Socializar.
Socialista.
Sustentabilidade.
S.O.S
-Fingir-
Amar.
Sócrates.
Tetra campeão.
Ponto final.
Ponto de encontro.
Marca-passos.
Contando cada posso em uma das mãos.
Estressado.
Engessado.
Embriagado.
Sorriso.
Beijo doce como sorvete.
Abandono de absorventes.
Bebê a bordo.
Pré-natal.
Como eu adoro.
Socorro.
Pronto- socorro.
Novos sorrisos.
Detalhes precisos.
Preciosa.
Joia rara.
Desobediência.
Castigo com veemência…
Sobremesas.
Abraços.
Remédios e médicos.
Luto e fruto.
Terra boa banhando um caixão escuro…
Surdez e mudez.
Um pouco de fumo.
Nudez.
Sexo.
Vida curta para uma noite interminável…
Sobrevoar.
Aterrissar.
Aterrorizar
Memorizar.
Morrer.
Viver.
Morrer mais e viver além…
E quem sabe,
No novo caminho encontrar alguém.
Amar e abrigar.
Garranchos.
Poesia.
Retratos.
Retalhos.
Recluso.
Resistência.
Cura?
Desambiguação na loucura.
Fatalidade.
Finalidade.
Socorro.
Pronto-socorro.
Dores amenizadas pelas belas flores.
Internação
Interna rebelião.
(Fim de Transmissão)
—  As Faces e Fases De Uma Vida Monótona, Pierrot Ruivo
Pela manhã, eu quero acordar e explorar a floresta de teus cabelos negros, emaranhados pelas vezes que você se mexe de um lado para o outro na cama. Estou a desembaraçá-los na busca incessante pelos teus lábios, beijo teu pescoço com a fome de um homem que acabou de acordar, beijo-lhe a nuca para arrancar-te suspiros de olhos fechados, arrepiar-te o corpo inteiro. Desvelhecia dos teus cílios a areia da terra dos sonhos e me dê um beijo de bom dia. Vá tomar um banho enquanto preparo o café da manhã, pão integral, suco de laranja e frutas, que tal? Se quiser pode até usar aquela minha camiseta que tu tanto amas, olha-me com estes olhos negros e devora-me, encara-me para que eu possa embriagar-me nestas esferas negras que me afogam. Pela manhã, eu realizo o meu sonho, acordo e vejo-te toda esparramada pela cama, que respira suavemente e dispara um sorriso, quem sabe tu também não estejas sonhando comigo? Conto cada estrela presente em seu corpo desnudo, às ligo para formar a constelação de você, mas a estrela que mais me chama a atenção é aquela que reside em teus lábios, àquela reticência doce que sempre me faz aguardar ansioso pelas próximas palavras que escaparão de teus lábios macios. Sobre o sol da manhã entrando pelas frestas da janela da cozinha, nós tomamos café, olhamos um para o outro com olhares apaixonantes. Com algumas olheiras, fazemos planos para este fim de semana, nada de parque para nós e o fim do mês nos fez se afastar das salas de cinema. O que resta a nós se não ficarmos em casa? Deitados no sofá, enrolados no cobertor enquanto assistimos a reprises televisivas, assim, passamos o restante do dia, depois de irmos a um restaurante almoçar, voltamos e deitamos no sofá, nos encontramos por debaixo das cobertas, nossas mãos esquentam, coração aquece e a reprise é apenas um mero detalhe do calor que exibimos um ao outro, nos procuramos e encontramos a alma um do outro ao piscar de olhos, enquanto os lábios também se encontram e os cílios se abraçam calorosamente…
—  Pela Manhã, Pierrot Ruivo
Com tuas próprias mãos você me fez ser teu, com seus lábios sugou-me beijos molhados, em seus olhos de faróis o mundo inteiro cabia ali, naquele par de orbitas na cor verde esmeralda, nas suas frases feitas, entregava-se a mim com maestria, pouco a pouco, por cada noite em que deitávamos esplêndidos em nossa nudez e nos aquecíamos depois que a luzes da cidade se apagavam. As palavras para ela são apenas palavras, assim, a nossa corda começou-se a desgastar, o laço fora enfraquecendo, até ficarmos por um fio, mas nada que o teu beijo terno não possa resolver. Ela é a simpatia de um sonho, vive o seu próprio sonho americano antes que o mesmo faleça para as verdades do mundo, jogadora primorosa, mata de fome a saudade que és concebida ao fundo de teu âmago. A sua imagem já está desgastada de tanto ser o desejo secreto de meninos e meninas novatos aos mares da cidade, o melhor a se construir é a destruição de sua própria imagem de sedutora, assim não terá imagem alguma, pura neblina emancipada, talvez memória apagada. Crescemos juntos em nossas intimidades, mas o medo teima em nos aparar, por hora somos relva densa e infinita, desequilibrados e nossos corpos suados. A crítica tece inúmeros comentários, não damos ouvidos, sobre os holofotes dos postes, fazemos nosso show, ao vivo, fetichistas que somos, atraímos os olhares de todos os voyeres, apenas não nos cobramos amor e seguimos a destilar o nosso veneno sedutor. Se o passado viesse, descalço e atingisse-me na euforia melancólica