Frank Bretschneider
Kippschwingungen

(Line)

For his new release on LINE, Frank Bretschneider presents an album of compositions sourced from the Subharchord, an obscure “electronic instrument developed during the 1960’s at the RFZ, the technical center for radio and television of the East German postal service.” These sounds, augmented by material culled from Clavia Micro Modular synthesizer, were arranged into the eight part composition “Kippschwingungen.” Austere and alien, Bretschneider’s compositions are uncompromising in execution. Pulsing white noise and click rhythms abound here, evolving slowly over time but ultimately resulting in a type of sonic stasis. By “Part 7,” things open up a bit more, with Bretschneider allowing his oscillators to finally breathe. Formally immaculate and unyielding in focus, “Kippschwingungen” fits perfectly with LINE’s body of work. - Alex Cobb, Experimedia

Frank Bretschneider - Kippschwingungen

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O maior desafio para um artista como Frank Bretschneider é conseguir surpreender. Não será nunca uma obrigação, a sua música tem interesse suficiente para continuar a ser repetida sem grandes inovações mas a surpresa é algo que, em alguém com um passado tão relevante, permite acreditar que vale a pena ouvir o que vai aparecendo de novo. E a surpresa aqui divide-se em dois caminhos: surpreender quem o conhece e sabe bem qual o seu universo e surpreender quem não o conhece e que, confrontado com uma categoria musical tão fechada, terá a estranha experiência de ouvir estes sons pela primeira vez. Bretschneider  é um daqueles casos onde as comparações que se possam fazer remetem quase sempre, caso se queira, para a sua própria discografia: ele estava lá desde o início, foi ele que ajudou a modelar a ideia de clicks and cuts, tão radicais quando nasceram, tão banais nos dias de hoje. E acaba por ser este sentimento que surge de imediato após mais um anúncio de novo álbum de um dos fundadores do movimento: será um álbum diferente dos outros? Um género que pelas suas limitações inevitáveis (afirmação ousada) se confronta constantemente por uma repetição crónica tem sérias dificuldades em refrescar-se.

Perceba-se o contexto de Kippschwingungen: são 8 faixas criadas a partir de um Subharchord, um instrumento musical dos anos 60. Sabe-se que apenas foram feitas 8 máquinas destas e que hoje deverão haver ainda 3. Bretschneider foi convidado a desenvolver peças sonoras trabalhando directamente com um desses exemplares e toda esta situação permitiu fazer de Kippschwingungen um álbum bem diferente daquilo que se poderia esperar, as sonoridades clicks and cuts estão bem longe e dirigimo-nos para caminhos hipnotizantes e de intensidades progressivas. Bretschneider  tem aqui mais uma obra sólida e dinâmica e com um tratamento do áudio que está no ponto certo, é um exemplo para qualquer curioso do purismo sonoro, técnica imaculada, som imaculado. A verdade é que Kippschwingungen afasta-se positivamente dos esquemas rítmicos mais típicos e tão familiares em outros trabalhos do alemão. A música aqui é de fácil absorção, é música simples, de construção lenta e de força envolvente. E o resultado é um conjunto de faixas que podiam bem ser só uma. Os drones picotados que vão sendo esculpidos aparecem e desaparecem em formas onduladas, a fluidez sonora é total do início ao fim.

A pergunta que pode ser feita antes de se explorar Kippschwingungen é simples: haverá aqui material relevante e interessante ou será novamente um trabalho focado nos fãs dedicados e fiéis à fórmula clássica? Após uma simples audição do álbum a resposta parece ainda mais simples do que a pergunta: sim há surpresa, há novidade, há ideias e sons frescos. Uma imersão completa, uma experiência para ouvir em loop.

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