Quero dormir com você essa noite, e na outra,  na próxima, e na seguinte. Vamos fazer nossa bagunça, não nos preocupar com o amanhã, ficar até altas horas na calçada conversando sobre tudo e não dizendo nada. Vamos deixar o resto de lado e seguir juntos daqui em diante. Seremos nós dois contra o mundo. Quero ser seu veneno, e a cura para o mesmo. Beber, caí na porta de casa e acordar com tatuagens que nem sequer lembramos de ter feito. Ficar abraçados desde o nascer ao pôr do sol. Amar sem questionarem nosso jeito torto e ilimitado de demonstrar. Deixe-me conhecer seus pais e pedir a eles sua mão. Quero ter filhos, e que eles tenham o meu sobrenome. Chegar cansado do trabalho e ver que bela esposa eu tenho. Construir nossa casa sob os custos do suor que vem sendo derramado com todas as dificuldades que enfrentamos. Assistir suas novelas na sala e debater os jogos de futebol todo primeiro domingo do mês. Ver os primeiros passos das crianças, acompanhar o desenvolvimento de cada uma, buscá-las na escola e recebê-las com um sorriso maravilhado de pais corujas. Ver os primeiros dentes de leite caírem, acompanhar as formaturas, levá-las nas festas, ver nossos pequenos e delicados filhos se casarem. Vamos envelhecer juntos, assistir nossos netos nascerem, mimá-los e dar carinho. Morrer de mãos dadas, até além da morte, pois o que é verdadeiro, nem uma passagem consegue destruir. Começaremos a transcrever essa possibilidade para certeza, e fazer dela nossa vida. Caio Castielle, efêmeras

Antes de dizer “sempre vou te amar” pare e pense se isso realmente vai acontecer. Sempre é pouco tempo, e acaba antes de começar. Não diga que seu coração será eternamente meu, pois eterno é um período demasiadamente extenso. Jamais chore ao meu lado, pois quando virar as costas para mim, saberei suas fraquezas. Você pode me dar flores, mas a partir do momento que mente, tece uma coroa com os espinhos da mesma. Não chegue na hora marcada, assim como as canções chegam atrasadas. Apareça de repente, sem nome ou sobrenome. Apenas esteja presente. Não exite em saber que seus segredos possam ser revelados e não core ao vivenciar seu maior medo. Não queira mais do que possa ter e, por último, não iluda-me além do que deve. Tatiany Graziele, efêmeras

-Tá vendo aquela moça ali na canoa no meio do lago? Ela já foi minha. E adivinha? Não dei o devido valor. Ela sempre me bajulava, e eu achava isso melação de mais pro meu gosto. Me dava longos sermões quando eu colocava os pés encima da mesa e dizia não suportar minha desorganização. Mas, quando eu saía da porta da casa dela, era como se não tivesse alguém para chamar de namorada. Eu ia beber com qualquer uma que passava de saia na rua e achava isso o máximo. Nunca contei nada a ela. Era um perfeito canalha.



-E o que aconteceu cara?



-Ela ficou sabendo de tudo, como era previsto. Mas não foi de minha boca, o que tornou a situação ainda pior. Numa noite de feriado, ela havia me ligado várias vezes e mandado SMS, e eu não atendi e nem respondi nada que viesse dela. Eu estava em uma inauguração de uma boate no centro da cidade, até que meu celular tocou e era ligação restrita. Atendi. Não houvia nada, devido a música. Então saí. Quando o barulho ficou para trás consegui ouvir quem estava chorando do outro lado da linha, e o nome dela veio na minha mente. E do nada, também escutei um tu tu tu… Fui embora, atormentado com aquilo. Nunca a tinha visto chorar e pela primeira vez, me senti mal. Tentei ligar de volta, e o celular dela estava desligado. Foi aí que tudo começou. Passaram-se dois dias e as amigas dela me avisaram que ela não queria mais me ver e estava tudo acabado. Eu não me conformei com isso, e fui procurá-la. Mas de nada adiantou.


