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Eu disse sim, mas não disse agora, eu disse quero, mas em outra hora, deixa eu te conhecer, me diga quem é você. O teu olhar me desmonta inteiro, e o teu sorriso é o sol verdadeiro, deixa eu te conhecer, me diga quem é você. Quero um amor que resista ao tempo, uma verdade pra abraçar pra sempre, caminhada de bons sentimentos, um coração que me entende. Eu quero colo, eu quero carinho e o meu carinho eu quero te dar, eu já andei muito tempo sozinho, por favor, deixa eu te encontrar. A tua voz não sai da minha mente e o meu desejo é seguir em frente, deixa eu te conhecer, me diga quem é você. A nossa historia pode ser tão bela, até os anjos vão sonhar com ela, deixa eu te conhecer, me diga quem é você. Quero um amor que resista ao tempo, uma verdade pra abraçar pra sempre, caminhada de bons sentimentos, um coração que me entende. Eu quero colo, eu quero carinho e o meu carinho eu quero te dar, eu já andei muito tempo sozinho, por favor, deixa eu te encontrar, por favor, venha me encontrar, o amor quer nos encontrar.
—  Pra Sempre.
Tô indo nessa, chega de insistir em algo que só serve pra me tirar o sono. Eu bem que tentei segurar as pontas, manter a mente aberta, tripliquei a paciência que eu nem sabia que tinha, tanto esforço por quem não merecia sequer um aperto de mão. Foram muitas as vezes em que sepultei o meu orgulho e corri atrás, quando na verdade, a vítima era eu. Esse é um dos motivos pelo qual sempre brigávamos, você é um arrogante formado, ainda assim… O que mais me tira do sério, é essa tua pose de “nada me abala” a nossa relação vivia em decadência, mas você não se importava, afinal, eu já estava garantida, esse foi mais um dos seus erros constantes, não temer a minha partida. Você errou, e errou feio, errou ao me fazer esperar por ligações que nunca chegaram, errou ao partir meu coração, errou ao mentir que me amava, quando nem mesmo gostava de mim. Nossa relação se dividiu a erros, discussões e almofadas encharcadas. Você me fez chorar feito criança, me fez sangrar, sofrer, e a duvidar de todo e qualquer sentimento vindo de alguém, por sua culpa, me tornei fria, insegura, amargurada, e um tanto malvada. Contudo, te conhecer me fez enxergar o mundo de uma forma até então, desconhecida. Você me apresentou ao amor, mais que isso, me fez entender o que era amar. As decepções que me causou, tiveram grande impacto em minha vida, agora, percebo que não devo confiar de imediato nas pessoas, elas mentem, traem, sufocam as borboletas que residem em nós, sei que tanta frieza, inibe a chegada de pessoas maravilhosas, mas é preferível o gelo que me tornei, ao caos que as pessoas deixam quando vão embora. Talvez, ao ler esta carta, você perceba nas entrelinhas o quanto ainda te amo, se isto acontecer, bem… Você está enganado! Todo o amor que um dia te ofereci, está morto, e enterrado. Sei que pra você, essa ideia soa absurda, afinal, até pouco tempo, eu quase morria de amores por ti, pra mim, também foi difícil aceitar, precisei me adequar ao momento, convencer meu cérebro a deixar de absorver tantas informações ao seu respeito. Não foi nada fácil, mas olha só… Eu sobrevivi, pra dor do seu ego, estou de pé, depois de tanto retroceder, resolvi parar, enxugar o rosto, contemplar a linda vista que repousava em minha frente, vista essa que eu jamais havia enxergado, pois a dor que você me causava, cegava os meus olhos, a minha fé, o meu amor pela vida. Tudo bem que a sua chegada não me trouxe só malefícios, como eu já disse, foi você que me apresentou ao amor, um amor nunca antes sentido, ou sequer imaginado, pena que as coisas mudam depois do primeiro mês de namoro, você já não é mais o mesmo, na verdade, nunca foi, aquela pessoa que me tratava com zelo, carinho, respeito e dedicação, desejava tão somente me ganhar, conquistar, pra depois de muito se divertir, achar conforto em outros braços, me despistar como mais uma das muitas garotas que você deixou pra trás. Acontece, que eu não sou como as outras, não esqueço fácil, não deixo pra lá, prometi que você pagaria todo o mal que me causou, sofreria o triplo, de toda a dor que me fez passar, você ingênuo, não acreditou. Mas olha só onde você está agora, sentado no sofá, com os olhos cobertos por lágrimas, sentindo febre, e uma dor absurda na alma, lendo este e-mail, olhando minhas fotos e sentindo a minha falta.
—  A sua garota, já não é mais tua.   Atritar.
