Sobre Margaret Murray

La vez pasada hablé sobre la vida de esta famosa señora que nos ha ayudado a todos los neopaganos a fundamentar nuestras creencias en la actualidad. Ahora, me dedicaré a hablar sobre sus descubrimientos.

Margaret Murray en sus largos viajes con fines antropológicos encontró muchos vestigios de poblaciones antiguas, tales como pequeñas estatuillas y pinturas rupestres. Gracias a estos descubrimientos encontró que en la era Paleolítica el perro ya se había domesticado, que aunque parezca información poco esclarecedora para nuestros fines, ésto le indicó a Margaret que para esos tiempos ya existían poblaciones “civilizadas”; es decir, que se habían construido pequeños agrupamientos de individuos lo suficientemente inteligentes como para domesticar a un animal que le ayudara en sus quehaceres diarios.

Gracias a las pinturas rupestres de la era Neolítica, se encontró que ya no sólo se hacían pequeñas agrupaciones de individuos con sus mascotas, sino también que se habían organizado lo suficiente como para crear grupos de caza e incluso aprovechar las semillas de la naturaleza para cosechar sus alimentos, es decir, se creó la agricultura. Sin embargo, los antiguos pobladores no encomendaban estos descubrimientos a su propia inteligencia, sino que ellos creían que una deidad, ser supremo o algo más grande y poderoso que ellos les regalaba esos beneficios. En pocas palabras se comenzó a creer en la existencia de los dioses. Sí, dioses, en plural.

Los jóvenes individuos de la raza humana creían que había muchas deidades que les ayudaban en tareas específicas; crearon dioses de la agricultura, de la caza, de la fertilidad y poco a poco cada acción que hacían se le fue atribuyendo a un dios. Margaret Murray lo corroboró al descubrir estatuillas de piedra, cuarzos y demás materiales naturales que, se cree, representaban a una deidad. Y eran muchos. Y para que los dioses les hicieran caso y todos les saliera viento en popa a estos sujetos, pues entonces decidieron “hablar con ellos”, y así fue como se crearon los rituales sagrados.

Margaret encontró esto bastante interesante y decidió investigar más sobre el tema, y dentro de sus hallazgos encontró que existía un mismo patrón en diferentes eras de la humanidad, inclusive la actual, en la que la huamnidad se dedicó a servir a los dioses para que éstos los favorecieran con su bendición, sobreviviendo a duras penas de la era oscura (la imposición del catolicismo). A estas personas luego se les conoció coloquialmente como brujos. Así, Margaret comprimió toda su investigación y la expresó en un libro que causó controversia mundial por sus letras liberales y poco sensibles a lo que la gente consideraba tabú en esos tiempos. A éste monstruo maravilloso lo llamó: The God of the witches (El dios de los brujos).

Margaret causó conmoción en toda la comunidad aún tocada por el oscurantismo y la inquisición; sin embargo hubo quienes tomaron este libro como inspiración o musa para seguir investigando y comenzar a traer a la Tierra las enseñanzas que en un pasado teníamos, y uno de los individuos interesados en este libro fue uno de los personajes más tumultosos y revolucionarios de la historia de la magia, y este señor, señoras y señores es nada más y nada menos que… Aleister Crowley, del que se hablará en la próxima ocasión. :)

Ojalá y esta información sea de ayuda para alguien, en lo personal me está ayudando muchísimo debido a que repaso eficientemente lo que veo en el círculo de estudio al que asisto agregándole, además, de mi cosecha. Bendiciones~

Evola e a crítica ao chamado Neo-Paganismo

Em “Contra os neopagãos” (fragmento divulgado na internet como ensaio) Evola começa explicando o significado da palavra “pagão”, derivando de “pagus”, uma cidade pequena ou vila, de modo que pagão se refere ao modo camponês, aldeão de pensar. 

Havia uma consciente e sistemática difamação e descaracterização de quase todas as tradições anteriores, doutrinas e religiões, que eram agrupadas sob a pejorativa “expressão guarda-chuva” de paganismo. Para este fim, os apologistas faziam um óbvio esforço em ressaltar aqueles aspectos das religiões pré-Cristãs e tradições ao qual faltava um caráter primordial, mas eram claramente formas que haviam entrado em decadência.

