meus4ever

Eu tentei, eu tentei de verdade. Tentei ignorar o que as pessoas falam por ai, ou como elas agem. Tentei ajuda-las, tentei presenteá-las com uma visão diferente, mais alucinante. Tentei não me ferir muito com o fluxo de palavras que são ditas todos os dias, ou com as intenções doentias que nos cercam. Tentei me mudar para ser aquilo o que as pessoas esperavam de mim ou só queriam que eu fosse, e tomei o que elas chamavam de norte como meu certo. Pois é, cometi meus erros. Tentei, e custo admitir que ainda tento agradar a todo mundo, estar ali sendo útil, servindo para alguma coisa benéfica, mas no final é a mesma coisa. A mesma gaiola que eu conheço a muito, o mesmo palco surrado onde ja se passaram inumeras peças.

-M. Castro

É muita hipocrisia, muito perfeitinho. Os contos e fada. É uma dor, uma controversa. Todo mundo te faz acreditar em finais felizes, iguais aos desenhos das Disney. Mas é tudo tão frio, tão singelo, sem sal. No real, é amargo, te deixam tão insensível, acostumados com a dor… E não é de longe parecido com as historinhas. As pessoas deviam parar de iludir as criancinhas, fazendo-as acreditar em um mundo rosa. Porque das duas umas, ou ela se torna mais uma criancinha fútil por aí, ou ela cai numa desilusão grande demais para suportar e mesmo assim ela aguenta, ficando mais amarga e idiota, pensando que pode mudar alguma coisa, pensando que pode ser forte o suficiente para amar e ir alimentando suas esperanças, seus sonhos, de que um dia ela irá fazer diferença nessa multidão. Mas o mundo não se divide entre pessoas fúteis e burras e as amargas e tolas, somente.

Quer saber mesmo?! Eu até tenho inveja dessas pessoas metidas que vivem com medo de suas unhas quebrarem, ou que a internet acabe. Porque sei que viver assim é fácil, fácil não se preocupar com mais ninguém ao seu redor, se eles estão morrendo, ou precisando de alguma coisa, qualquer coisa que seja, ou se tem mais um cãozinho sendo morto por algum FDP por ai. Porque viver em um mundo rosa purpurizado é quase tudo para vocês. Não importa se seu pai chegou em casa e brigou com a sua mãe, ou se ele está saindo com mais de dez mulheres por noite, desde que você tenha uma roupa nova. Certo, agora sim, exagero da minha parte… E sabe, eu não trocaria nada em mim para ser assim, por mais fácil e medíocre que seja. Eu prefiro ser aquela tola e otária que pensa o dia todo em como mudar alguma coisa… Ou até mesmo só sentindo []                                                                                                             (Inacabado)  

“Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.
Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocado. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, pode-se passar anos.
Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livro"
—  Clarice Lispector