mkovacs

- Passou?
- Não.
- E então, por que ainda sorri?
- Sorriso não é sinal, de felicidade
—                           M.Kovacs
- Você merece um beijo. - Ele diz.
- Então me dê. - Ela retruca.
- Então vem cá. - Ele a desafia.
- Estou indo.
- Vem rápido.
- Eu já chego, me espera.
- O tempo que for necessário.
—  Nos queríamos mesmo era estar juntos, agíamos como se morássemos a uma casa de distancia, só esquecíamos que, não era uma casa que nos separava, e sim, uma avenida, uma rodovia, viagens de carro, e passagens de avião. Marcella Kovacs (MK)
- Eu te amo.
- Foda-se
- Grossa!
- Foda-se
- Não acredita em mim?
- Não
- Devia acreditar
- O que eu ganho com isso?
- O que eu ganho com seus foda-ses?
- Outros foda-ses.
- Para com isso.
- Ah, mais uma coisa
- O que?
- Vai se fuder.
—  Minha vida se resume em foda-ses, e você foi só uma foda errada - Marcella Kovacs  (MK)

Ela era linda, tinha um corpaço, coxão, bundão, peitão, trabalhava na boate lá do centro da cidade…

O nome dela? Maria Eduarda, pois é nome todo delicado, estilo daquelas princesas da disney, cabelo enrolado, ruiva, não tinha nem como compara-la com as outras meninas, ela ganhava de dez a zero, até mesmo quando ia na farmácia de chinelos, camisão largo, cabelo amarrado em um coque, com aqueles óculos estilo anos 70, difícil era qualquer pessoa não olhar quando ela passava, ela tinha um cheiro .. doce, de flor misturado com bala de goma, era gostoso, e ficava o rastro aonde ela passava. Ela era uma pessoa séria, andava de cabeça erguida e dava bom dia pra quem ela quisesse, manda os caminhoneiros tomarem no cu, até o carinha da feira ela já mandou se foder, ela era incrível, e eu? Um moleque, de 18 anos, que fica olhando ela sair de casa, já fui na boate aonde ela trabalha, mas não a achei, ela deve ser uma daquelas que ficam escondidas, como diamantes, peças raras, achava eu que ela daria bola para um moleque assim,mas não importa, olhar da janela de casa não paga, meus colegas perguntavam como eu nunca tinha dado ideia nela, então eu contava da cena que eu vi uma vez, ela dando um fora em um carinha que morava a 15 minutos da minha casa, ela toda fina dispensou o cara, acho que ela não gosta de namorar, mal a vejo com alguém, a unica vez que vi, foi quando ela estava com o ex namorado dela, um otário, fez a menina chorar na frente de todo mundo uma vez no natal, depois daquele dia ela mudou, fez vários books, ganhou miss são paulo e tudo mais, tentou miss Brasil mas ficou em quarto lugar, ela era bonita demais uma vez minha mãe disse que na quarta série ela ganhou um concurso na escola de garota mais bonita, enfim eu poderia ficar aqui falando horas e horas de como ela era linda, e tudo mais. Maria Eduarda morava sozinha, e diferente dessas outras garotas da cidade, ela não dava festa todo final de semana, você mal via alguém saindo da casa dela, as vezes ela e algumas amigas, mas isso uma vez no mês e olhe lá. Eu estava andando esses dias pela cidade, e vi seu carro estacionado em frente ao estúdio de tatuagem, sim eu fui ver, ela estava fazendo uma tatuagem na costela, assim abaixo dos seios, agora eu só não sei o que é. Sua mãe morava no exterior, seus pais eram separados, Maria Eduarda tinha apenas 21 anos, eu poderia dar uma vida boa pra ela … puft quem eu quero enganar? Sou mais um pé rapado que paga 90 reais, para ir em uma boate, e não comer ninguém, claro que eu não falo isso pra ninguém, mas eu só fui lá para procurar ela, quem sabe trocar uma ou duas palavras, levantava todos os dias as nove da manha, só pra ver ela na laje tomando sol, era linda, seu sorriso … que sorriso, você nem diz que um dia ele usou aparelho, seus olhos eram castanhos, tinha um olhar fundo, nariz empinado … personalidade, essa era Maria Eduarda, a gostosona da rua 21.