Sem muita dificuldade de compreensão, o que podemos ver é que, segundo Evola, os apologistas Cristãos retratavam os cultos pagãos – o próprio termo “pagão” sendo uma pejoração – evidenciando seus aspectos decadentes. 

Mais adiante:

Alguém há de considerar, então, que “paganismo” é um conceito artificial fundamentalmente tendencioso que palidamente corresponde à realidade histórica do que o mundo pré-Cristão sempre foi em suas manifestações normais, para além de uns poucos elementos decadentes e aspectos herdados dos restos mortais de culturas mais antigas. 

 Uma vez esclarecidos sobre isso, chegamos hoje a uma revelação paradoxal: que esse paganismo imaginário que nunca existiu, mas foi inventado por apologistas Cristãos, está servindo de ponto de partida para certos “círculos pagãos”, e portanto ameaçando pela primeira vez na história se tornarem realidade.”

Pense em hippies e balzaquianas batendo tambores decorados com runas, em um final de semana de “retiro” no mato, enquanto adoram o “Deus Raio”, a “Deusa Árvore”, o “Deus Sapo” e a “Deusa Perereca”. 

O que Evola nos dá conta é que essa forma de descrever os cultos pagãos, imagem criada e difundida pelos apologistas Cristãos como forma de difamar o paganismo, é justamente o ponto de partida do dito “neopaganismo”. 

 Pra que exemplo melhor que o luciferismo? 

Quais são as principais características da visão pagã de hoje, na forma como seus apologistas acreditam e declaram ser? A primeira, é um aprisionamento na natureza. Toda a transcendência é desconhecida para a visão pagã da vida: permanece entalado em uma mistura de Espírito e Natureza, n’uma unidade ambígua de Corpo e Alma. Não há nada nessa religião a não ser uma supersticiosa deificação de fenômenos naturais, ou de energias tribais elevadas ao status de deuses menores. Daí surge primeiro de tudo um particularismo de “sangue e solo” [NT: Evola alude ao neopaganismo no misticismo nazista]. Em seguida, vem a rejeição de valores de personalidade e liberdade, e uma condição de inocência que é meramente a do homem natural, adormecido para qualquer chamado verdadeiramente sobrenatural. Para além dessa inocência há apenas falta de inibição, “pecado”, e o “prazer de pecar”. Em outros domínios não há nada a não ser superstição ou uma cultura puramente profana de materialismo e fatalismo.

O que temos aqui, é, não um ressurgimento de uma forma antiga de espiritualidade. O neopagão reclama para si o espantalho que os apologistas Cristãos ergueram no nascer do Catolicismo, e declaram ele sua espiritualidade – uma espritualidade antecedente, ancestral. 

O que este neopaganismo no entato se trata, é de uma imanentização do espírito, isto é, não uma manfestação sobrenatural, de um mundo supra-sensível, mas deificação das forças naturais, e do universo das sensações

Sem meias palavras: é uma anti-espiritualidade.

Evola não deixa de notar a ironia nisso tudo: o neopaganismo acaba por validar o Cristianismo contra o qual se rebela:

[É como se] somente a chegada do Cristianismo (ignorando certos precursores tidos como irrelevantes) permitiu o mundo do sobrenatural surgir, permitindo graça e personalidade, em contraste às crenças fatalistas e naturalistas inscritas ao “paganismo”, [com o Cristianismo] trazendo consigo o ideal Católico (num senso etimológico de universalidade) e um saudável dualismo, que fez possível subjugar a Natureza a uma ordem superior, e para o “espírito” triunfar sobre a lei da carne, sangue, e falsos deuses.

Ou seja, se por um único instante fomos supor que esta caricatura odiosa que é o neopaganismo seja o verdadeiro paganismo, então só pode ser mesmo uma grande bênção o surgimento do Catolicismo, que finalmente trouxe uma ordem superior, suprassensível, para elevar o espírito acima da carne. 


Qualquer um que possua uma familiaridade directa com a história das culturas e religiões, mesmo que elementar, consegue ver o quão incorreto e unilateral essa atitude é. Além do mais, nos primeiros Patriarcas da Igreja há frequemente sinais de um entendimento maior dos símbolos, doutrinas e religiões das culturas anteriores. Aqui daremos apenas um exemplo.