-Você vacilou feio.


-Eu sei. Mesmo tarde, tenho consciência da burrada que cometi. Hoje dou valor ao lembrar de como eu lhe implicava, e como era linda nervosa. Ficava emburrada, me chamava de imbecil e fazia bico. Virava para um lado e me ignorava, até que voltava de repente e me beijava. Mas eu sei também que nunca mais vou ser capaz de chamá-la de minha novamente, e muito menos amar alguém como amei ela e não percebi. Caio Castielle, efêmeras

-Por que os icebergues existem?
-Pra você se espelhar.
-Como?
-Ser gélido.
-Pra que?
-Não sentir.
-Por que?
-Pra não sofrer.
-Sofrer de que?
-Você não vai querer saber.
—  s-ingular

Chega de café amargo, Toddynho quente, Ruflles velha e celular sem crédito. Sabe o que eu vou fazer hoje? Então me conta, porque não sei. Quero sair do padrão, aquela coisa chata e mórbida todos os dias já me cansou. Toda noite quando caio que nem uma pedra na cama e fixo a cabeça no lado gelado do travesseiro, paro pra pensar como as coisas são fora desse roteiro. Me pergunto se tudo é como imagino ser, ou não passa de pensamentos. Para descobrir, eu tenho que quebrar regras, e quebrar regras tem suas consequências. Não faça isso, não meche naquilo, não sai de perto de mim, não encosta nessa coisa, não faz aquilo, não faz aquilo outro, blá blá blá. Tudo é baseado na regra do não ou é impressão minha? Posso sair a noite com Fulana? -Não. E com Ciclana? -Não. Posso assistir um filme? -Não. Posso pelo menos comer? -Não. Ah, então tudo bem. Vou morrer. O que eu posso fazer? -Me obedecer. Seria mais fácil se tivesse dito “nada”, teria gastado menos saliva. É duro deixar de ter felicidade própria, pra ver os outros felizes. Todos tiveram sua época de fazerem o que bem entendiam. Agora chegou minha vez. Que venha os tolos, os fortes, os sábios, os persistentes no não. Irão me perguntar: você não tem medo de viver ? E vou responder “não" com rigor, para calar a boca de todos, pois a vida é curta, coisa e tal. Se não aproveitá-la, ela passa e tchau. Tatiany Graziele, efêmeras

06:08 da manhã, e por que diabos o despertador estava ligado? Era sábado caramba, sábado é dia de dormir até tarde. E por que aquela música de elevador tocava ali no apartamento? Acordei meio bambo, querendo dormir de novo. Gosto de remédio na boca. Que horrível aquilo era. Remédio pra que? Remédio pra dormir, aposto. Apartamento revirado, bebida por todo o chão. Passou um furacão aqui e não fiquei sabendo, essa era a teoria principal. O computador ficou ligado a noite inteira pelo visto. E por que eu estava dormindo na sala? Minha mãe veio pra cá e ninguém me avisou, só podia. Mas não era isso. Havia alguém em minha cama. Alguém que eu nunca vi antes. Era ela e não ele. Então provavelmente rolou algo na noite passada. Ou não? Aquela individua era tão…linda. Nenhuma mulher havia deitado em minha cama antes. Será que ela me dopou? Não, não pode. Não me lembro de nada. Melhor eu arrumar esse lugar antes que a desconhecida donzela acorde e pense que sou um ogro. Não quero ter uma cena de Shrek logo no início do ano. Hora do almoço e ela acordou. Cumprimentei-a meio sem jeito e ela disse meu nome. Ela me conhece? Como? De onde? Era uma desconhecida em minha casa que sabe meu nome. Fiz minha especialidade pra refeição principal do dia: macarronada com queijo e batatas fritas. Era estranho a ideia de que eu teria companhia para aquele almoço. Então começamos a conversar. Papo vai, papo vem. Perguntei seu nome. Era Anna. Soava tão bem como se estivesse citando uma rima do meu xará Caio Abreu. Hã, mas, assim, é…como, melhor, por que você estava dormindo na minha cama, Anna? -perguntei sem jeito. Nunca fui bem em conversar com mulheres, principalmente com mulheres bonitas. Ela respondeu que veio de Devon a procura de emprego, e não tinha aonde ficar. Então eu ofereci que dormisse em minha casa. Eu disse isso? Sério mesmo? Droga. Anna também disse que ficaria ali por pouco tempo, só até encontrar um a.p barato pra alugar. Contou que ontem a noite eu tomei alguns remédios pra dormir pensando que era pra dor de cabeça, derramei água em toda a cozinha e falei que ela podia descansar em meu quarto. Minha memória realmente não estava nada boa. Ficamos horas conversando sobre tudo, e não dizendo nada. Contei-lhe meus medos, sonhos, metas e desejos, mas pouco sabia a respeito dela. Agora ela não era mais uma desconhecida. Tinha nome, e era Anna. Vinha de Devon e era de uma beleza única. Quem diria que futuramente a estranha teria um sobrenome tão familiar como Castielle. Quem diria que ela seria capaz de transformar um solitário em um amante do amor. Caio Castielle, s-ingular

