Querido Alguém,
Às vezes me assusto com o tempo. Com sua velocidade e a agilidade que os fatos acontecem. É impressionante como os anos voam e as horas tendem a se arrastar. É engraçado como algumas lembranças parecem tão próximas, mesmo tão distantes. É isso que assusta, o quanto o passado consegue correr contra o tempo, ou mais rápido que ele, e nos alcançar no presente. É bonito olhar para erros e acertos que nos trazem para onde estamos. Você foi meu erro que me levou mais longe. Uma prova de que você foi um dos meus únicos acertos camuflado de erro. Às vezes queria começar de novo, mas sei que seria impossível esquecer o que passou. Todavia, o passado está no passado por um motivo. Talvez uma frustrada tentativa de nos dizer “siga, não olhe para mim, fiquei antissocial”. O passado, de um jeito ou de outro, corre para nos assombrar, nos lembrar de quem fomos, somos ou no transformamos. De alguma forma eu sei que o passado tenta criar uma ponte entre nossos erros e o conserto para eles. Se você foi meu erro, foi um erro bem errado para persistir tanto nesse conserto. Sinto às vezes saudades sua, Alguém. Por mais que não te nomeie, sei o nome de todos que caberiam certinho no lugar desse “Alguém”. Perdemos chances, não suprimos vontades. Digo, às vezes, que fui empurrando algumas coisas com a barriga. Que força que tive! O passado vinha sobre mim e eu fingia assoviar e cantarolar, sabe, aquela coisa bem besta pra tentar não ouvir o que se tem a dizer. Mas sempre ouvia! Não gosto de perder histórias. Essa passado tão “antissocial” insistia tanto em mim. E em você, Alguém. Lembranças, esse passado só me falava de lembranças e memórias. Não sabia o que ele queria! Parecia querer fazer com que eu sofresse. Por isso, depois de tanto assistir a filminhos da minha vida antes de dormir, ou até mesmo em meus sonhos, passei a desligar a minha mente para o tal passado. O passado queria me chamar, mas eu tentei enterrá-lo na maior profundeza do meu corpo: meu coração. Aquele maldito órgão que bate feito trouxa por Alguém. Que vibra e canta por um Alguém. Mas que é orgulhoso. Não! Não! Ele não sabe ser orgulhoso. Só chora e lamenta-se, ama e luta freneticamente. A mente acalma-o. A mente controla o corpo, por mais que a mente dependa do coração. A mente é calculista. Tantos cálculos matemáticos e físicos dentro dela que ela não tem tempo para guardar passado, guardar lembranças, guardar amores. AH! Que amores. A mente é orgulhosa e intelectual de mais para isso. Ela protege esse coração sensível. A mente diz para esse coração calar a boca quando vem com seus sentimentos em versos. Mas o corpo segue vazio. Quando a mente domina, tudo parece um buraco enorme de escuridão. Tudo perde o sentido. Perde as cores. Os olhos vêem preto e branco e os sorrisos saem como “bons dias” em péssimos dias. Um dia, porém, sem aviso, sem demora, o passado consegue escapar das profundezas do coração e vem à tona. Devolve a cor aos olhos e o brilho aos sorrisos. Enche aquele buraco de borboletas. Esse passado, Alguém, por mais que me doa vê-lo, é o que me faz amar. É o que me traz esperanças todo dia. É aquele com tom ilusório, mas que dá um friozinho na barriga só de saber que a vida não pode ser calculada, não pode ser prevista ou analisada. Esse passado traz consigo memórias de uma época boa e a esperança de uma época melhor. O tempo pode ter passado Alguém, coisas podem ter ido e vindo. Eu posso ter mudado, você também. Mas uma coisa que não nego, é que suas lembranças, nossas lembranças, Alguém, nunca serão esquecidas, mesmo que, por um tempo, abafadas dentro de um coração urgente, e ignoradas por uma mente, o passado sempre da um jeito de voltar até nós. Agora não sei do que estou mesmo falando! Estou dizendo mesmo do passado ou estou falando do amor? Ah, Alguém! Algum dia, espero descobrir. Juntos, eu digo. Se o passado está tão certo, acho que é isso que ele tanto sussurra em meus ouvidos: que ele não quer ser só passado, está tentando virar presente - e futuro!