O que mais distingue o mundo pré-Cristão, em todas suas formas naturais, não é a supersticiosa divinização da natureza, mas um entendimemento simbólico desta, em virtude do qual cada fenômeno e cada evento se apresenta como uma revelação visível de um mundo suprasensível. O entendimento pagão do mundo era marcado essencialmente por simbolismo sagrado.

A partir daqui começamos a perder de vista portanto a imagem de um grupo de humanos brincando de bonobos, vestidos de branco, e dançando em meio a “vibrações de paz e muita energia”. 

Mais adiante, o modo pagão de vida não era em absoluto um de inocência descuidada, nem um abandono natural às paixões, mesmo se certas formas dele eram obviamente degeneradas. Ele [paganismo] era já consciente de um dualismo saudável, que refletia-se em suas concepções religiosas universais ou metafísicas. Aqui podemos mencionar a religião guerreira dualista dos antigos Iranianos, já discutidos e familiares a todos; a antítese Helênica de “duas naturezas”, entre o Mundo e o Submundo, ou a Nórdica entre a raça dos Ases [uma categoria de Deuses] e os seres elementares; e por último o contraste Hindu entre sams’ra [samsara], o “fluxo de formas” e m(o)kthi, “liberação” e “perfeição”.

Nesse momento, alguém há de se lembrar da descrição de Tacitus em “Germânia e Agricola” a respeito dos temidos povos guerreiros da Germânia, que realmente em nada se assemelham – nem em sua religião – à caricatura que neopaganistas abraçaram, que prima pela divinização do mundo sensorial.

Ao contrário, segundo os relatos de Tacitus, o Germânico histórico a quem o neopaganismo pretende representar a fé, levava uma vida sensorialmente austera, e desapegada de possessões materiais

Temos por exemplo que ao Germânico era proibido permanecer na mesma extensão de terra por mais de um ano, para que não se apegue ao solo. Lá, ele haveria de construir uma estrebaria, e frequentemente ela servia também de moradia. Esta, não poderia ser “confortável demais”, tampouco proteger demais contra o frio – o Germânico deveria manter-se acostumado ao frio sempre. Por razão semelhante o consumo de vinho era proibido, e também porque promovia efeminação, e prostração. 

Mercadores eram permitidos adentrar a Germânia, mas consta que os Germânicos pouco ou nada compravam – apenas vendiam espólios dos saques, e eram desinteressados em tecidos, ornametnos e cavalos (ao contrário dos Gauleses, a quem os Germânicos e também os Romanos consideravam vaidosos, efeminados e “excessivamente afeitos a bugigangas”). 

Ainda segundo Tacitus, desde criança são criados para suportar trabalho e dureza. 

”As maiores honras são para aqueles que se mantém castos por mais tempo: através disso consideram que elevam-se em força, estatura e tendões.”

(Tacitus)

Da Germânia aos Hindus, o paganismo tal qual ocorria na história não se trata, em absoluto, de nada como os neopagãos o fazem. Muito ao contrário de um culto a forças naturais e às sensações, do Reno ao Punjab a religião e a vida dos “pagãos” era uma de ascetismo, e voltada para uma ordem superior, suprassensível.

Dito isto, persiste a real possibilidade de transcender certos aspectos do Cristianismo. Mas algo deve ficar claro: o termo latino “transcendere” significa literalmente deixar algo para trás ao ir para cima, e não para baixo! É importante repetir que o principal não é uma rejeição ao Cristianismo: não é uma questão de mostrar a mesma incompreensão ao Cristianismo que este mostrou, e ainda mostra, para com o paganismo ancestral. Seria preferencialmente uma questão de complementar o Cristianismo por meio de uma herança ancestral e mais alta, eliminando alguns de seus aspectos e enfatizando outros, de importância maior, no qual essa fé não necessariamente contradiz aspectos universais da espiritualidade pré-Cristã.

Em que aspectos isso se daria, se encontra em Evola, e há uma crítica interna interessante por Kierkegaard (filósofo cristão).

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Las brujas son diferentes, y no sólo porque celebramos a la Diosa y el Dios Astado bajo la luna llena. La bruja de verdad vive en un mundo aparte de la conciencia general, piensa, percibe y siente de manera diferente acerca de sí misma y del universo.

