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Sofro de sentimentalismo. Sou sentimental até as pontas dos cabelos. Não tomo jeito. É defeito de fábrica. Mas é aquele defeito que não se corta. Sabe aquele defeito que a Clarice fala, pra gente tomar cuidado que se for arrancado pode vir abaixo o edíficio inteiro? Pois é isso. Ser sentimental me mantém de pé. Antes viva e sofrida, do que vazia e morta arrastando meu corpo por aí.
—  Sociedade dos Sentimentalistas - nempense
Eu já insisti tanto! Já tentei de tudo: já ignorei, já busquei, fui sincera e nada. Nunca nada. Então, por agora, deixo estar. Não tá valendo o esforço, sabe? Por isso, vou ficar esperando, por enquanto. Uma hora a gente desencana, desapega. Esquece e nem percebe.
—  Nempense

Este conto está participando do primeiro concurso literario reconduzindo, feito pelo velhomoinhoClique aqui para saber mais, e dê like nesse post para ajudar na contagem. Se gostou, reblogue para que outras pessoas possam me ajudar no concurso.


De onde vem o conto, por Michelle Guimarães.

17 de abril de 1989. Sofia acabara de completar seus tão malfeitos 23 anos. Seus olhos castanhos e belos e longos cabelos ruivos faziam-na destacar-se entre tantas moças pela longa avenida por onde caminhava. Tinha saído de uma daquelas longas e torturantes aulas de latim da faculdade de Letras. Morava num pequeno apartamento emprestado pela tia, logo ali mesmo, no final da avenida. Pouco mais de 14 minutos de caminhada. O nome de sua instituição ou a cidade em que se passa não nos importa agora.

Passou seus 14 minutos observando as pessoas na rua. Fim de tarde. Pessoas correndo para cima e para baixo apressados para reencontrarem suas famílias, seus pequenos para o jantar. E Sofia só, pensava no pequeno conto que tinha para escrever. Esta bela moça passara sua vida mergulhada em livros. Quando pequena, sonhara até que iria mudar o mundo. Hoje, mal aguenta o peso de arrastar seus pés. Seus sonhos tão grandes pesam-lhe o corpo.

Mas voltemos ao conto. Tinha 15 horas para aprontá-lo até o início da próxima aula. Ao chegar ao apartamento largou os livros em cima da pequena mesa, despiu-se e destinou-se a tomar um longo banho quente para tentar organizar as ideias. Ao sair do chuveiro ainda não havia pensado em nada. Era um silêncio ensurdecedor. Na mente ou no coração? Oh! Tanto faz para uma pessoa só.

Faltam agora 12 horas para a entrega e ela já está há 2 sentada em frente à máquina de escrever.  “Meu Deus, é só um conto!”, pensava ela. “Será que já escrevi tanto em minha vida que as palavras esvaíram-se de meu ser?”

1989, Brasil. Mal acabara aquela porca ditadura militar e agora a liberdade comia-lhe as palavras que um dia alimentaram seu ser. Por fim, resolveu. Datilografou: “De onde vem o conto?”. Parou novamente e pensou. Da alma. Da contínua leitura. Da raiva. Do escrever para não se sentir só. Do escrever para não pensar que se está só. Lembrou-se de seus livros. Lembrou-se das conversas com o pai na varanda após o pôr do sol.

Esvaiu-se. Escreveu do que não falou por estar só. Do que não desabafou antes de dormir. Do vazio de pensamentos quando se abre os olhos ao acordar. Palavras incompletas e perdidas. Escondidas, não ditas. Palavras feridas.

Terminou seu texto meia boca. As frases enfim voltaram. As palavras inundaram. Encharcou-se de pesar. Ao sentir o fardo da escrita, sorriu. “Recomeçou-se”. Dormiu.