—  Obrigada por ser minha melhor lembrança, obrigada por não me deixar na escuridão. (Ana Aires)
Querido Alguém,
Te escrevo, mais uma vez, depois do amplo sucesso da carta anterior. Aquela que nunca será respondida e provavelmente nunca será lida, apesar de muito apreciada por pessoas que não sabem de tal história, de nossa história, ou qualquer coisa que você queira chamar esse monte de palavras e ações nunca totalmente completas. Não sei se as palavras que pronunciarei nesta carta, dessa vez, serão tão positivas ou animadoras como na outra. Talvez não serão nem tão poéticas, por conta de uma alma amargurada e sem esperanças. Mas não sei o que tem sido positivo ou animador para você. Eu nem ao menos te conheço nos dias que tem se seguido. Quero que me perdoe, de alguma forma, por dizer tudo que direi à seguir e que saiba que, apesar de tudo, eu te amo. E isso nunca - nunca! - vai mudar. Uma vez amor, sempre amor. Já não sinto sua falta. Não do jeito que se imagina. Não sinto a ânsia de estar ao seu lado, de sentir sua boca na minha, de visualizar seus olhos castanhos brilhando para os meus. Nem fico imaginando o que farei se te ver. Provavelmente ignore. É o que eu prefiro de todas as opções que me apresentam, por mais que algumas vezes, minha mão acene enquanto eu me pergunto o que há de errado comigo. Dizem as pessoas que essa história já teve um ponto final e eu só estou escrevendo as apêndices tentando não terminar o livro. Quem sabe. Gosto de pensar que você sempre vai estar aqui. E isso me faz bem, porque quando sinto que ninguém nunca vai me amar, sei que você já amou, há de haver alguém louco suficiente por ai ainda. E isso já basta. Há quem prefira beijos e contatos físicos. Eu só quero alguma coisa para me apoiar, alguém para escrever sobre, escrever para. Por mais que você, você que está aqui na minha mente, não seja realmente esse cara idealizado do qual eu escrevo, você é em quem eu penso. E isso já me satisfaz. E eu sei que você nunca me abandonaria se eu precisasse realmente de você. Mas eu não preciso, e você sabe disso. Assim como eu, hoje, sei que você sabe andar com as próprias pernas e não vai sentir falta de mim e nem das minhas palavras confusas no seu aniversário, se eu, ops, “por acaso”, esquecer de mandar aquela eventual sms nos últimos minutos do seu dia. Eu sei que você não vai ligar quando eu estiver beijando outro garoto, ou escrevendo para outro que, por ventura, esteja mais perto. Eu sei que você não vai ligar quando eu não me importar com quem você tem andando ou como você tem andado. Porque você já não liga. Mas eu ligo. Ligo porque por mais que eu queira beijar outros, escrever para outros, esses outros não são você. Minhas palavras nunca seriam tão boas o suficiente, nunca seriam tão verdadeiras, porque o amor não pode ser explicado pelas pessoas que você beija. Talvez não seja explicado pelas pessoas que você sente saudade também. Mas o amor é explicado pelo que você está disposto a abrir mão para tê-lo, não importa o quanto seja duro, pareça injusto ou doa. E eu abro mão da ânsia de estar ao seu lado, de sentir sua boca na minha, de visualizar seus olhos castanhos brilhando para os meus. Porque eu sei que eu te amo e quero que você seja muito feliz, assim como eu sou, só de saber que posso fazer algo para alguém que me fez e me faz tanto, mesmo sem dizer uma só palavra. E não sei para meus interlocutores, mas isso pra mim já é o suficiente, porque essa é a melhor sensação: de saber que estou livre para o que quiser, mas que sempre, sempre estarei com você, até o fim do nosso tempo. Porque, no final das contas, nunca daríamos certo, de verdade, apesar de todo esse amor.
—  Com todo o amor que alguém poderia colocar num pedaço de papel, Ana Aires. (Querido Alguém - pt.1)
  • Ela:Ei, preciso falar com você.
  • Ele:Seja breve.
  • Ela:Não aguento mais guardar tudo isso aqui para mim.
  • Ele:E por que eu iria querer saber?
  • Ela (ignora e continua):Eu te amo.
  • Ele (ironizando):Já tantas me disseram isso. Algumas delas dançam em bares por esses dias. Não me parece muito diferente de você...