Sin embargo, vivimos entre otros con diferentes creencias, percepciones, actitudes y normas, lo cual puede parecer muy extraño a una bruja. No puedo hablar por todos los brujos, pero muchos de nosotros son repelidos por una cultura que está separado de la naturaleza y envenenando la tierra… que cree en un dios único que aparece a menudo celosos y crítico … que la ciencia rinde culto sin entender gran parte de ella, al tiempo que denunció la magia como una fantasía … que adora el dinero y las posesiones, incluso, ya que afirma que el mundo material es pecaminoso e impuro … y que predica  el amor fraternal al mismo tiempo…

Dia do Orgulho Pagão - Porto Alegre (DOP 2013)

No último domingo, dia 13, participei da 10ª edição do Dia do Orgulho Pagão, em Porto Alegre. A celebração pública aconteceu no Parque Farroupilha, mais conhecido como Redenção, na capital. O parque, por si só, já é belíssimo nesta época do ano.

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Fita entregue durante o encontro público. A fita roxa é o símbolo adotado pelos idealizadores do Pagan Pride Day, nos Estado Unidos.

Participei, após 10 anos de vida neopagã, pela primeira vez de um encontro público. E gostei. Precisei sair antes do término, portanto não pude participar do ritual no qual a celebração culminou. Mas o que quero registrar é que a comunidade neopagã local foi agraciada com uma celebração que se destacou pela devoção e carinho da organização.

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Foto do álbum da organização do evento. Estou ali no meio da audiência :) Quem está palestrando é o Odir Fontoura (professor e historiador).

De acordo com os organizadores, o encontro contou com pouco mais de uma centena de participantes. O círculo estava muito bonito, e o altar foi organizado de forma cuidadosa, próximo a uma majestosa árvore do Parque da Redenção. 

- Lucas da Rocha

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Proselitismo é como se nomeia a corrida de algumas religiões atrás de novos fiéis. Em poucas palavras, uma arregimentação em nome da fé. Todas as vertentes do Neopaganismo rechaçam tal prática, a qual descaracterizaria o movimento como um todo. Mas o conceito gera alguns mal-entendidos quando instituições neopagãs buscam se estabelecer e são questionadas sobre sua prática ser ou não proselitista.

Para bem entender o incômodo que práticas de conversão geram à mentalidade neopagã, basta que pensemos na relação que temos com a ideia de diversidade - religiosa, mas não somente. O Neopaganismo não é tolerante com a diversidade religiosa, mas sim respeita profundamente e celebra todas as formas de diversidade: de crença, sexual, étnica, cultural etc. Há uma distância marcante entre os significados de “tolerar” e “celebrar”. Concordo que esse respeito seja uma cláusula pétrea para as religiões neopagãs, e que qualquer rompimento com essa premissa gere uma quebra em relação a todo o resto, descaracterizando a teoria e prática em questão enquanto neopagã.

Isso nos leva a algumas questões que surgem, pendularmente, em discussões: e quanto aos movimentos fascistas que se valeram de práticas e crenças antigas e pagãs? Penso que resolvemos essa questão ao lembrarmos de uma terminologia a qual eu pouco recorro, mas que se revela útil. Alguns autores separam cronologicamente as religiosidades afins ao Neopaganismo entre Paleopaganismo, Mesopaganismo e Neopaganismo propriamente. A grossas linhas, o primeiro conceito diz respeito aos povos primevos, em sua maioria pré-cristãos, e suas práticas históricas. Essas práticas tiveram um fim, por razões de dominação das quais a historiografia dá conta. Posteriormente, um esforço de resgate de práticas pagãs foi empreendido nos séculos 18 e 19 por ordens esotéricas, as quais certamente não eram (ou não são, as que ainda se encontram em atuação) neopagãs, mas usavam de maneira livre conceitos e práticas pagãs, com a ressalva de que sempre em harmonia com elementos cristãos e orientais. Esse é o Mesopaganismo. Neopaganismo são as práticas atuais que, desde meados do século 20, buscam construir valores, crenças e práticas inspirados no Paleopaganismo mas em equilíbrio com as urgências e descobertas tecnológicas de nosso tempo. Penso que os grupos fascistas, marcadamente facções nazistas, os quais se valeram de crenças e práticas supostamente pagãs se encaixem no segundo conceito - o Mesopaganismo. Isso porque o Neopaganismo só surge do respeito profundo às realidades que nos circundam.