Mensagem enviada às 05:12 do sábado. 

Cheguei em casa agora, estava no bar e o gosto de bebida ainda permanece em minha boca. Já tomei aspirina e alguns goles de café. Minha cabeça dói e confesso que não lembro de quase nada do que fiz na noite passada. Mas de uma coisa eu sei. Eu te vi. Sei disso porque quando te avistei de longe, subi correndo pro palco e peguei o microfone. Comecei a cantar a música que compus pra você e nunca tive coragem de mostrar. Reconheceu minha voz. Tenho certeza. Vi quando parou no meio da pista, olhou pro chão e saiu andando cabisbaixo. Continuei a música e acompanhei seus passos com os olhos até que saísse pela porta principal. Senti os olhos molhados e uma lágrima a deslizar. Eu realmente achei que você pararia e olhasse pra onde vinha a música. Queria que me visse, reparasse o tanto que cresci, e como mudei. Queria que ainda sentisse o mesmo que eu sinto por você.

Resposta recebida as 15 horas do mesmo dia.

Acordei agora, por isso a demora pra te dar a resposta da mensagem. A vontade de dormir é maior que tudo. Ontem eu ti vi sim no bar, e como você estava linda. Fiquei com uma vontade enorme de ir falar contigo, mas me contive. Por que? Não sei, talvez medo. Ouvi sua música do começo ao fim. Sim. Eu saí, eu sei. Saí porque estava chorando e não queria que me visse assim. Quando escutei sua voz, a mais doce melodia, isso de algum modo mexeu comigo. As lembranças vieram a tona e eu simplesmente deixei me levar pela saudade. Daí foi demais pra mim. Sou forte, mas nem tanto. Se lembra de quando cortei a cabeça e achei que nunca sentiria tamanha dor novamente? Então me explica o que ta acontecendo comigo agora. 

Ligação às 13:01 de domingo

-Ah, oi. Recebeu minha resposta? Ta aí ? Me responde.

-O…oi. Oi. Hm, recebi sim. 

-Como vão as coisas? Fiquei preocupado quando não me respondeu novamente.

-Estão só indo, nada de demais. Eu não sabia o que dizer, sinto muito. Não era minha intenção.

-Por que está assim?

-Assim como?

-Parece nervosa, preocupada talvez.

-Não esperava uma ligação sua. 

-Se desligar agora eu vou entender.

-Não, não posso. Tenho que falar uma coisa antes.

-Diga, também preciso.

-Fale você primeiro.

-Será que pode cantar a música de novo?

-(Risos) Eu te amo. 