  • Ela:E o que aconteceu com o "Você é diferente" que você sempre me dizia?
  • Ele:Você ERA diferente.
  • Ela:...
  • Ele:Me dê um motivo pra eu acreditar dessa vez? Da última você me disse a mesma coisa, e você acabou comigo na semana seguinte.
  • Ela:Eu... Eu nunca quis te magoar. Mas você corria enquanto eu caminhava. E eu não consegui te acompanhar. Andávamos em uma linha frágil, de mundos diferentes, de pensamentos inversos. Você se animou de mais e isso me apavorou. E eu tive que fugir. Doeu em mim, doeu. Não pareceu não é? Mas doía te afastar, doía não poder olhar nos seus olhos com ternura, não poder pedir desculpa ao mesmo tempo em que fazia o que mais me machucava... E te machucava. Por noites não pude dormir sabendo que você me traria flores e eu as tacaria no lixo na sua frente, que me esconderia de você enquanto o que eu mais queria era o seu abraço, que veria seus olhos de longe, e eles estariam tristes, mas eu não poderia me aproximar para arrancar a tristeza deles.
  • Ele:Eu não entendo... Não entendo como pôde. Se me amava tanto assim, por que...?
  • Ela:Você não compreende, nem eu mesma compreendo atualmente, mas naquele momento era o que mais fazia sentido.
  • Ele:...
  • Ela (suspira, depois de longa pausa):Só estou aqui para pedir desculpas. Eu sinto muito mesmo por todas as noites que te deixei em claro. Pode ter certeza que, não dormi o dobro de noites que você, desde que eu estraguei tudo e em todas às vezes que tentava achar um jeito de consertar. E eu precisava... Precisava te dizer que apesar de tudo, apesar de todo o tempo que passou, apesar dos dias em que nem mesmo olhávamos na cara um do outro, apesar do que disse e fiz, apesar de tudo isso: eu nunca deixei de te amar e nunca ao menos consegui te tirar da minha mente.
  • Ele (pensativo):...
  • Ela:Bom, disse o que precisava agora talvez consiga seguir em frente, sabendo que eu tentei
  • Ela (se afasta, indo embora):A gente se vê.
  • Ele:Ei.
  • Ela (virando-se para ele):O que?
  • Ele:Que tal cinema? Amanhã, 8h. Eu te pego.
  • Ela sorri, apenas sorri e assente.
Tantas malas esqueci nos aeroportos, enquanto seguia em frente, cheia de fotos nossas, de relatos sobre você. Algumas delas devem estar perdidas por ai, no achados e perdidos esperando ser resgatada. Outras, talvez você mesmo encontrou. Deixei por ai tantas malas de lembranças nossas. Tantas coisas que pareciam pesdas (ou seria passadas?) de mais para embarcarem comigo e voar pra longe… Não podia te esperar pra sempre. Não conseguia mais carregar tantas malas por ai. Tanto amor já amargurado. Cruzei muitas vezes com essas malas por ai, na esteira do aeroporto. Eu pensava em pega-las de volta… Elas sempre vinham até mim. Sempre chegavam a meu destino final. Mas a deixava lá, rodando, vezes e vezes, até ser tirada e levada para o achados e perdidos. Lembranças achadas e perdidas… Hoje, estou voltando. Não, na verdade, estou voltando desde que soube que você estava resgatando algumas das minhas malas por ai. Porque uma hora a viagem acaba e a gente volta a viver a única realidade que realmente importou. Voltando a cada ponto que parei. Recaptulando e resgatando as lembranças perdidas. Pegando as malas e levando-as embora comigo, mais uma vez. Porque dessa vez, não me importo de me calejar de tanto carregar o passado nas costas. Algumas vezes sofrimento e lembranças são bonitos e dão boas histórias se acabarem por não darem em nada.