da nota ré bemol, a enarmônica das notas em mitose acelerada, desdobrando-se em duas notas opostas que reproduzem por sua vez o mesmo som, nas cores degradê de semitom. Averiguo as pistas que me levam até você, é impossível perder-te de vista, pois estes olhos deixaram as trilhas por onde você caminhou no silêncio da Rua Augusta, enquanto a mesma encontra-se em repouso. Tu és a menina dos olhos de seu pai, mas ele não está cego? Não precisas pregar que é feliz, pois ninguém irá te forçar a ser o mais novo produto a se consumir. Enquanto eu voltei para casa, com o pescoço manchado de seu batom, você voltou para sua casa com o coração marcado por meu afeto, como nunca sentira antes, mas os retalhos e retratos que fizemos foram consumidos pelas chamas do incêndio acidental que nos consumiu por completo, ao final, nada sobrou, apenas as cinzas do que nós dois geramos…
—  Romances Blindados Sobre As Luzes Da Cidade Grande, Pierrot Ruivo
Sou muito mais do que isso que tu enxergas, tuas teorias em Causa Mortis de nada serve se tu não mergulhas nas linhas e suas lacunas. Venha dependurar-se nestas vírgulas que tanto uso. O universo que tu não sabes se existe ao olhar as poucas estrelas que estão a sua vista na janela de seu quarto. Sou idioma morto, nem tão cedo os tradutores irão descobrir os mistérios de mim. Historiadores estão mais preocupados com outras descobertas mais intrigantes e impulsionaram suas carreiras secretas e desmerecidas. E quando descobrirem-me, o que será revelado e o que será guardado? Na rua escuto passos, passos sempre apressados, bocas ofegantes em suas corridas matinais para o trabalho. Eu sinto o cheiro da prévia de uma chuva torrencial e ligeira, sinto o burburinho sobre o que será a novidade do próximo mês. Atento escuto, em silêncio permaneço. Beija-me a boca seca e encontrará a esquina inacessível de todos os meus pensamentos, amores e seus rancores. Nestas esquinas há mendigos que sofrem do amor que distribuí a quem jamais me quis. Fritam-se durante o dia e morrem de hipotermia todo o fim de noite, carecem dos cuidados de mãos suaves e delicadas. Olhe no espelho, pisque e olhe mais uma vez. Tu verás que as rugas ocupam o lugar de seus sonhos, a barba amassada está envelhecida, esbranquiçada, tu debruças-se ao chão, pois tuas juntas estão frágeis e irreconhecíveis, este são os valores a quem vive suas vidas em um constante modo inoperante. Teus pulmões hora úmidos, hoje estão pálidos e mofados, culpa deste cigarro de palha que tu nunca se esquece. Outrora lúdico desejava-lhe com todo o meu ser, hoje lúcido, entendo que ter-te era apenas tardar momentaneamente a minha solidão. Encontro-me em paz, apenas por ter sentido a beleza que senti e compreendi. O inferno está lotado de inocência, os prejudicados, pedem perdão pelas injúrias que a eles foram atribuídas. Altas aspirações provocam a inspiração do pó mágico vendido nos becos, de forma escondida. Contra meu peito tenho apertado moças pregando sobre um amor hipotético que olhos tecem em agonia, mas eu desconfio, está muito fácil para ser verdade. E ela se vai, leva consigo mais um amor do qual poderia ser coroado. Serei eu, agraciado com o papel de eco daquilo tudo que não fui, dividido em metades imprecisas, partes desfiguradas de quem acho que eu sou, do que tu vês e do que realmente sou. A ausência do beneficiado denota a fúria icônica de seu céu, o quase fica para depois de inúmeros amanhãs. Tu que só te consolas por ser desejada. O doce prazer de habitar o carnal lhe deixo de estudo de caso, as estatuas de deusas gregas que foram concebidas sem o nascimento, formosas curvas e ácidos ideais podem levar-te a falência da roda dos melhores da cidade. Assim, a chuva que antes fora me prometido, chegou e lavou as ruas, os carros e as pessoas. E eu o que fiz? Corri para rua e banhei-me na chuva, que pela primeira vez lavou-me de verdade, diferente das outras vezes, esta chuva trouxe-me algo puro que jamais conseguirei explicar…
—  A Fundação Deste Questionável Eu, Pierrot Ruivo