Nunca é de mais mencionar aqueles pontos os quais eu considero constantes em todas as vertentes do Neopaganismo, e que nos permitem, portanto, caracterizar a esse tronco estético, cultural e religioso através de um nome comum. Seriam eles a celebração dos ciclos naturais, a exaltação da diversidade, a reverência aos antepassados (espirituais e familiares) e o culto aos espíritos locais dos lares e comunidades aos quais pertençamos. Considero todos os pontos mencionados essenciais à identidade neopagã. Tirando-se um deles, não temos mais Neopaganismo. Não creio, entretanto, que essa seja a opinião de todos os grupos e indivíduos, mas é segundo ela que escrevo este blog.

Ao chegarmos aqui, penso que esteja claro por que o proselitismo é, em si, um fator que descaracteriza o núcleo de toda e qualquer prática que possa se chamar de neopagã. Mas certos fatos têm sido erroneamente associados ao conceito de proselitismo.

Por vezes se fala que o Neopaganismo brasileiro está na adolescência; ou mesmo que já esteja saindo dessa fase, para uma adultez ainda não livre de certas inseguranças. Creio que faça parte de um progresso desejável para o movimento no país o surgimento de instituições religiosas fortes. Nesse ponto surge mais uma questão de extrema relevância: alguns neopagãos serão radicalmente contra os conceitos de representatividade para o Neopaganismo, contra hierarquias e, portanto, contrários a instituições nos moldes de nossas sociedades atuais. Compreendo essa visão, a tenho como legítima, mas não penso da mesma forma.

Algumas instituições surgiram, nos últimos anos, com uma proposta de dar suporte a religiosos que queiram travar contato com nossas práticas, estudar de forma segura e mesmo buscar informações coerentes. Isso é saudável, necessário e de suma importância. E jamais deve ser confundido com proselitismo. Iniciantes se deparam sempre com alguns cenários mais ou menos repetitivos: chegam a um ponto em que a literatura a qual têm acesso só repete o mais do mesmo; muitos praticantes não têm paciência de responder a alguns questionamentos honestos; outros tantos praticantes passam informações de maneira totalmente irresponsável, seja por se tratarem de práticas ritualísticas não recomendáveis para um neófito, seja por difundirem meias verdades, simplesmente. O apoio que instituições, para citar uma, a qual acompanho apenas pelas mídias sociais, como a União Wicca do Brasil (UWB) oferecem vão desde suporte legal, até uma facilitação no contato entre religiosos (através de cadastros), e mesmo algo de muito importante, a representação da religião Wicca, neste caso em particular, em encontros ecumênicos e de discussão acerca da tolerância religiosa.

Oferecer um ambiente de acolhimento aos interessados em se informar acerca das vertentes neopagãs, suas práticas, seus valores, suas visões de mundo, é algo que só pode levar a uma comunidade religiosa mais unidade, e a uma sociedade como um todo mais bem informada sobre nossas religiões. E isso é muito diferente de bater de porta em porta oferendo nossos textos sagrados.

- Lucas da Rocha

O chimarrão e o neopagão

Pensando no título pra este post, não consegui fugir ao “ão ão”, desculpem. Pensei em “Mate e o neopagão”, mas daí as palavras “mate” e “pagão” trariam fanáticos de outras fés até meu blog, o que não faço questão que aconteça.

Hoje é dia 20 de setembro, e, aqui no Rio Grande do Sul, é o feriado comemorativo de uma guerra perdida. Isso mesmo, é a comemoração de uma guerra que se perdeu - não faça caretas ao meu post, direcione sua incredulidade ao MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Bem, talvez o título deste post traga até aqui alguns saudosistas de um passado inventado, então alguns esclarecimentos se fazem necessários. A meu ver, e de todos os historiadores e pensadores interessantes de que tenho ouvido falar, a Revolta Farroupilha nada mais foi do que o levante de uma elite conservadora contra o Brasil Império motivada por valores de impostos. Apenas isso. Se você lembra de ter ouvido falar em lanceiros negros, libertos pelos farroupilhas, sugiro que pesquise sobre o Massacre de Porongos (em resumo, uma história que os pseudotradicionalistas gaúchos não gostam de mencionar, e que teve um final triste para os escravos supostamente libertos).