Se não era amor, pertencia a mesma família, pois restou a mesma dor que fica quando alguém que você ama vai embora, aquela mágoa que se aloja no peito depois de ter tido todas as promessas quebradas, o sentimento de saudade que lhe faz reviver memórias felizes, que por sinal, só serve pra lembrá-lo que nada mais será da mesma forma. Se não era amor, era algo ainda mais intenso, pois a quantidade de noites que perdi remoendo lembranças, não tá no gibi. Teve também aquele dia na padaria em que cismei que o carinha da fila do pão, era você, minha agonia só teve fim, quando avistei o rosto do moço. Era amor, é claro que era, se não, como explicar o terremoto que você me causava, enquanto todos os outros, nem sequer faziam cócegas em meu coração? Me explica então, qual nome se dá a mistura de emoções que eu sentia ao te ver se aproximar? Qual outra palavra define a falta absurda que eu sentia de você? Sem falar nos ciúmes, e em toda a dependência, a vontade de estar perto, era como se fosse uma droga, da qual eu não conseguia me libertar, você foi o meu vício, minha rotina, deixei meus amigos por você, mudei minhas roupas pra te agradar, virei toda a minha vida de pernas pra o ar, te amei mesmo quando deveria te odiar, comprei suas brigas, tomei pra mim suas dores, chorei o teu choro, me fiz de humorista pra te alegrar, deixei de viver a minha vida, e fiz da tua, meu ponto de partida. Com tantos motivos óbvios, você ainda tem dúvidas, de que era amor? Cara, acorda, já era amor, antes de ser. O problema é que você fechou os olhos pra tudo de bom que eu te ofereci, tão envolvido com o resto do mundo, nem sequer olhou pra mim, meu amor estava exposto na vitrine, só você não viu. Então não venha me dizer que o que eu sentia não era amor. Suporte o que eu suportei, chore da forma que eu chorei, seja traído, magoado, decepcionado, tome pra si minhas dores antigas, e depois disso, torne a dizer que tudo o que eu senti, não era amor, se ainda assim, nada disso te afetar, meus parabéns, colega, você é de aço.
—  Tu é mó vacilão.  Atritar.
Me chamo Roberta, tenho 36 anos. Tenho três filhos, sou casada há 11 anos, mas minha vida nem sempre foi perfeita, nem sempre fui feliz, nem sempre fui casada e fui mãe. Tenho uma história grande, que irei te contar, não prometo que irá te fazer chorar ou se emocionar, mas é a minha história. Quando eu tinha 10 anos, morava com meus pais numa cidadezinha pequena e aconchegante. Eu era a filha mais velha, tinha mais dois irmãos. Um dia fomos passear pela cidade, e íamos de carro, pois, nós tínhamos muito dinheiro, muito não, mas uma boa quantia para ter uma vida boa e perfeita. Enfim, a gente colocou as coisas na bolsas e fomos. Estávamos á caminho, quando um carro passou na nossa frente e em questão de segundos, ele bateu em nós. Eu e meus irmãos estávamos no cinto, pois, meu pai fazia questão disso para nossa segurança. Mas ele e minha mãe, não se importavam e nunca colocavam os cintos, enfim, o impacto foi muito forte, o carro foi amassado na frente e meus pais morrem na hora. Eu e meus irmãos, só machucamos o braço, a perna, nada grave. E até hoje os médicos falam que, o que nos salvou foi o cinto de segurança. Quando eu e meus irmãos recebemos a notícia foi algo assustador, foi o pior momento de toda a minha vida (quero dizer, um dos piores). Eu me vi perdida no mundo, junto com meus irmãos. O que eu ia fazer? Como eu ia cuidar dos meus irmãos? Essas perguntas me assustavam todos os dias. Então a polícia decidiu nos deixar num orfanato, até encontrar algo familiar próximo. Nós tínhamos uma tia, era irmã do meu pai, mas eu nunca o vi, nunca falei com ela, ela era distante de nós. Meu pai pouco falava dela, mas eu sabia que se chamava Rosa. Mas não se engane, ela não é uma rosa, como o nome. Passamos duas semanas naquele orfanato, me sentia da família, as freiras eram doces, meigas e adoráveis. Eu e meus irmãos adorávamos aquele lugar, mas precisamos sair, afinal era nossa tia e não devia ser tão má. Mas me enganei completamente. Chegamos lá, era uma casa pequena, mas aconchegante. Ela nos recebeu com um sorriso no rosto, logo pensei vou adorar esse lugar. Entrei e olhei o lugar, gostei, mas ela fechou a porta e virou para nós, sua cara havia se fechado e estava