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Eu te Amo | Oneshot Micela <3

Talvez fosse simples, talvez não fosse. Como dizer “eu te amo” para alguém, para quem você já disse isso à vida toda? Como expressar um sentimento que te acompanha desde o momento em que seus olhares se cruzaram, mesmo que você não se lembre desse momento exato, só do sentimento que não te deixou por um segundo da sua vida?

Para Miguel, esse era um grande e complexo dilema.

Desde que se entendia por gente, sabia que amava Marcela Lancaster Cardoso, muito mais do que amaria a uma amiga normal e do que veio a amar qualquer uma das primas. Diversas vezes ao longo da vida, até mesmo depois de começarem seu estranho caso de ficadas ocasionais, ele havia dito que a amava.

Mas não do jeito que queria e precisava.

Seu pai havia lhe dito uma vez, que o primeiro “eu te amo” é muito importante. Ele havia dito para Giane quando achou que ela havia morrido, depois de mais um fatídico incidente envolvendo Amora Campana. E sua mãe havia dito para seu pai depois que ele havia descoberto ser filho de seu avô, e garantido à ela que mesmo com todo o dinheiro do mundo, nunca a trocaria por nada.

E agora, aos quase dezoito anos, depois de cinco nessa enrolação, ele queria dizer isso à Marcela. Dizer o quanto a amava, o quanto a queria, o quanto desejava ser seu namorado.

Mas como fazer isso? Como dizer três palavrinhas tão simples, sete letras tão fáceis, mas que juntas formavam uma frase tão poderosa e pesada, capaz de mudar totalmente sua vida, e ele sabia disso. Era o golpe de misericórdia: ou ela o amava e queria ficar com ele, ou seria hora de seguir em frente

_ Leva ela para um lugar importante. – sugeriu Belle – Isso vocês têm de sobra, já que passaram literalmente a vida inteira juntos.

Mas não era tão simples. Não podia ser qualquer lugar, tinha que ser O lugar. Aquele que era mágico, importante, único. O lugar onde, pela primeira vez, ele se deu conta daquele amor que sempre existiu.

_ Adorei essa ideia de passarmos o final de semana em Ilhabela. – comentou Pedro, que estava no volante – Ainda mais que nossos pais nos deixaram vir sozinhos.

_ Com certeza. Ainda não entendi como meu pai deixou, mas estou feliz que o tenha feito. – sorriu Marcela, a cabeça quase para fora da janela do carro do amigo.

Estavam Pedro, Belle, Miguel, Marcela e Rafael, os cinco indo passar um final de semana na casa de Plínio em Ilhabela. Não havia sido fácil convencer os pais a permitirem isso, especialmente Caio. Mas Miguel havia tido a atitude mais corajosa de sua vida e sentado frente à frente com o padrinho, só os dois, para um diálogo que o fotógrafo esperava há anos.

_ Eu amo a Marcela. – o garoto não fez rodeios, e Caio admirou isso – Eu realmente a amo.

_ Eu não tenho dúvidas, mas quero saber porque você está me dizendo que a ama.

_ Porque eu quero ficar com ela. – Caio arqueou a sobrancelha – Não nesse sentido. Digo, nesse também, mas… Eu quero dizer a ela que eu a amo, de uma maneira diferente da qual eu amo a Gabi, a Clara ou a Larissa. Que eu amo ela do mesmo jeito que você ama a madrinha, ou que meu pai ama a minha mãe. Que eu quero namorar com ela e ficar com ela, por quanto tempo for possível e permitido.

_ Então, você está pedindo minha permissão para namorar minha filha?

_ Estou pedindo permissão para fazer isso da maneira que eu quero.

E ele havia conseguido. Com um abraço emocionado do padrinho e a benção que Caio sabia que teria que dar, desde o momento em que Giane deitou Miguel ao lado de Marcela, quando ela ainda era uma recém-nascida.

Definitivamente, ele sempre soube que havia perdido sua filhinha para aquele moleque.

_ Ma, quer dar uma volta na praia? – propôs para a garota, quando já haviam descarregado as malas e se acomodado na casa.

_ Claro que sim. – sorriu a morena, levantando depressa – Deixa eu só colocar meu biquíni, está bem?

Ela saiu correndo, e Miguel foi atrás da irmã, do tio e do primo. Já estava tudo combinado e decidido, então eles apenas pegaram o carro e sumiram rumo a cidade, já com a instrução que só voltassem a noite.

Se tudo corresse como Miguel esperava, era bom que ninguém estivesse na casa por algum tempo.

_ Cadê todo mundo? – perguntou Marcela, voltando já com o biquíni. Miguel engoliu em seco, observando como o corpo da jovem havia se desenvolvido de quando haviam se beijado pela primeira vez em um piscina.