—  Malas de lembranças, towards-me
Estou te esquecendo aos poucos. Eu sei que estou. As coisas costumam ser assim para mim. Já tive amores que achei que eram pra sempre, mesmo depois de largada num quarto escuro, sem ninguém para me escutar gritar, ninguém para sentir o amor que tinha para dar - e então, de decepção em decepção, de giradas completas de ponteiros dos relógios e viradas completas de páginas de calendários mensais - uma hora eu soube, só soube, que não era mesmo para ser. Não vai ser diferente com você. Você pode ser o mais especial de todos, o mais perfeito e sem culpa da história, uma hora ou outra, essa corrida vai me cansar, vai me desgastar. Já me desgasta. Porque eu não vou a lugar algum sem te procurar. E eu sei que você não faria isso por mim. Eu sei que você nunca fez e nunca vai fazer. Porque, por mais que eu seja apaixonada por você - e cega - já estão caindo as fichas. E uma hora eu vou saber que você não é perfeito. E não vou tentar manter essa aparência para mim mesma, que todos os meus amigos sabem que essa “perfeição” é uma coisa que eu criei dentro de mim mesma por não querer te deixar partir, pelo menos onde eu tenho controle sobre isso. Então te guardo mascarado com as ilusões do passado e os momentos que eu não te conhecia de verdade. Agora sei de muito que não sabia. Mas finjo não saber. Eu mesma me faço de tola tentando guardar um pouquinho de você, aquele que eu achava que você seria ou deveria ser, com a esperança de um dia ser mesmo. E como dizem, esperança é a última que morre. Estão morrendo outras coisas. Amizade, afeição, admiração, orgulho, necessidade, até talvez amor. E então, uma hora ou outra, a esperança não vai ter no que se sustentar. E ai, meu amigo, acabou. Mas acabou de vez. Eu não dou NUNCA segundas chances. Seu tempo está contado aqui dentro. E a última parte de você que eu ainda não desprezo, vai se esvair.
—  Tic taque, o tempo é uma bomba relógio.
Não pode ser mera coincidência. Meu mundo para quando seu nome aparece na tela do meu celular. Não me ligando. Você nunca liga. Mas você sempre aparece. Nos personagens dos livros, dos filmes, no cara de terno na padaria, no meio da conversa, no meio de um pensamento e uma risada. Não importa o quanto eu corra na direção oposta, eu sei que estou correndo direto para seus braços.
—  Apesar dos esforços, Ana Aires.
Eu sei, eu sei que eu vou sentir falta dele. Sempre sinto. Mas passa… Sempre passa. Olha, não tô dizendo que isso me parece certo. Porque de alguma forma eu não acredito que seja. E se olhar por outro lado, pareço ver bem claramente. Mas eu não gosto de ficar parada fazendo papel de palhaça, enquanto dão risada e me esnobam. Não gosto de fazer papel de boneca, que fica na estante até decidirem me usar, brincar comigo. De parecer uma exposição intocável de suas coleções “guardadas pra depois”, um depois que nunca chega. Cansei de perder tempo com gente que quer gente perfeita. E eu critico que você procura uma perfeição e não olha pro que pode te fazer feliz, e olha para mim? Fazendo exatamente a mesma coisa que não acreditaria que faria. Você reclama do que tenho que mudar, do que me faz ridícula, mas no final das contas, sou ridícula mesmo só por ter te amado. Sabe, eu tinha um amigo no passado que olhava pra mim com olhos bons. E dizia que eu era a garota dos seus sonhos. Bom, não sei o que aconteceu com esse garoto, mas ele era você. Alguns anos, talvez, noto que estava atrás do cara errado enquanto tinha um que quase beijaria meus pés para me ter. Mas esse ai, já tinha ido embora também. E agora estou eu aqui, talvez cometendo os mesmos erros do passado, atrás de quem não da a mínima com gente que se dá ao máximo… Sabe quando te da um click e você se pergunta o que diabos está fazendo, cometendo os mesmos erros do passado? Bom, senti meu coração gritando talvez… Não sei. Por mais que eu te ame, te amasse, eu não gosto mais de você. Palavras ao vento. Talvez tudo que eu sinta seja só arrependimento. Queria que você me mandasse “eu te liberto” e me deixasse livre. Queria que você tivesse a certeza plena de que nunca precisaria de mim, que nunca mais conseguiria me amar. Isso me aliviaria. Porque algumas vezes, acho que confundo amor com esta droga de insegurança e arrependimento do que deveria ter feito. Às vezes acho que tenho contas a acertar com você por você ter me amado e eu não conseguido isso… Mas enquanto penso de mais, mais um que me ama pensa em desistir de mim. É um interminável círculo. Só peço, por favor, que não me ame. Não mais. Não quando estiver amando outro alguém. Deixe morrer. Deixe apagar. Pela primeira vez, deixe tudo isso acabar. Se afasta. Já não doi mais, só me deixa cansada. E não quero ficar cansada. Quero histórias para contar. E seu espaço acabou faz tempo.