com uma cara rancorosa. Ela falou gritando: “Não gosto de vocês e não ultrapassem nunca meu caminho, se vocês ultrapassarem iram apanhar até chorarem. Vão para o quarto e só saiam na hora que eu chamar.” Meus irmãos me abraçaram e me olharam com rosto cheio de tristeza. Pegamos as nossas coisas e subimos, era um quarto pequeno e quase não podíamos nos mexer ali. Mas não reclamei e nem questionei. Eu estava com muito raiva daquela mulher e queria ir embora dali, mas e os meus irmãos? Se passaram cinco anos, os piores da minha vida (está no começo ainda). Fiz 15 anos, não ganhei nem uma bala, meus irmãos me abraçaram e falaram: “Rô, te amamos. Vamos embora daqui?” Aquelas palavras me doeram, eu vi que precisava sair dali, mas ir pra aonde? Não sei, mas precisava. Coloquei nossas coisas (poucas) na mochila e fomos. Quebrei a janela, pulei e os segurei e fomos. Saímos correndo e até que paramos numa ponte, não era o melhor lugar, mas era o único. Ficamos ali durante dois dias e duas noites, só comíamos bolacha, que eu havia guardado e bebíamos água de uma goteira que caía de uma caixa d’água. Eu chorava todos os dias, queria uma vida melhor para mim e principalmente para meus irmãos. Saímos dali e andávamos por algumas horas, até que encontrei um abrigo, aonde moravam adultos e crianças abandonas, era a única solução. Entrei, contei minha história para a senhora dali, ele se comoveu e contou que ali só ficava pessoas uma vez á cada noite, ou seja, nós só poderíamos ficar ali uma única noite. Mas eu pedi por favor, pelo amor de Deus, eu precisava viver ali. Ela entendeu nos falou que aceitava, mas eu precisava trabalhar para ela. Aceitei sem pensar duas vezes, então nós iramos ficar num quarto um pouco afastado dos demais, mas era lindo e grande. Eu iria trabalhar na cozinha, iria lavar pratos, colheres, panelas, tudo e ajudaria na limpeza. Estava ótimo, eu tinha um quarto, meus irmãos estavam felizes. Mas eu precisava de um emprego, mas eu não havia terminado meus estudos e tinha apenas 15 anos. Procurei em vários lugares e todos diziam não, não e não. Quando passei na frente de uma loja e tinha um anuncio: ” Aceitamos garotas para trabalhar. Alguma dúvida, por favor comparecer no nosso estabelecimento.” Me interessei, pois, precisava tanto que qualquer coisa estava bom, mas eu era inocente e não sabia que nada era maravilhoso. Cheguei ela, era um local muito bonito, cheio de luzes, mas um local fechado. Entrei, falei com a atendente, ela me levou para uma sala escura. Quando percebi, uma luz acendeu e só aparecia eu ali. A luz mostrava meu corpo perfeitamente, cada detalhe. Meus pais sempre falavam que eu era linda, com cabelos compridos, magrinha, pele meia morena, corpo perfeito. Daqui a pouco chegaram alguns homens, me olharam de cima á baixo. Conversaram entre si e falaram: “É ela!” Fiquei quieta, até que um homem de mais idade, me fala: “Você foi escolhida, irá trabalhar com nós, amanhã chegue ás 20 horas, ok?” “Ok, mas porque a noite? É horário noturno?” Os rapazes começaram á rir, fiquei sem graça, mas fiquei quieta. “É horário noturno sim, moça.” Voltei para casa, contei aos meus irmãos, eles ficaram mais feliz que eu mesma. Acordei cedo, estava animada para meu primeiro dia de trabalho, ajudei a tarde no abrigo, depois um pouco antes de ir pro trabalho, fui em uma escola e matriculei eu e meus irmãos. Era para ser o dia perfeito (era). Cheguei no trabalho no horário certo, estava de calça jeans e uma blusa simples. Eles me deram um vestido curto, rosa pink, era lindo, mas nunca havia usado nada acima do meu joelho. Eles falaram que era roupa de trabalho, vesti e me senti feia, estranha e sem nada no corpo, mas era meu emprego e necessitava de dinheiro. Eles me explicaram tudo o que eu precisava saber, depois chegou um cara de mais ou menos 20 anos, ele me segurou e me levou pro quarto, me jogou na cama e se aproveitou de mim, literalmente. Eu queria gritar, queria correr mais era meu trabalho. Depois do primeiro, chegou outro e outro, me sentia suja. Quando era quase de manhã, peguei as minhas coisas e estava indo embora. O homem que falou comigo, falou: “Bom trabalho.” Me deu o dinheiro, primeira vez que toquei em um e ele continuou: “Isso aqui são algumas que você irá