Não se preocupa

Te espero

Tem coragem?

A magia é tão simples

A arte da viajosidade é…mágica. E sabe de uma coisa?
A magia é tão simples…

Dizem agora que sou zen. Acabaram de me dizer que sou zen. Talvez seja a careca… zen ou não, continuo viajando. Tentei explicar a quem me chamou de zen que sou zen, mas ansioso. Mas odeio explicações e pontos finais, adoro é viajar. Minha viajosidade é grande, é enorme. Minha viagem é grande porque…eu olho o céu, mas eu não estou viajando no céu estático. Tente acompanhar. Temos nosso mundo, esse mundo cinza. Temos vários mundos de variadas formas, eles são coloridos. Eles são alegres, este é melancólico. Logo, por não gostar muito desse meu mundo cinza, fico olhando para os outros. E aí viajo por vários mundos e fico em um universo misturado ao nosso universo. Diferente, mas igual. Cada pessoa tem um desses. E cada pessoa daqui, desse mundo cinza pode ou não ver ele como cinza. Então, esse nosso mundo cinza pode ter cor para outra pessoa, e um dos meus mundos pode ser cinza para a tal pessoa. A relatividade entra aí. E a viagem segue um destino pré-definido, onde há tantas possibilidades que isso tende ao infinito, o que é algo imutável é que você vai ter de escolher entre essas possibilidades, que já estão de certa formas determinadas pela cadeia de escolhas anterior a próxima escolha, pela sua cadeia de mundos, e pelo seu próprio eu na hora que for escolher. O mutável é que ainda assim, há várias escolhas. Se você está numa rua, e está chovendo, por exemplo, você veio de um outro lugar por várias escolhas anteriores. E apesar das múltiplas coisas que você pode fazer (andar na chuva, rodopiar, se abrigar, continuar andando até o fim da rua e parar lá ou virar a esquina, etc) o fato é que você sempre vai estar escolhendo algo.

A partir dessa rede de escolhas você também conecta o seu mundo com o “mundo de mundos” ao de outras pessoas. Ali cria-se um pequeno elo, as vezes fortíssimos entre dois vastos mundos.  E essa rede de elos já cria outro mundo a mais. elos de amor, ódio, indiferença, conhecimento, luxuria. todos são elos. Os mais fortes são amor e amizade. Os mais nobres são esses. “Ainda há os elos de indiferenaça ao amor e a amizade, as pessoas não tem dado tanto valor a isso” Completou a pessoa que me chamou de zen. Diz ela ser viajosa em nível menor. Como ainda não há como medir, acreditem na palavra que ela vos dá, ó meus lendários leitores “invisíveis”. Enfim…como disse muito bem uma personagem de anime,( que é “coisa pra criança”, nem tenho mais idade pra ver) chamada Ichihara Yuuko, esse mundo parece muito pequeno, mas quando se entende que existem vários outros, mesmo que você não tenha entendido esse mundo vai entender a importância e a diferença de saber que existem vários outros.Ela disse algo mais ou menos assim. Você vai olhar de vários pontos de vista. E sim, sim. Em todas essas coisas há os hibridismos. Elas não são puras. Elas se interligam e misturam. E a teoria mais legal e filha das trevas é uma do “tudo e nada pode ser tudo ou nada ao mesmo tempo”. Chega a ser assustador.

Ok, suspirando e terminando… não sei se existe magia, mas que essa viagem toda é mágica…é.

"O tudo e o nada não existem um sem o outro, isso seria impossivel!!! Pra mim, seria…e…eu ia falar pra você juntar tudo isso e escrever no seu blog. Coincidêndia??" Comentou e perguntou ainda ela, que na verdade nem tinha perguntado nada e ainda escutou respostas.

"Não", foi o que respondi. Como diz a mesma épica Ichihara Yuuko…

"Neste mundo não existe coincidência, existe apenas o inevitável. Foi inevitável nos encontrarmos, e um encontro, por menor que seja, afeta o destino de ambos"

Isso é magia, profunda e poderosa. A mais poderosa. A que é regente do tudo e nada. Tão simples, tão complicada, tão mágica. Inevitável, Hitsuzen, Destino, o nome não importa. A magia continua e continuará trabalhando e regendo tudo e nada. A magia…é tão simples, não acha?

Dija Darkdija

Accidente

Fue volviendo de un partido.

De pronto hubo un atasco. Era más o menos normal

que a la vuelta de un partido se formara un atasco. Pero ese día

el atasco era un poco demasiado grande.

Cuando llegamos a la altura del accidente solo pude ver una moto tumbada, un chico de veinte años tirado en el asfalto

de su cabeza surgían dos pequeños ríos de sangre que recorrían el suelo.

Tenía los ojos cerrados y una bufanda del betis al cuello.

En ese momento llegaba la ambulancia.

Hoy, muchos días después, mucho tiempo, eternidades después,

pienso en si el muchacho logró sobrevivir o si su vida se quedó estúpidamente, sin sentido, sin intención, sin causa, en esa avenida.

Pienso en su madre, preparándole la cena, extrañándose por lo tarde que llegaba a casa.

Pienso en su novia, en sus amigos con los que iba a salir aquella noche, en la fiesta de navidad a la que no asistiría, en la primera clase del siguiente trimestre en la universidad,

en el shock absurdo de sus compañeros de trabajo, en el tiempo que ya nunca, en los viajes que ya nunca, en los hijos que ya nunca.

Aquel fue un mal partido. Perdió el Betis.

Seguro que en el momento del choque el muchacho estaba enfadado para más INRI.

Pero un poco todos los accidentes son iguales.

Son un de repente igual que las tormentas

de verano. Solo que estas tormentas no destrozan los campos.