Tudo bem, o mate está cevado, agora podemos conversar.

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Chimarrão preparado por mim. :)

Chimarrão na História

A palavra chimarrão tem origem no vocábulo castelhano “cimarrón”, e era um ajetivo usado pra designar o gado domesticado que fugia e passava a viver de forma livre novamente; também era usado pra referir escravos que conseguiam fugir. Bem, de qualquer forma, a origem do termo remete a liberdade, então começamos bem!

A referência mais antiga ao uso da erva-mate como infusão pra beber data do século 16, e afirma que essa era uma prática de povos guaranis. Temos, então, nosso elemento mais importante pra definir uma tradição - a ancestralidade.

Já sabemos de onde veio esse nome, sabemos qual a origem da bebida, e concluímos que é um hábito tradicional, já que o chimarrão era costume entre povos do sul da Latinoamérica muito antes da criação do MTG, e continua sendo, independentemente de convenções. Mas o motivo mais importante que me levou a escrever este post é o que, afinal, simboliza o mate, ou o chimarrão, pra quem o bebe.

Valores neopagãos

A primeira justificativa pra associação entre o chimarrão e as práticas e valores neopagãos, além da ancestralidade histórica, é o laço familiar. Particularmente, lembro de ter aprendido a beber e a fazer um chimarrão com meu pai ou meu avô, não estou certo. Mas certamente uma das melhores lembranças que tenho de meu avô é o convite, sempre ao finalzinho da tarde, um familiar e terno “Tá pronto o chimarrão!”. Não era só um chamado pra bebermos algo juntos, simplesmente. Era um convite carinhoso pra que nos sentássemos próximos, pudéssemos compartilhar como foi nosso dia, comentar algum acontecimento, tudo isso enquanto a cuia girava a roda. Por isso chimarrão é, pra mim, primeiramente símbolo da ternura dos meus.

Além disso, não há lugar de destaque numa roda de chimarrão, todos se sentam como iguais, no mesmo círculo, pra conversar. Então temos um símbolo de fraternidade no ato de tomar o chimarrão entre amigos. O mate também é uma bebida estimulante, então ajuda a dar um certo vigor físico, e a clarear as ideias. 

Simplicidade neopagã

Convenhamos que o simples fato de aceitar tomar um chimas com alguém já é, por si só, uma declaração de que se confia nos hábitos de higiene da pessoa, afinal, diferentemente dos uruguaios, aqui no Rio Grande do Sul se costuma dividir a mesma cuia. Quando ofereço um chimarrão a alguém, estou convidando o outro a parar um pouco na loucura que costuma tomar conta de nossos dias, se sentar como um igual e conversar.

Por sua simplicidade ancestral, seu simbolismo de respeito aos demais e fraternidade, pelo contato com tradições dos povos antigos de nossas terras; por tudo isso o chimarrão é verdadeiramente um bebida tradicional, e cai muito bem entre amigos neopagãos.

Por Lucas da Rocha

Rede Wiccana - um chamado à Compaixão

Para começo de conversa, é bacana traçar algumas definições sobre a visão da Wicca adotada por mim.

Religião vs. Instituição Religiosa

A Wicca certamente é uma religião, mas não é uma instituição - como a Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo. Isso quer dizer que há um núcleo de crenças que dá unidade ao culto, mas não há uma administração centralizada. Isso que eu chamo de núcleo de crenças pode ser composto pelo politeísmo (ou alguma outra variação da ideia de monoteísmo, mas que considere o culto a mais do que uma divindade), pelo animismo, pela igualdade de direitos entre gêneros etc. Dito isso, cabe lembrar que existem praticantes que se dizem tradicionalistas e iniciados formais, estes inseridos em tradições, corpos litúrgicos e administrativos com características próprias; há praticantes, por outro lado, que se denominam auto-iniciados, ou dedicados; ainda, há praticantes que seguem o modelo litúrgico e ritualístico da Wicca, mas não estão interessados em discussões acerca de tradições, iniciações ou qualquer forma de validação de suas práticas por outros.

Wicca tradicional e Wicca moderna?