precisar para trabalhar.” Era algumas coisas, tipo balas, seringa, sacolinhas e tudo mais, peguei e perguntei: “Como uso isso?” “Quando estiver em horário de trabalho, pergunte para os homens, eles explicaram.” “Tudo bem.” E fui, eram drogas de todos os tipos, eu usava todas as noites para enfrentar mais um dia de luta. Eu estava viciada em drogas e era uma prostituta. Passei vários anos da minha vida assim, eu acabei virando a mais experiente, todos me queriam e eu me sentia mais suja e puta a cada dia. Meus irmãos cresceram, se formaram, e eu também. Cheguei nos meus 22 anos, cansada de trabalhar naquilo, cansada de me drogar e abrir as pernas para todos, cansada de ser chamada “Rô, a gostosa”. Queria uma vida nova, pedi para meus irmãos irem trabalhar. Compramos uma casa, saímos de lá e vivíamos numa casa linda e perfeita. Minha vida estava mudando aos poucos, mas para ser perfeita precisava sair daquele emprego e me livrar das drogas. Cheguei em uma tarde contei para meus irmãos, eles estavam moços para entender. Eles sabiam que eu fiz só para os ajudar e decidi ir para um centro de recuperação. Eles foram viver á suas vidas e eu fui me recuperar. Passei um ano lá, foi muito bom pra mim, parece que me libertei de todo mal. Voltei pra casa, meus irmãos me receberam muito bem, um dele estava com a namorada, o outro amava livros e nem se importava para namoradas. Eu estava ótima, com todos e comigo mesma. Mas estava sozinha, meus irmãos estavam se virando e estavam felizes. Enfim, fui procurar um emprego, estava andando e olhando os cartazes. Mas tomando cuidado para não, fazer a mesma borrada de novo. Até que esparrei em um moço, lindo e charmoso. Ele me perguntou se eu estava procurando um emprego, falei que sim. Ele precisava de uma secretária, ele falou que não precisava de muito, só precisava ter estudos completo, eu falei que tinha e queria fazer uma faculdade. Então, ele falou que eu trabalharia na parte da tarde e estudaria á noite ou de manhã, pois, então aceitei. Era um consultório médico, ele era pediatra (e lindo). Eu trabalhava todo dia e estudava todos os dias também. Era o trabalho perfeito e o homem, mais perfeito ainda. E o nome dele era Caio, o lindo e maravilhoso Caio. Nós começamos a ter mais que relação de trabalho e sim de amor. Começamos á sair juntos, e quando dei por mim, estava apaixonada. E ele também. Namoramos, noivamos, e por fim casamos. E eu estava com meus 25 anos. Depois de um ano, tivemos nosso primeiro filho o lindo Felipe, depois nosso Diego e por fim, nosso pequeno Lucas. Eram os meus amores, e minhas vidas. Meus irmãos casaram também e estavam muito bem pessoalmente e financeiramente. E eu também, havia resolvido a minha vida. Enfim, essa é a minha história, agora sou advogada, tenho meu próprio centro de advocacia. Mas o lugar que eu mais amava ficar, era no orfanato, com meu dinheiro, ajudei muito aquele orfanato das freiras, lembram? Então, ajudei tanto, que resolvi comprá-lo. E assim, foi a minha vida. E sabe o que aprendi com tudo isso? Que não devemos desistir nunca, nunca mesmo. As dificuldades podem vir, mas nunca será o fim. Creia que o melhor chegará. No final, sempre chega. É só você confiar, lutar, porque já pensou se eu tivesse desistido logo no inicio? Hoje, estaria viciada em drogas, seria uma qualquer, mas não, decidi mudar e hoje estou aqui bem e feliz. E se você está ai, achando que está tudo acabado. Levante e vá em busca dos seus sonhos. Você é forte, muito forte. Creia e lute.
—  Hoje tenho que agradecer pelas dificuldades, porque foi com ela que aprendi. Hoje sou uma mulher feliz e muito bem de vida. E te digo algo: Nunca desista, porque depois das tribulações, sempre vem a calmaria. Sempre. (florindo-me)
Não espero o ideal, mas o possível. Pretendo a intensidade com leveza. Eu gosto de querer ficar com liberdade. Não tente formatar meus sentimentos. Nem abaixar o volume do meu riso. Entendo fúrias, farpas, asperezas. Também cometo indelicadezas, mas não preciso aceitar apenas porque compreendo. Então, se há alguma alegria em estar comigo, que ela seja doce e imperativa. E que haja maturidade emocional quando um problema. Só peço que controle o seu comportamento intempestivo na hora mais bonita do poema.
—  Marla de Queiroz