literatura

Não entendo o desdenhar da boemia à aristocracia.
Afinal, a boemia és a criança mimada a maldizer o que for contrário a sua ordem.
Ovelha negra escorrida do ventre da submissão da realeza.
A guerra está para a decair-se para as exigências de uma pseudo-paz, informantes beijam contrabandistas e pregam rivalidade aos tristonhos olhos castanhos,
Retira-te a sinfonia a trintona do coral e dê espaços para os levantamentos investigativos do jornal local.
Teus galhos arranharam-me e tua cabeleira teceu-me o novo desejo: Ser-lhe todo amor, arborizei-me a face e lhe instiguei por uma nova verdade. Mas não preocupe-se tanto, são restos de alguma vaidade de pouca bagagem.
Traça-me o contorno em nudez áspera.
Marque-se como o renascimento da melhor promessa de marquesa, debruça-se nos olhos pintados, a áurea do mistério lhe caiu perfeitamente bem.
Enfeitiça-me com tua infantaria, renda-me como alvo favorito de teu fuzil, oferta-me a fantasia do patriotismo e digas que sou o mais novo salvador.
Mata-me com teu escárnio, assassina com tua frase de ordem, condena-me a mediocridade de lhe amar enquanto minhas veias não estão a cicatrizar.
Que vossos pés lhe sirvam com maestria, porque o inferno lhe tens como destino.
E não engana-se, não és o inferno cristalino do cristianismo e muito menos uma solidão eterna que és pregada por ateus, és muito pior, porque refere-se a singularidade de cada indivíduo…
Outrora, o tiro de festim fazia-lhe amargurar um bom próximo ano, outrora o a aurora boreal lhe fazia desejar a empatia de um amar qualquer.
Cada vocação ao teu puro destilar, o romance está a ludibriar-se para qualquer típico sintoma de euforia.
O preto sobretudo esconde-lhe da misericórdia do mundo, mata-te a todos que forem contrário a vossa expectativa realista.
Aplaudam uns aos outros em troca do abastecimento diário do ego traiçoeiro, entristeça-se e saibas que o céu não és o teu lugar, mas enxugue as lágrimas, sempre existirá o céu da boca de alguém a lhe esparramar.
Prepare-se para encarar de frente o temível inferno, Senhor Pecador…
Sob alvejante e sofisticadas luvas brancas tentes adivinhar quem estás a manipular-me, compostura a tua costura disfarçada de reputação, suture-se com um maçarico e tranque-te os ouvidos para a cidade.
O bumbo assemelha-se as batidas firmes de meu peito, o evangelho seguinte lhe trancafiou por uma causa honesta, resuma-me tua filosofia sem o absinto para lhe guiar ao paraíso.
Fragmenta-me em tua memória como um doce sabor órfão de nome, se em algum minuto amou-me, deixai-me livre para decidir o que serei a partir de um distante amanhã.
Os caninos arranham línguas despretensiosas, destila-me todo o teu sofrer e veja-se refletida em minha pálida pele, tolera-me somente pelo prazer de lhe pertencer. A cada segundo do assobio do pescoço imóvel uma conspiração és montada como origami aos analistas…
Confessa-me tua aposta e lhe direi a quem irás entrelaçar-se, tolera-te o impostor, afinal ele és tão criativo e frívolo como você.
Teu pecado original puxou-me para teus lábios banhados a tinta vermelha e a tinta de meus garranchos arrastou-lhe para a infame e maldita poesia, mas não te preocupes, logo irei para junto de ti, porque poetas malditos não são mais necessários, não precisamos mais de heróis para nos proteger.
Se juntar-me todos os pedaços dos desamores que colecionei, ser-me-ei o mais amado de todos os seres…
—  O Sangue Ruim Não Se Faz Necessário, Pierrot Ruivo
Um Pouco Eu

Um pouco diferente
um pouco complicado
se preciso, até cruel
mas sempre bem acompanhado

Um pouco expressivo
muito exagerado
Um pouco dominante
facilmente entediado

Aberto a amizades
fechado ao amor
Aberto a aventuras
fechado para a dor

Louco pela vida
coberto de indecisão
Esperando sempre a morte
vir calar o coração

Um pouco diferente
um pouco complicado
Talvez até ausente
mas sempre a seu lado

@ErikBlues, 18.03.2010

Nunca lo tendré de nuevo –todo aquello que tan pronto perdí…
Los poéticos ojos, el pálido
rostro…en la penumbra de la calle…
Nunca tendré de nuevo –lo que la muerte me ofreció,
lo que tan fácilmente abandoné;
y que más tarde tanto desearía hasta sufrir.
Los poéticos ojos, el pálido rostro,
nunca hallaré de nuevo aquellos labios.

Konstantino Kavafis (Días de 1903)

1. Te odio porque a todas horas pienso en ti y tú ni siquiera me recuerdas.
2. Te odio porque no puedo olvidarte y tú no demuestras amarme.
3. Te odio porque mi alma se ha quedado vacía de tanto amarte.
4. Te odio porque te miro y aún me sonrojo.
5. Te odio porque vive en mí un deseo que tú no sientes.
6. Te odio porque todo mi amor es sólo indiferencia para ti.
7. Te odio porque ni una lágrima te mereces y por ti las he llorado todas.
8. Te odio porque mi locura por ti se queda en amargura.
9. Te odio porque para mí fuiste todo y para ti yo no fui nada.
10. Te odio sobre todo porque, aunque lo desearía, ni odiarte un poco puedo.