—  "Deixe morrer. Deixe apagar. Pela primeira vez, deixe tudo isso acabar. Se afasta."
Você me deixou tão sozinha, tão perdida. Como se eu tivesse perdido a mim mesma. Eu sinto sua falta e cada um que penso gostar, é na verdade minha mente tentando te achar em outros rostos e corações. Talvez eu precise de você, mas meu orgulho não permite dizer. Talvez, afinal, eu precise de você em minha mente, precise dos fantasmas do meu passado para me lembrar do que acabei deixando para lá.
—  Se você é um fantasma, porque insiste em me seguir? towards-me
Não gosto de dias frios. Eles me trazem lembranças suas. Não sei. Talvez porque tudo tenha acontecido tão rápido e durante uma estação. A mais fria. Lembro de todos os detalhes. Eles vêm de forma bagunçada até minha cabeça. Não estão na ordem. Mas tantas vezes você esteve aqui e não esteve ao mesmo tempo. Tantas vezes que eu quis dizer que te amava, mas me calei na hora errada. Tantas vezes que você me disse e eu fingia que não me importava. Tantas vezes que te perdi por falta de palavras quando eu tinha muitas guardadas. Ou te perdi por dizer palavras de mais. Você vem a minha mente. Seu beijo. Seu toque. Seu abraço. Os momentos mais bonitos. As coisas que nunca fizeram para mim. Abraços apertados e apaixonados. Sorrisos e lágrimas durante a noite. Eu te escrevia todo dia que não podia te ver. Escrevi palavras bonitas. E depois joguei-as no lixo. Não gostava que você entrasse na minha vida assim, sem pedir. Você era inconviniente. E tudo porque eu tinha medo, ficava coberta pelo que meus amigos diziam. Mas se eu fosse ouvir todos agora, ou seria uma prostituta, ou teria me isolado do mundo… Ninguém nunca está satisfeito com o que somos ou fazemos. Lembro de quando tinha 11 anos. E meu coração doi. Porque a única coisa que me lembro claramente são os momentos que passei com você. Pessoas julgam: como uma criança pode se apaixonar? Mas sim, eu era completamente apaixonada por você. Muito mesmo. E era o amor mais puro que já senti. Onde não havia o que esconder. Não haviam outros para mim. Nem para você. Era só nós. Queria que você soubesse tudo isso. Mas não consigo te falar. Não consigo… Você parece não me ouvir. Queria tanto que ouvisse. Que sentisse o que eu senti. Que começasse de novo. Que entendesse. Que me perdoasse. Que fosse só meu. Que não ficasse se estragando com essas garotas rídiculas. Você ainda me olha do mesmo jeito que anos atrás. Mas você não cede ao coração. Você fica construindo paredes. E quando eu me aproximo, eu as destruo e você se esconde. Eu estou fazendo esse texto, não porque quero notes. Não estou fazendo esse texto para o Tumblr, para alguém se identificar com isso aqui. Estou fazendo isso porque eu queria que um dia você lesse. É tudo para você. Tudo. Eu te amo. E quando estou longe de você, é como se contasse os segundos para chegar a luz. Para me recarregar de você. Você dizia muito que eu não sabia o que era amor. E eu acho que não sei até hoje. Mas pergunte aos meus amigos. Eles dizem que meus olhos brilham quando falo de você. E eu tento negar. Mas até isso não consigo. Eu durmo pensando em ser o que sou hoje, a anos atrás… O que eu teria feito? Eu te amei tanto… Eu te amo tanto. Só que eu era medrosa. Eu costumava acreditar que iamos durar para sempre. E o que somos agora? Colegas que dizem “oi” e “tchau”?
—  Saga de um amor perdido. Meu coração dispara quando te vejo. E isso, só você consegue.