Macacos. Ou mais precisamente: Pra que serventia seus pais nasceram. Parte 1.

300 mil anos antes de um judeu declarar aos pais a vontade de subir aos céus, lavar os pés com prostitutas e usar alucinógenos no deserto, eis, que um macaco desce das arvores, pega um galho seco no chão e cutuca seus orifícios. Outro macaco, vendo do alto da árvore vizinha, enrubesce ao sentir algo novo, recém-criada em sua mente virgem, algo chamado inveja, e pula ao chão.
O macaco invejoso então rouba o galho do outro macaco e lhe dá uma tapinha, em seguida foge para sua árvore, e assim, surge à guerra.
E muito, muito antes das dríades dançarem de mãos dados em torno de suas árvores e dos atenienses aprenderam aquele culto do vinho e descobriram o que é bacanal, longe disso tudo, surgiu um homem, sim, um homem, daqueles de duas pernas e dois braços que respira com a boca e come com as mãos como você (não me uso como parâmetro de ser humano do mesmo jeito que sucesso não é parametro de qualidade, na ascensão, qualquer bater de asa se torna uma luta exaustiva, mantenha-se na mediocridade e morra como Dédalo). Qual é o maior show na terra?

Eis que cá estou eu, sentado ao chão, divagando sobre a realidade e os sonhos com meus azulejos. Meu rosto tocando o chão gelado e sensorial, minha mente nas estrelas moribundas que pontilham o céu, meu estômago vazio e o mundo cruel.
Na ribalta solar, eu me encontrava cantarolando sobre como a chuva sempre caia para baixo, o paraíso é um paroxismo prisional e tudo sempre capitulava no pornô, mas eu nunca perdi as esperanças de ser alguém na vida.
O tal homem de dois braços e duas pernas como você, possuia lauto conhecimento, latim servia-lhe como alguém embriagado se serve de um botequim barato. De seus Sapere Aude e suas astúcias sem fim, contou-me uma história que agora eu lhe conto, mas nem devia.

E então a vida aconteceu e eu acordei.

PS: In memoriam com “N”.

Imaculada flor

No mundo futurista que vivemos, o moderno é ser retrô!

Passei 37 anos para descobrir que passarei mais 37 anos sem entender as mulheres.

E depois dos 74 anos desistirei de tentar.

Vou contar para vocês:

Trouxe um buquê de flores

Nunca dou flores porque

Flores não são objetos

Se eu trouxesse uma bela mulher

Para presentear, o que você diria?

Pois é, flor é uma linda fêmea

Que fincou raízes na terra

Para deslumbrar o mundo com seu viço

Imagine uma bromélia azul

Ou uma margarida branca

Como posso arrancar uma flor?

Não, não, não faço!

Mas ela me pediu

Então fui lá e trouxe!

Um mimo para a minha amada

Ajoelho-me e entrego solenemente

Dizendo: Eu te amo para todo sempre!

Tétrica careta ela fez!

Imaginem o Filho do Fred Krueger

Com a Lady Gaga

Acho a Gaga linda, mas não salvaria o Fred

Imaginaram? Multipliquem por três

Elevem a quarta potência!

Viram que desespero subiu

Minha face ficou verde

Acho que até meus cabelos

Brocolizei, tenho certeza!

E o presente, ela devolveu

Mas eu dei as flores

Acho que meu erro foi não ter

Sorrido e Cantado antes:

Andei por todos os jardins

Procurando uma flor pra te ofertar

Em lugar algum eu encontrei

A flor perfeita pra te dar 

Fui no supermercado e comprei

Um buquê de plástico pra te dar

Porque: 

Flores de plástico não morrem


Pois é até hoje não sei

Nunca mais a vi

REALMENTE NÃO ENTENDO AS MULHERES

O que foi que aconteceu?

Ignorance

Lembro-me de todos os meus problemas.

Penso neles a noite inteira.

Tristeza. Raiva. Impotência.

Adormeço sem perceber.


Acordo.

Lembro-me de todos os meus problemas.

Penso neles o dia inteiro.

Tristeza. Raiva. Impotência.

Chego à minha casa.

Tomo um banho.

Lembro-me dos meus problemas.
Penso neles a noite inteira.

Tristeza. Raiva. Impotência.

Adormeço sem perceber.


Acordo. Lembro-me de todos os meus problemas. Penso neles a manhã inteira. Tristeza. Raiva. Impotência.


De repente, esqueço-me deles.

Alegria.


Mas logo me lembro deles de novo. Tristeza. Raiva. Impotência.

Vi a minha fraqueza. Vi a minha futilidade. Vi a minha fragilidade.


Lembro-me de uma frase que ouvi:
"You know, this place makes me wonder… Which would be worse - to live as a monster? Or to die as a good man?”



Alegria.



- Andrew Laeddis

Não me engane!

Sei o quanto é difícil

Falar a verdade

Muitas vezes a mentira

Nos consome

Afundamos tanto que

Dela não conseguimos fugir

Pode tentar se esconder

Mas suas marcas

Estão em todo lugar

É muito fácil, fácil mesmo

Para quem ama perdoar

Não fujas criança

Teus segredos podem

Ser meus também

Não tenhas medo

Estou aqui esperando

Para acariciar suas asas

E contar uma linda

História sem fim

A dança

Quero dançar

Mas perdi o Neruda

Mas que triste

Onde ele estará?

Sem pensar

Eu vesti uma bermuda

Uma camisa leve

E um chapéu pra levar

Sem parar

De ouvi uma música

De gafieira show

E mulatas a sambar

Vou contar

Me escondi na Capela

Mas foi na Lapa 40

Que nncontrei a donzela

E “rapá”!

Já esqueci do Neruda

Me esbaldei na tertúlia

E fiquei lendo com o pé

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