Quero dizer que, quando falo em Wicca, aqui, me refiro a todas as possibilidades acima. Essas possibilidades podem ser, ainda que grosseiramente, resumidas entre uma face tradicional e outra moderna. Isso não é ponto de comum acordo, nem mesmo eu estou satisfeito com esta diferenciação binária, também porque uma religião com pouco mais de 60 anos de existência ser dividida entre antiga e nova me parece algo forçado, sob alguns aspectos. Mas é algo últil à análise feita neste post.

A Rede Wiccana e Aleister Crowley

Quando falei, lá no início deste texto, em núcleo de crenças, posso afirmar com grande margem de acerto que faz parte desse conjunto de práticas e teorias a Rede Wiccana: “An it harm none, do what ye will” ou “Sem a ninguém prejudicar, faz o que tu queres.”. A Rede tem, por sua vez, algumas interpretações possíveis. A diferença mais importante entre elas diz respeito a uma parcela de praticantes, tradicionalistas, que dizem que a Rede Wiccana é um compromisso iniciático, portanto seria assumido quando da iniciação. Outra parcela, dos modernos, pensa que a Rede é um conselho ético wiccano, ou uma norma. Os primeiros costumam associar a Rede à máxima da Lei de Thelema, do mago Aleister Crowley: “Faz o que tu queres, há de ser o todo da lei”. Isso implica ver o conselho wiccano como uma meta do praticante, e não um caminho, porque o conceito de Vontade, segundo a Thelema, é análogo à órbita traçada por uma estrela - se o corpo celeste permanece em seu trajeto e seu tempo, não haverá colisões. Assim, quando o praticante é capaz de seguir sua Verdadeira Vontade, não haverá conflitos de interesses. Não vou me aprofundar nos conceitos de Crowley porque não sou um praticante de sua doutrina, nem mesmo um grande estudioso da mesma. Se alguém quiser acrenscentar algo a este ponto, fique a vontade. Para os modernos, a relação entre Rede Wiccana e Lei de Thelema não é central, pois a primeira é considerada um ditame ético.

Benevolência não é Compaixão

Tenho visto, ao longo dos anos, sempre a Rede ser explicada com a ideia de benevolência, ou bondade. Não concordo com essa visão. Não concordo porque penso que a ideia de bondade, quando discutida em âmbito religioso, leva ao conceito vulgar de caridade para as igrejas cristãs. Falo em conceito vulgar porque entendo que a ideia comum de caridade (a prática de boas ações aos demais) é muito menor e menos rica do que o conceito de “Caritas” existente nos livros sagrados judaico-cristãos. Se não considero bondade ou benevolência como relevantes para a compreensão da Rede Wiccana, qual a chave que eu uso? A Compaixão. Este conceito, muito caro também aos budistas, significa a capacidade de se colocar no local ocupado por outrem, seja no sofrimento, seja nas alegrias. É a capacidade que todo ser humano deveria ter de se imaginar na situação de seu próximo.

Mas quem é “o próximo”?

Ainda de suma importância, cabe a definição de “o próximo”. Assim como para o Budismo, para o Neopaganismo a Compaixão deve ser extendida a todos os seres sencientes (capazes de sentir, física e emocionalmente). Há quem traduza a Rede como “Sem a nada nem a ninguém prejudicar, faz o que tu queres.”. O vocábulo “nada” não é necessário se aplicamos a noção abolicionista de Compaixão. Porque segundo essa ideia, seres sencientes (todos os animais não-humanos usados para alimentos, vestimenta, testes e entretenimento, por exemplo) não são objetos, mas pessoas que possuem dignidade e direitos. Daí a noção de Direitos Animais, como extensão aos Direitos Humanos. Eu falo de um local específico. Entre as diversas identidades que compõem este autor, sou professor de Língua e Literatura, escritor, editor e ativista pela libertação animal em uma Organização Não-Governamental.

Tradição que repete irrefletidamente rituais antigos é tradição morta.

Conforme as explicações de vários mitólogos, entre eles o sempre citado Joseph Campbell, os ritos das caçadas nada mais eram do que formas das sociedades antigas equacionarem espiritualmente todo o sofrimento causado a outros seres. Ele precisavam lidar com isso de alguma forma, e o faziam porque percebiam a dor nas ações de sua caça. Ora, os seres humanos das sociedades antigas acreditavam ser necessário se nutrir com alimentos de origem animal (carne, leite, ovos etc.). Mas hoje em dia está mais do que provado que não precisamos explorar outros animais para sobreviver - sou um exemplo disso, e conheço muitos outros, além de saber que existem milhões de pessoas pelo mundo que não fazem uso de nenhum produto de origem animal (os veganos) e estão muito bem, obrigado. Se a humanidade contemporânea tem meios mais do que suficientes para não colaborar com a exploração de outros animais, isso também vale para os neopagãos.