Tatiany Graziele, efêmeras

Vire a direita. Siga enfrente. Cuidado com a curva. Pare. Siga. Vire a esquerda. Perímetro urbano. Reduza a velocidade. Fora de rota. Por favor retorne à estrada. - As vezes o que eu preciso é sair sem GPS. Seguir meus instintos, minhas vontades. Encarar o que o destino reserva para mim. As vezes o certo seria ser incerto, um fora da lei. Sem bagagem ou preocupação. Apenas a roupa do corpo e as chaves do carro em mãos. Parar num encostamento e sair andando até os pés pedirem descanso. Esquecer que tem vida, registrando cada momento na memória, nada mais. Ignorar o cotidiano, e numa noite, apenas numa noite qualquer, poder olhar para a lua e não me arrepender de ter saido do maldito padrão. Tatiany Graziele, s-ingular 

-O que você teme?
-Que você me esqueça.
-Isso não vai acontecer.
-Os outros também disseram isso.
-E onde eles estão?
-Não sabem meu nome mais.
—  s-ingular

-Em 1955, quando eu tinha por volta de 15 anos, era conhecido por todos da redondeza pelo fato de que jogava no time de futebol da escola. Era respeitado e querido por quem estava a minha volta. Era mulherengo, mas na minha época, essa expressão não existia. Me chamavam de “brotinho” mesmo. Morava com minha mãe, ela era enfermeira. Meu pai morreu em uma revolta local quando eu tinha 3 anos de idade. Não gostava de ficar sozinho em casa depois que minha mãe ia pro hospital a noite, e por esse motivo, frequentava festas todo final de semana. Foi numa dessas ocasiões que minha vida mudou completamente o rumo. Estava tendo uma “reunião” de amigos na casa do Fred, e eu não poderia faltar. Tinha mais gente do que eu esperava. Muitos já estavam bêbados e tinham alguns do lado de fora ingerindo drogas. É impressionante que como certas coisas nunca mudam. Eu fui entrando pela casa, cumprimentando todos, até atravessar o jardim interno e sentar na discoteca. Lá haviam vários casais dançando músicas típicas da época, outros conversando e consumindo os quitutes. Porém uma figura prendera minha atenção. Nunca tinha visto imagem tão bela e encantadora como aquela que eu fitava os olhos. Me aproximei da menina e ela rejeitou-me. Disse que eu não podia ser visto conversando com tal, porque era apenas mais uma na sociedade, e eu era o incrível e majestoso jogador que todos conheciam. Não me importei. Insisti até que aceitasse minha companhia. Descobri que estudava no mesmo colégio que eu, mas não quis dizer nem ao menos seu nome. O relógio da igreja soou, anunciado que já estava tarde de mais e minha mãe provavelmente estaria para chegar em casa. Me despedi e fui ao encontro dela no hospital. Mas minha mãe não estava lá. A preocupação me invadiu. Corri para casa, o mais rápido que pude. A porta estava aberta e uma estaca da escada rangia mais que o normal. Minha mãe estava com os cabelos eriçados, punhos cerrados e jogada no chão com uma mancha de sangue ao seu redor. Sim, morta. Sem para onde ir, vaguei noite a dentro procurando explicação para aquilo. Procurei respostas pras perguntas mais cabulosas que me perseguiam. Os dias passaram, as aulas eu faltei. […] Tive que retomar minha vida, mesmo sem forças. Todo o colégio já sabia do acontecimento, e muitos vieram prestar pêsames. Fiquei durante alguns horários pensativo no pátio, apenas apreciando o aroma das árvores. Até que a mesma menina da festa sentou ao meu lado e me ofereceu seu ombro. Não me segurei. Chorei. Deixei escapar tudo aquilo que me incomodava. Ela me contou seu nome, o que pretendia fazer, suas metas para aquele ano, seus sonhos. Tudo. O sinal bateu. As turmas se reuniram para o lanche. Ouvi piadinhas a respeito dela, zombavam e caçoavam-na. Então entendi o motivo de tanta preocupação com meu status social. Ela era a rejeitada entre todos. As semanas se passaram, nosso contato se tonou maior. Sai do time de futebol, fui sendo esquecido no tempo. A cada dia que o sol brilhava, eu me apaixonada por aquela menina. Amava tudo nela, desde seus olhos, até o movimento que seu cabelo fazia quando ria. Namoramos. Ela não era mais a rejeitada, e sim a namorada do esquecido. Éramos um casal exemplar. Ficamos juntos por anos. Em 1958, quando eu tinha 18 anos, ela terminou comigo. Disse que nunca daríamos certo porque éramos diferentes de mais. Ela foi embora. Sumiu por alguns dias. Na época eu tinha um Opala amarelo, meio encardido. Eu prometi a ela que nunca a abandonaria, e cumpri com minha palavra. Peguei meu carro e fui em busca do meu amor. Já não estava mais ali. Havia mudado de cidade. Não me exitei. Dirigi por mais de 698km até chegar ao meu destino. A encontrei em uma barraca de flores, comprando algumas margaridas e um jarro. Chamei-a pelo nome.