_ Eles foram comprar comida, lá na cidade. – explicou o rapaz – Mas bom, vamos passear?

Assim que saíram da casa e pisaram na areia fofa, Marcela entrelaçou seus dedos e sorriu, daquela maneira que fazia o coração do jovem são-paulino disparar.

_ Vamos Miguel? – chamou Marcela, animada.

_ Hã… Melhor não. Aqui tá bom. – o menino sorriu amarelo, surpreendo a prima.

_ Você tá com medo? – perguntou a menina, e ele assentiu – Medo do que?

_ Dos monstros. – sussurrou Miguel – Eles podem pegar a gente.

_ Você não precisa ter medo.

_ E porque não?

_ Porque, se os monstros vierem em você, eu bato neles. – avisou Marcela – E se eles vierem em mim, você bate neles.

_ Mas eu tenho medo deles. – Miguel lembrou.

_ Quando quem a gente ama tá em perigo, a gente cria coragem. Que nem os heróis das histórias. – Marcela segurou a mão dele. O garoto sorriu para ela – Vamos?

_ Só se você for comigo.

Sentiu o corpo arrepiar com a lembrança, e Marcela percebeu isso, porque segurou mais a mão dele, sorrindo com carinho.

_ De novo com medo? – ela parou na beira da água, fazendo-o ficar de frente para ela.

_ Aterrorizado.

_ Achei que você na acreditava mais em monstros.

_ O problema não são eles.

_ E o que é?

_ Eu to morrendo de medo de dizer o que eu quero te dizer. – explicou o rapaz, vendo o cenho de Marcela se franzir.

_ É alguma coisa séria? – ele assentiu – Você não está doente, né?

_ O que é isso, Marcela? Pirou? – ele arregalou os olhos – Tá vendo muita novela mexicana?

_ Ah Miguel, você tá gelado, suando frio, tremendo que nem vara verde. – ela observou – Eu fiquei preocupada.

_ Eu te amo. – ele disse num ímpeto, vendo-a arregalar os olhos.

_ Por que você está dizendo que me ama?

_ Porque… Ora, porque eu te amo. – ele riu nervosamente.

_ Era isso que você tinha para dizer de tão importante? – ele assentiu – Mas Miguel, você já me disse isso um milhão de vezes ao longo da nossa vida.

_ Eu sei, e é o que torna tudo tão difícil. Eu te disse “eu te amo” um milhão de vezes, mas nunca sentindo o que eu sinto nesse momento. – ele explicou, segurando as duas mãos dela – Eu te amo como o Simba ama a Nala, como a Fera ama a Bela, como o príncipe ama a Cinderela. Eu te amo como meu pai ama a minha mãe, ou como o seu pai ama a sua mãe, se bobear até mais. – ele suspirou – E é tão difícil dizer isso, porque eu não sei se você me ama de volta.

_ Você o que? – Marcela guinchou.

_ Eu te amo e… – ela tapou a boca do rapaz com a mão.

_ Isso eu entendi. Eu só não entendi a parte que você não sabe se eu te amo de volta. Tá maluco, Miguel?

_ Mas…

_ Mas o que, hein? Quantas vezes eu já não disse que te amo?

_ Dizer não vale nada sem provar. – o tom dele era magoado.

_ E o que eu fiz para não ter te provado que te amo? – questionou a morena, segurando o rosto dele.

_ Ah Marcela, você sabe.

_ Não, não sei.

_ Há anos que nós estamos, mas não estamos juntos. Você fica com um monte de meninos; toda vez que eu tento assumir algo mais sério, me dá o maior toco.

_ Mas você também fica com outras garotas.

_ Claro né, vou ficar minha vida inteira sentado, esperando? Não dá também, você que me desculpe. – rebateu o garoto, começando a andar pela praia – Mas eu não te trouxe aqui para brigar.

_ Espera… Você armou essa viagem? – ele assentiu – Só para dizer que me ama?

_ Eu queria que fosse em um lugar importante. – garantiu Miguel – Aqui foi o primeiro lugar que eu percebi que eu te amava, naquele dia que eu estava com medo do mar. Você disse que a gente se amava, e isso fez todo o sentido do mundo. Eu nem sabia o que era amor, mas eu sabia que eu te amava e…

Mas ele não conseguiu terminar o que dizia, porque ela se atirou em seu pescoço, tascando um beijo em seus lábios, da mesma maneira que havia feito dentro da grade do parquinho, quando se beijaram pela primeira vez.

_ Isso quer dizer que…

_ Que eu te amo também, seu idiota. – rosnou Marcela – E se você não acredita, eu vou te mostrar.