Compaixão Neopagã

Dessa forma, como espero ter deixado claro, “Sem a ninguém prejudicar, faz o que tu queres” é um convite à Compaixão. É um conselho para que nos coloquemos no lugar do outro que será atingido pelas nossas ações (profanas e sagradas), seja esse outro um ser humano ou qualquer ser senciente.

Por Lucas da Rocha

Três indicações de leitura para quem não se considera um obstinado esquerdista

Se você, caro leitor, não se considera um esquerdista contumaz, talvez tenha chegado o momento de informar-se um pouquinho sobre o que está acontecendo na face da Terra. Para tanto, indico três livros indispensáveis:

A tese central deste livro é que a esquerda, havendo fracassado durante o século XX em seu programa clássico (o socialismo), substituiu, no século XXI, a revolução socioeconômica pela moral-cultural. A esquerda, assim, já não tem um projeto econômico, mas um projeto cultural de “engenharia social”.

Eugenia Rocella e Lucetta Scaraffia mostram, nesta obra, que os direitos humanos, aos quais se referem todas as organizações sociais, vêm perdendo, ao longo dos anos, sua característica original de código ético, convertendo-se, pouco a pouco, na base ideológica de um relativismo totalitário.

O livro de Monsenhor Juan Claudio Sanahuja aprofunda as questões levantadas nas obras anteriores, fazendo-nos lembrar, a cada página, as palavras do cardeal Jean Daniélou: “Não há nada pior que um idealismo otimista, em cujo nome certas civilizações se consideram como representantes dos valores autênticos”.

Estes três livros falam, basicamente, da nova ética que está sendo engendrada nos bastidores da política mundial; na verdade, uma religião laica e ateia, cujos princípios são muito simples:

1) Bem e mal são conceitos relativos, variáveis de acordo com cada subjetividade. Nada é bom ou mau em si.

2) As verdades são mutáveis, ditadas por qualquer cientista que possua respeitabilidade midiática ou anuência da Organização das Nações Unidas (ONU).

3) O conceito de “direitos humanos” será permanentemente passível de modificações, negociado e alterado ao sabor das pressões políticas e midiáticas.

4) O centro da vida humana é o corpo. Cabe ao homem satisfazer suas vontades, seus apetites, livre de qualquer injunção, salvo as estabelecidas pelos partidos que, momentaneamente, ascendam ao poder, dos quais pode-se discordar em silêncio, desde que estejamos prontos a obedecê-los.

Ou seja, nada mais que a arrogância humana – levada ao seu extremo.

Os novos xamãs

O horizonte do homem contemporâneo está limitado, em muitos casos, por um novo tipo de xamanismo. Os teólogos secularistas, os novíssimos gurus, a vanguarda dos cientistas, pensadores e médicos politicamente corretos, os escritores de autoajuda, a esquerda que recupera filosofias, símbolos e cultos pagãos: todos dançam nus, noite após noite, em torno de uma imensa fogueira, embriagados por algum tipo de chá, sonhando que copulam com golfinhos, ninfas, sátiros… São personagens de um vasto painel naïf, pueris em suas cantigas de roda, em seu enaltecimento do corpo, em seus rituais dionisíacos, em sua crença de que vivem além do bem e do mal, enquanto o mundo segue uma trajetória nada inocente. Lembram Nietzsche dando entrada no manicômio de Jena: fazem grandes reverências, andam de forma majestática, com o olhar preso ao teto, e agradecem pela “magnífica acolhida”. As diversas formas de “amor a Gaia” representam uma alucinação coletiva, um retorno ao que existe de mais primitivo. A esperança foi acorrentada ao transitório por esses ilusionistas, seguidores tardios de Franz Mesmer. E eles prometem, solenemente, o mais nobre dos fins ao homem de hoje, quando lhe perguntarão, cheios de ingênua arrogância: “M. Valdemar, can you explain to us what are your feelings or wishes now?”.

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