15 dias sem céu.

Eu estive muito doente. Você nem soube. Até me deixaram de cama, me enfiaram agulhas e colocaram uma máscara para eu poder respirar. Não sei o que houve, se foi vírus, ou desgosto, só sei que abria os olhos e via só teto, comia gelatina de limão e não sentia cheiro algum.
Me davam banho e eu odiava essa sensação de verem meu corpo, pior que nu, frágil, sem forças para movimentar músculos por um grande período de tempo. Eles eram bons comigo, mas eu queria ver gente normal, digo, sem estar de branco sendo pagos para estarem ali comigo.
Eu às vezes ia até o corredor, às vezes caia num sono tão profundo que, quando recobrava os sentidos, o corpo até me doía de raiva ou solidão. Fadas me acompanhavam com risadinhas estridentes, mas eu gostava delas porque, no meu sonho, elas brilhavam feito pedrinhas de cor, sabe? Por vezes sentia cheiro de terra, não sei da onde, francamente, no meu quarto não existia nenhum tipo de planta.
Eu fechei os olhos para o mundo durante 15 dias, descansei qualquer milímetro de pele que está no meu corpo.
Agora me encontro mais salva do que sã, e ainda me pergunto onde estava você que nem sequer sentiu que eu estava respirando com dificuldade.

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