primeira pessoa do singular

louca. eu nasci pra escrever nas entrelinhas de uma tese de qualquer ser que não existe mais. sobre alguém que o palhaço chileno que faz malabares no sinal disse. só o tempo. aparece aqui amanhã e diz que o mar vai continuar lá. que o vento não vai deixar de soprar. que sempre que chover vai parar. que as aparências desenganam e o mar continua lá, desenganado. me liga amanhã e diz tudo isso novamente. é a necessidade de todo mundo. da terra ser destruída, e implodirem todos os registros, fatos, provas criminais, todos os livros já publicados, todos os manuscritos, as piramides do egito, as fabricas de cerveja, o lastro dos bancos. explodirem a vida. os loucos por existir se tornarão loucos falidos. é como falhar em se cuidar e depender de alguém que chegue e te ensine o trilho certo novamente. como se amar e viver intensamente fosse contraditórios. uma via sem acostamento. um grito sem um eco. kalil disse que a gente não esquece porque não se quer esquecer. e é fato. é meu cérebro que não me obedece ou eu que não o obedeço? – toma uma cerveja, ascende um cigarro – o beijo amigo é a véspera do escarro. abençoado seja augusto dos anjos. ele não atravessaria a cidade de são paulo por você e nem por ninguém. como todas as coisas pidantes. como se idealizar sobre um poema do bukowski. tentando ser melhor pra alguém ou pra mim mesma? eu não tenho esse dom. minha cabeça é fudida demais pra tentar por qualquer coisa que se passa por dentro ou por fora de mim no papel. eu voltei a fumar depois que li que a fumaça parece passear entre o mundo interno e externo. talvez ao passear por mim ela leve com ela tudo o que não consigo escrever. é fim de tarde. o domingo acabou. a festa de josé também. o sol foi embora e com ele as pessoas, a praia ficou vazia. enquanto eu afogo a minha solidão e todos os meus anseios em uma garrafa de vodka pura. e amanhã a minha ressaca vai ser ilusória. o só porque eu gosto é um afronto. o amor próprio cospe na minha cara e grita se ame caralho se ame. aprenda quebrando cara ou não. mas se ame. só o tempo. a necessidade de agora explode entre os meus dedos. como se eu e deus não existíssemos .

mas eu sinto tanto, eu sinto muito

Casal faz sexo durante a madrugada, escutam um barulho e a mulher desesperada diz: -Ai meu Deus, meu marido chegou... Foge! O rapaz pula a janela cai nos arbustos... Se lasca todo e foge... 5 minutos depois o rapaz volta e diz: -Desgraçada, seu marido sou eu. A mulher responde: -E pulou porque ? Palhaço. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....
Nós sempre aprendemos da pior forma e graças a isso, somos obrigados a viver fingindo. Aprendemos a fingir não nos importar, que nada nos afeta, que somos fortes, que ausência não dói, que saudade não faz chorar, que amar sozinho é normal, que afeto e carinho significam carência, que ciúmes não existe, que ter medo de perder é idiotice, que abraços não querem dizer nada, que os olhos mentem, que estar deprimido é o mesmo que ser triste, que suicídio virou palhaçada, que é modinha, que engolir palavras não sufoca, que esquecemos com facilidade, que o tempo cura, que as feridas cicatrizam, que o pra sempre existe, que não importa o que aconteça, ninguém jamais irá nos deixar, que todos querem o nosso bem, que sempre vão nos ajudar, que as pessoas valorizam amizades, que ninguém erra, que sempre podemos acreditar novamente, que expectativas em excesso não destroem sonhos, que o passado não nos assombra, que não temos sentimentos, que o amanhã será sempre melhor, que no final fica tudo bem, que o mundo é perfeito e pior ainda, aprendemos a seguir fingindo o tempo todo que somos felizes. Mas quando chega o fim do dia, colocamos todas essas coisas sob uma balança psicológica e vemos o quanto isso tudo pesa, é ai que sabemos o tamanho da nossa exaustão, colocamos a cabeça em cima do travesseiro e ao invés de dormir, acabamos tendo pesadelos com a vida, onde sabemos que nos escondemos dentro de nós mesmos, e isso vai nos matando aos poucos, o que é triste, desgastante, e isso desanima qualquer um. Apenas respiramos porque o ar flui naturalmente. Agora me diz, o que irá restar dentro de cada um de nós quando somos obrigados a agir dessa forma? Um vazio sem fim. A frieza e o desprezo são o lado medíocre da vida, e ela acaba se tornando descartável quando fingimos estarmos bem, mas fazer o que, uma hora teremos que nos acostumar com isso, ou não.
—  zebukowski
Ela tem ciúmes até de foto. Chora ouvindo sua música preferida e grita quando se assusta. É escandalosa, porém tímida, isso depende se está ou não perto dos seus amigos. Aliás, quando ela está com os amigos, perde a vergonha na cara e só faz “merda”. Sim, ela é “estranha”, mas pelo menos procura ser feliz. Ela tem uma risada alta e ao mesmo tempo uma voz suave. Faz careta do nada. Come pipoca, brigadeiro e sorvete sem culpa. Conversa sozinha, canta errado, dança como uma louca em casa, dá risada dos tombos, faz palhaçadas, conta piada velha e acha maior graça, conversa com os animais, briga com objetos quando esbarra neles. Sim, ela é louquinha, mas quem não é? E sabe uma coisa? Dane-se. Pessoas “perfeitas” são um saco.
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