—  Quem sabe eu ser seu futuro, nem que fosse futuro motorista, continuaria sendo dela. - Marcella Kovacs (MK)
Tequila, vodka, whisky, e um amor por uma noite.
Eu estava parada, sentada no bar conversando com minhas amigas, os barmans ficavam nos olhando, as vezes traziam umas bebidas de graça, tudo para chamar nossa atenção. Estava tocando “ stronger ”, era minha musica, levantei e fui dançar, a pista estava cheia, todos dançando, mas só um, somente um estava parado, não liguei, observei minhas amigas rirem com os barmans e fui até elas, chegando no bar elas estavam bebendo.
- Por favor, Julio, uma dose de tequila.
- É pra já. - Então foi ele preparar minha dose, o rapaz que estava sem dançar então começou me olhar, cochichou algo com os amigos, mas nada com que eu fosse me importar.- Aqui está. - Como eu gostava, peguei o sal junto com o Limão, o rapaz continuava a me observar, coloquei o sal na mão, eu não gostava do gosto do sal, mas o melhor ainda estava por vir, virei a tequila de uma vez, o limão dentro de segundos já estava em meus lábios, o azedo era bom, a tequila estava ótima, voltei para pista de dança. Ele estava lá, moreno dos cabelos arrepiados, camiseta xadrez, olhos castanhos um sorriso lindo, estava me observando novamente, sorri para ele, sem jeito, e continuei dançando o DJ aumentou o som, e então a musica entrou em minha mente. Ouvi com uma certa dificuldade uma voz, era bonita por sinal, era calma, grossa e me fazia ter arrepios, é como se eu já tivesse ouvido essa voz antes.
- Posso me juntar a você ? - Então era ele, o mesmo rapaz que estava no canto me olhando, senti minhas bochechas esquentarem, sorte que estava tudo muito escuro, e então ele não poderia ver isso.
- Claro que pode - Respondi e continuei dançando, a musica estava muito boa, ele então começou dançar junto a mim.
- Posso saber seu nome? - Ele disse com um sorriso que dançava em seus lábios.
- Luiza e o seu? - Sorri de volta, agora com um pouco menos de timidez .
- Mateus - Bonito nome, bonito ele, bonito …
Mateus, agora poderia o chamar pelo seu nome,mas observar o bonitão de longe não estava sendo ruim, imaginar ele dançando para mim, menos ainda. Agora estava ele com as mãos em minha cintura, dançando no mesmo ritmo que eu, seus dedos nas minhas costas nuas queimavam como fogo, depois o caminho qual havia taçado ficava gelado feito gelo, era quente mais frio, tinha desejo, mas também cautela.
- Então Luiza, aceita beber algo? - Disse segurando minha mão e me levando para o bar, ver a reação das minhas amigas foi o melhor, estalaram os olhos e sussurraram algo do tipo “ que gato ”, Julio, me olhou com um sorriso, perguntando se seria o de sempre, eu só concordei com a cabeça, Mateus sentou, me colocando de frente para ele.
- Então você é tequileira ? - Não pude deixar de sorrir, bom afinal, eu era mesmo, bebia de tudo, mas tequila era minha preferida.
- Sim, adoro tequila - Julio apareceu atrás do balcão com sal, tequila e limão. - Posso testar uma coisa? - Disse para Mateus sorrindo.
- Claro que pode - Ele assentiu, mordendo seus lábios. Deitei seu rosto, deixando seu pescoço a mostra, coloquei um pouco de sal, em sua lateral, segurei o limão em uma mão, e a tequila em outra, devagar passei minha língua pelo sal, retirando de seu pescoço, tomando a tequila, e colocando o limão na boca. Sorri para ele,que agora estava se olhos fechados, com a mão em minha cintura.
- Como você pode ser assim? - Agora com as mãos em meu rosto
- Assim como?
- Encantadora - Beijou minha testa, confesso que me senti estranha, todos que se aproximavam de mim, logo tentavam me beijar, ou algo do tipo, mas ele não, com ele estava sendo diferente. - Quero te levar a um lugar - Primeira coisa que se passou em minha mente Motel, tudo bem me enganei com respeito a ele, ele queria mesmo era sexo.
- Tudo bem - Me coloquei na sua frente segurando sua mão - Vamos. - Ele passou seu braço a meu redor, me levado para o andar de cima do bar, que diabos ele estava fazendo? Eu sinceramente não entendi, o terraço do bar tinha algumas mesas, um som mais calmo, dava para observar o céu, era lindo.
- Chegamos - Ele se sentou, me colocando em seu colo, acariciou meu rosto, me fazendo fechar os olhos, e pensar sobre aquilo.
- Por que me trouxe aqui? - Disse cerrando o senho, sua expressão ficou vazia, mas logo sorrio.
- Por que você é diferente.
- Como?
- Eu te observei passar pela porta, e de inicio coloquei em minha mente, “ tenho que ficar com essa garota” por isso me aproximei de você. - Bom no fundo eu sabia, mas foi algo que me machucou ouvir ele dizer aquilo. - Mas depois percebi que você é diferente, e que não poderia ser só uma ficada. - Seus lábios agora estavam juntos dos meus, se moviam num ritmo devagar, parecia que nós fomos feito um para o outro. Suas mãos acariciavam meu rosto, me ajeitei em seu colo, e depois de uns longos minutos, paramos de nos beijar, meu rosto agora estava posto eu seu ombro, ele falava coisas do tipo “ quero te ver mais vezes, queria poder não te deixar ir ” , mas logo meu celular tocou, era uma das meninas me dizendo que estava tarde e que tinha que ir. Procurei em cima da mesa, um papel e uma caneta, escrevi meu número.
- Aonde você vai? - Perguntou ele com aqueles olhos castanhos, e lindos me encarando.
- Tenho que ir para casa.
- Mas já? - Sorri.
- Já são, quatro da manhã. - Segurei seu rosto dando-o um beijo rápido. Segurei suas mãos, deixando o papel em seus dedos.
- Vamos nos ver mais vezes? - Disse ele segurando meu rosto.
- Talvez sim, talvez não … mas me liguei. - Dei nele um beijo e então desci as escadas, e mesmo que não me ligasse, estaria bom, por que Mateus era diferente, e mesmo que eu não o visse mais, teria comigo seu sorriso, coisa que não vai ser fácil esquecer.
—  E olha que engraçado, o gosto da tequila é melhor em você. - Marcella Kovacs  (MK)