-O que aconteceu ?

-Eu suspirei fundo, corri pra perto dela, vi o brilho em seus olhos. Ajoelhei-me, e gritei para que toda feira me ouvisse "Eu te amo, quer casar comigo?" Ela aceitou. Noivamos por alguns anos, nos casamos. Construímos nossa casa, formamos uma família, registramos nossos filhos. Arranjamos um bom emprego e começamos nossa vida como marido e mulher. 

-Mesmo com 72 anos o senhor nunca esquece nenhum detalhe, não é mesmo? Quem é essa mulher da história que nunca me disse vovô?

-A mesma que está vindo em nossa direção com um tabuleiro de biscoitos, um sorriso largo, cabelos grisalhos e ao vento. A mesma mulher que você chama de “avó”. Tatiany Graziele, efêmeras

Você pediu pra que eu sussurrasse no seu ouvido “eu te amo”. Mas não consigo sussurrar. Meu sussurro é agudo, depois tem notas grossas. Não ficaria nada romântico. Então eu gritei alto, para que todos me ouvissem e provar o quanto eu realmente te amo.
—  efêmeras

Talvez eu realmente não faça falta, ou talvez sou eu que gosto de ser esquecida. Quem sabe sou ingênua, ou quem sabe prefiro o conforto da mentira. Quem dera poder não pertencer a ninguém, nem a mim mesma. Ou até mesmo ter a mente vazia. Quem dera, eu repito. Conseguir tapar o sol com uma moeda de um centavo, ou guardar o mar num pote de um milímetro. Ter a espessura de uma pena, mas com o peso de uma onda. Dê-me um gole de chumbo, pra vê se escorre para os pés e fixa-os no chão. Meu interior é como escama de peixe, de um branco ecoando azuis profundo. De um lado tem espinhos que pedem que eu ame, a outra suplica que eu deixe. Se eu parto, parto sem vida. Se fico, morro de dor. Parece mentira, mas é verdade patente. A gente nunca esquece de quem esquece da gente. Tatiany Graziele, efêmeras

Era uma vez, uma garotinha que queria gritar. Mas não conseguia, sentia medo. Então ela cresceu e tornou-se mulher. Amargurada e fria, mas viva. Era invisível, e cansou de não ser notada. Não era como se ela fosse de fato invisível, mas todos acostumaram-se a não enxergá-la. Os anos passaram, levando consigo todas as histórias que ainda tinha para contar. Era vazia. Vazia de tudo, principalmente de motivações e objetivos. Até que um dia, já não aguentando mais ser esquecida pelos demais, ela morreu. Morreu por dentro, e ninguém apareceu para o funeral. Estava só, como sempre. Não queria chorar, pois sabia que já não existiam mais lágrimas dentro de si. Então ela levantou do chão e pôs-se a andar. Vagava noite a dentro, sem destino algum. Somente ela e a escuridão. A única capaz de engolir toda tristeza que era transmitida, mesmo seus olhos não tendo mais vida. Tatiany Graziele, efêmeras

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