Não gosto de meias coisas. Você tinha dito que “podiamos dar certo se…”. Você tinha dito que “estava confuso e não sabia se só queria amizade”. Você disse “a gente sai um dia desses”. Você disse “eu gosto de você, mas estou confuso”. Você não disse também “quem sabe um dia…”? E ai? Quando chegou esse dia? Quando aconteceu esse “se”? Quando você descobriu o que realmente queria? Quando você clareou sua mente? Quando todos esses “e se’s” sumiram e passaram a ser “agora, hoje, tenho certeza”? Quando essa incerteza acabou? E sabe, de todas as suas palavras, até hoje, com certa dúvida de algo bom, de algo que eu esperava (ou ainda espero) ansiosamente, eu ainda prefiro aquelas lá, que são mais reais, “vamos deixar fluir”, porque não vieram em tom de dúvida, nem de medo, nem de “talvez”, só vieram como uma chance… E isso já basta.
—  oi, muito prazer, já nos conhecemos, mas o tempo tentou lavar nossas lembranças (t-m)
Você leu meu último texto? Talvez fosse eu tentando ser forte de mais para algo que nunca terei controle sobre. Posso ser a inteligente, escritora, poeta, artista, poderia ser até física, matemática, ou cientista e mesmo assim não teria controle sobre o amor que sinto por você. Às vezes é muito fácil de não gostar de você, de desistir de você. Muito fácil mesmo. Porque, você, às vezes, é um babaca. Estúpido, imbecil. E eu ainda assim tenho mais é vontade de bater na sua cara e gritar “ACORDA, POR FAVOR, EU TE AMO”. Mas quando eu penso que não me importa mais, você prova que claro que me importo. Claro que olho suas coisas. Claro que não consigo, sem me distrair, pensar em outro garoto. Claro que quando vejo horas iguais, sem querer, penso em você, e tento me corrigir, não pensando em ninguém, ou dizendo o nome do meu melhor amigo, do meu irmão. Claro que fico pulando feito louca quando te vejo e meu coração mais ainda quando te abraço. Claro que fico olhando aos arredores na esperança de te ver e olho para onde você costumava ficar com saudade. Tanta saudade envolvida, não? De quando era mais simples. O amor é simples. E a gente complica. Lutamos contra nós mesmos e conta os outros. E acabamos sem nada. Querendo tudo. Sei lá, acho que você é mesmo o “Zé” da minha vida. Que me persegue por ai. Mas dizem que quem procura, acha… Tanto procuro motivos para não desistir de você. É inconsciente, mas, eu sinto uma partezinha de mim gritando “Vai lá, vai lá ver se é isso mesmo… Por favor, não joga tudo fora de novo se você ainda acredita num final diferente dessa vez”. E eu sempre percebo que não posso jogar fora tudo isso. Não consigo me prender à outros. Eu te amo. E chega a doer. Porque não posso enganar pessoas. Não posso me enganar. E eu insisto em tentar me enganar todo o santo dia, tentando me convencer de que não vale a pena. Tentando me convencer de que você não é o que acho. Mas sempre você prova que é… Você é tudo que eu sempre quis. Tudo que eu sempre esperei. Como sempre eu te dizia, você e eu seremos sempre conectados. Entrelaçamos nossas vidas no nosso primeiro beijo… E eu ainda posso sentir seu coração batendo dentro de mim, ainda posso sentir que você sente muito. Ouço você dizendo todo dia que sente muito. Eu também sinto, por todas as vezes que errei e perdi chances. Mas eu vou te esperar. E um dia a gente se esbarra e dá certo.
—  Saga de um amor perdido, tantos textos (para ele) abafados num Tumblr… (p-e-t)
Não sentir mais nada não é odiar ouvir o nome do tal, não é, muito menos, recusar uma chamada no telefone, não é deletar o seu contato no telefone, ou recusar-se a pensar nas lembranças. Não sentir mais nada é olhar para o quanto você cresceu. Não sentir o coração disparado quando o ve, ou o rosto queimando ao vê-le abraçado com outras. Não sentir mais nada é olhar seu número no telefone e não se importar mais com o que pode vir ou não daquele 9. Não sentir mais nada não é bloquear tudo que te lembra do fulaninho, ou fingir que ele não existe. Não sentir mais nada é, na verdade, seguir em frente, tratando-o como qualquer outro que você já disse só um olá, aceitando o que passaram ou “despassaram” juntos, não tendo mais o impulso de mandar mensagens, ou sentir o coração pular a cada mensagem que chegar. É não ter esperanças, nem vontade de volta. É só se sentir livre… Livre pra começar uma nova aventura.
—  Não com o mesmo cara, por favor.
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