_ Você vai… – ele não entendeu quando ela começou a puxá-lo pela praia, os dois praticamente correndo. Quando ele percebeu para onde iam, tentou parar – Marcela, o que você…

_ Cala a boca. – mandou a corintiana, parando em frente a Miguel – Se você duvida que eu te amo, eu vou te dar a maior prova de que é uma dúvida imbecil. Porque eu não teria me guardado todos esses anos para você, se eu não te amasse.

_ Vo-você se guardou para mim? – perguntou ele, e ela assentiu – Que bom, porque eu estava com medo que você risse de mim, por não saber o que fazer.

_ A gente vai aprender juntos. – garantiu a menina, dando a mão para ele, os dois caminhando com calma até a casa do avô – Você dispensou todo mundo, não é?

_ Eles estão na cidade até de noite. – prometeu Miguel, abrindo a porta.

_ Então nós temos tempo. – Marcela o puxou para junto de si, acariciando o rosto dele.

_ Todo o tempo do mundo. – ele a beijou, os dois se guiando lentamente na direção do quarto do rapaz.

_Seu filho beijou minha filha. DUAS VEZES.

_ Foi um beijinho, dido, de amigo. – sorriu Miguel, enquanto os adultos riam.

_ Só beijinho de amigo, papai. – Marcela abraçou o pai pelo pescoço, dando um beijo no rosto dele – Só você ganha beijo de amor.

_ Só o padrinho que ganha beijo de amor? – perguntou Miguel, algum tempo depois, quando estavam deitados um de frente para o outro. Marcela riu, sentindo o carinho dele em seu rosto.

_ Qual é, nós tínhamos quatro anos de idade. – lembrou ela, beijando a mão dele – Foi antes ainda de virmos para a praia.

_ Por que você me deu toco todos esses anos? – questionou o rapaz, o semblante ficando sério – Você não tinha certeza do que você sentia ou…

_ Claro que eu tinha certeza, amor, mas é complicado… – ela suspirou – Desde que nós nascemos, é praticamente uma lei que nós vamos nos casar. Eu só tinha medo de estar sentindo isso porque era o que eles diziam que eu devia sentir. Eu queria ter a certeza absoluta de que eu te amava por eu te amava, entende?

_ E para isso precisava ficar com tantos meninos? – perguntou ele, brincando com as mãos dela.

_ Tantos, não. Mas eu precisava viver, e você também, para nós dois termos certeza de que realmente queríamos isso. Foi isso que a minha mãe e sua falaram, quando eu conversei com elas. – Miguel arregalou os olhos.

_ Olha isso, dona Giane e dona Camila contra mim? Isso porque são minha mãe e minha madrinha, e juram que me amam e só querem meu bem. – ele dramatizou, fazendo a garota rir – E você tem certeza?

_ Qual é Miguel, você acha que eu teria perdido a minha virgindade com você se não tivesse? – ele sorriu ao ouvi-la dizer aquilo.

_ Eu sei que não. – ele deu um selinho nela – E eu to muito feliz que isso aconteceu.

_ Eu também. Sua irmã já estava me enchendo o saco por ainda ser virgem. – ele arregalou os olhos – Opa.

_ Não quero saber o que a Isabelle anda fazendo, por favor. – ela riu da careta dele – Só me importa o que minha namorada faz.

_ Hum, então eu sou sua namorada. – ela se aproximou mais dele, o abraçando apertado.

_ Se você quiser.

_ É óbvio que eu quero, meu são paulino.

_ Minha corintiana. – ele sorriu, beijando a ponta do nariz dela – E só para você saber, seu pai nos deu a benção para namorar.

_ Você tá falando sério? – ele assentiu – Mas, como? Porque, na boa, o sr. Caio Ferreti Cardoso é bem ciumento quando quer. E quando não quer também.

_ Eu só disse a verdade: que eu te amava e queria ficar com você. – explicou Miguel, brincando com os cabelos da namorada – Ele meio que está se conformando com isso há quase dezoito anos, então ficou mais fácil.

Marcela riu, enquanto apoiava a cabeça no peito dele, os dois ficando em silêncio. O som do mar na janela era harmonioso, e o brilho fraco do pôr do sol trazia calmaria. Antes que a garota percebesse, estava bocejando.

_ Está perfeito para uma soneca. – garantiu Miguel.

_ Você se importa? – ele negou – Então boa soneca, amor.

_ Boa soneca, princesa. – ela riu do apelido – Te amo. Só para você não esquecer.

_ Também te amo, seu maluco. E se você esquecer, eu digo de novo, até você decorar.

Ele sorriu, fechando os olhos e sentindo sua respiração se harmonizar com a dela, enquanto as palavras dela retumbavam como música nos ouvidos dele. 

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