SEM LIMITES -- CRÍTICA

Inteligência do thriller não se restringe apenas ao personagem principal

(por Marcelo Forlani — 24 de Março de 2011)

Sem Limites (Limitless)

EUA, 2011 - 105 min.
Drama / Suspense

Direção:
Neil Burger

Roteiro:
Leslie Dixon

Elenco:
Bradley Cooper, Robert De Niro, Abbie Cornish, Anna Friel, Jennifer Butler, Johnny Whitworth, Robert John Burke


EM CARTAZ

Em entrevista publicada pelo  site Omelete, o criador da série House, David Shore, fala que um escritor basicamente só faz duas coisas: escrever e evitar escrever.

O cada vez mais deprimido aspirante a escritor Eddie Morra (Bradley Cooper) está se especializando na segunda tarefa e por isso perde a namorada (Abbie Cornish) e está prestes também a ver escorrer pelos esgotos de Nova York o contrato que tem com uma editora e — por falta de pagamento — seu imundo apartamento em Chinatown.

Andando sem destino pelas ruas da cidade, ele encontra um ex-cunhado, que lhe oferece a solução para os seus problemas em formato de pílula. Trata-se de uma droga em fase de testes chamada NZT, que permite ao seu usuário ter acesso total ao seu cérebro e não apenas aos 20% que utilizamos normalmente.

Sem perspectivas, Eddie reluta (pouco), e acaba experimentando a novidade. E quando “bate” o efeito do NZT ele muda. O filme muda. Eddie tem primeiro uma experiência fora de seu próprio corpo. A luz azulada e fria que predominava até então fica avermelhada, mais quente, refletindo o próprio aumento de confiança do personagem, que começa a ter acesso a informações que estavam perdidas nas quinas escuras da sua mente. Surge junto um sorriso largo, e em questão de minutos ele está tagarelando sobre direito, flutuações do mercado financeiro, ganhando dinheiro em mesas de pôquer, dormindo com as mais belas mulheres de Nova York e enfrentando brutamontes usando as memórias dos filmes do Bruce Lee, lutas de Muhammad Ali e documentários do History Channel.

Em suas palavras, ele sabia o que tinha de ser feito, finalmente sabia como fazer e tinha ânimo para cumprir a tarefa. O apartamento passa de muquifo a algo habitável, o livro vai de zero palavras a meia edição em questão de horas. Só de ouvir novas línguas ele passa a ficar fluente. Como em Matrix, passa a enxergar lógica onde outras pessoas só veem números e letras. Para mostrar esse mundo a mil por hora que passa pelos olhos azuis de Eddie, o diretor Neil Burger (O Ilusionista) e seu diretor de fotografia Jo Willems (30 Dias de Noite) criam um efeito-vertigo-com-luzes bastante interessante, com a câmera passando em alta velocidade através de tudo o que está em sua frente. E aqui fica difícil imaginar outra cidade como pano de fundo para este filme. Só mesmo Nova York para combinar tantas luzes e informações quanto um cérebro pode absorver.

Estes elementos gráficos, embora bastante imaginativos e importantes para ilustrar as mudanças vividas por Eddie, não são o único ponto positivo do filme. O roteiro também é ao mesmo tempo esperto, ligeiro, engraçado e perspicaz. Enquanto faz sua meteórica carreira, pílula a pílula (às vezes até exagerando na dose), rumo ao topo do mundo, Eddie vai passando pelos mundos paralelos do tráfico, da máfia e das grandes corporações até chegar à política. É a escalada natural do dinheiro e do poder, que o leva a esbarrar em Carl Van Loon (Robert De Niro em ponta de luxo). A trilha sonora também não podia ser mais acertada. Além da música incidental pontuada está lá também uma das melhores bandas da atualidade, o Black Keys, com sua “Howlin’ For You”. Matadora!

E mesmo que Eddie usasse todo o potencial de seu cérebro com QI maior que mil, escapam aqui e ali alguns furos no roteiro. Nada comprometedor, mas suficiente para mostrar que até os scripts mais inteligentes têm suas falhas. Falta também uma certa sutilezana hora de dar dicas ao espectador da guinada que o roteiro vai dar no final. Mas dá para encarar esses pequenos deslizes como lembretes da nossa humanidade…, enquanto o NZT não começa a ser vendido nas ruas.

Fonte:  http://www.omelete.com.br/cinema/sem-limites-critica/

Edição:  Rogério de Abreu Soares (para este blog)

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Introdução do desenho animado dos X-Men em stop motion

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"Lick the Star", de 1998. Dirigido por Sofia Coppola.

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