Onde estão os anti-heróis feitos de manequins? Curvas em diagonais, carteiras atiradas aos bonzinhos e sutiãs para os vilões. Desligue as luzes, pois a transfusão de corações e piadas já está para começar. Não importa que seja malfeito, apenas sigo o meu conceito, guarde pra si seus próprios segredos e conselhos. Você sabe aonde a vontade de um beijo elétrico pode nos levar, eu sei que sabe. Romeu passeia pela cidade sussurrando que não existe amor nesse buraco, poetas morando em caixas de papelões nas esquinas de qualquer lugar. Fitas métricas não são necessárias para se medir a humanidade daqui, talvez alguns palitos de dentes já bastem. A afilhada de um pianista cego, troca saliva com o capataz recém chegado a cidade. Amassando e dividindo calmantes entre os ratos, crianças e damas decaídas em ascensão. Musas dos desesperados, as maníacas que despertam o desejo de salamandras veteranas. A eterna máquina fabricante de sonhos tortos, a torre feita por você com meus poemas está começando a desmoronar. Não vou mais seguir suas trilhas, apenas prostre seu coração diante de mim e ficaremos quites. Narrando desencantos e ansiedades no chão com um giz, quem sabe um dia eu volte a te encontrar enquanto tomo chá em Paris. Atira dedos e aponta pedras enquanto lê frases Castro Alves. Em quartos escuros adolescentes egoístas se preparam para o perigo divertido, enquanto eu escrevo crônicas sobre a ausência de corações…
—  Narcisismo Em Refém À Promessas de Bar, Pierrot Ruivo
Querem me conhecer? Me leiam, devorem-me com a boca e os olhos, me toquem como crianças atrevidas, Me mordam e assoprem, desvendem-me os mistérios e angústias, o desespero que lhe assola vocês podem assisti-lo sendo descrito por minhas mãos pálidas e congestionadas. Engulam-me, mastiguem-me, vomitem e me regurgitem para tua vasta casta de seguidores e admiradores. A cada linha que escrevo, é um terço de minha personalidade que é demonstrada, apurem-se bem de interpretação de texto, pois sim, as entrelinhas estão cheias de mistérios, mas lá também residem as verdades. Na solidão se faz um testamento em forma de manifesto, testemunho da gestação de algo indigesto a vossos ouvidos “puros”. Desamores? Tenho aos montes, coleções de feridas e palavras insanamente ditas sem pensar, marcas em minha mente, delas retiro a inspiração, dentro de meu exílio, carinhosamente apelidado de retiro. Não sigo métricas ou receitas especializadas, alguns dizem que psicografo, pode até ser, meus poemas são histórias ou estórias que vi, ouvi ou vivo, protejo o ator principal, colocando-me em primeira pessoa, sou o ser que conta e em outras vitórias sou aquele que recebe o soco. A poesia de mim é o fumo solto de um cigarro recentemente apagado, para curar a ansiedade e a saudade de alguém. Desço ao inferno na terra, para trazer o céu em forma de poesia para aqueles que se perderam pelos entorpecentes. Vou a um rasante voo, num dia nublado e obscuro, me embriagando de minhas próprias palavras e tormentos. Com as maldições que me atiram com suas tecnológicas metralhadoras faço retratos, seus, meus e nossos. De amores a rancores, desenho retratos com sombrios adjetivos. Os novos Dons Juan são fabricados em massa nas academias pertencentes aos Dorian Grays, trocam saliva com seus próprios reflexos neste espelho sujo. Não te incomodes isso são só apenas frutos de uma fugaz apresentação àqueles que não estão familiarizados com tamanha melancolia, disfarçada de destreza e força, sigais teu caminho, assim como seguirei a escrever.
—  Os Mistérios de Um Pierrot, Pierrot Ruivo
Ensina-me a me acalmar, ser como as ondas do mar a se debruçarem para rochas pontiagudas, por favor doutor, prescreva-me remédios para controlar-me, pois eu já não sei como posso fazer isto por meu esforço. Espero que a receita seja do remédio mais qualificado, não daqueles que te propuseram em mais uma das sujas alianças que fizestes com o conglomerado farmacêutico. Provas e sobras denotam qual a opção que tenho que seguir frente aos terremotos de mim. Vendaval destrói castelos de areias e minhas ilusões platônicas, vista-se com a veste da seriedade e reconstrua tudo novamente, apenas para que o vento possa derrubar em outro dia de fúria, assim eu serei o próprio brinquedo dele. Choro os desastres em enorme pranto, a inundação acontece dentro de meu interior, sabotando-me aos olhos desavisados, não peça para contentar-me com esta condição da qual me encontro, apenas dê-me dicas do que funcionou para você, quem sabe os chás e sucos caseiros possam esfriar este vulcão, pulsante as vésperas de uma erupção. A nado, afundo-me no raso, mas no escuro de meu mundo, o claro está aqui apenas para sentido de equilíbrio, pois não serei alcançado, não possuo escadas. O inimigo daquilo tudo que sonhei, sim às vezes tenho esta função também, vou minando cada grama de meu corpo pálido, cada palavra que disparo e penso em despejar nesta folha velha da qual faço minha desesperada poesia. Mostra-me um caminho para que eu adquira a paz de espírito, por favor, ensina-me pelas rotas e curvas de todo o teu corpo, não quero mais desfazer-me para os maus presságios ligeiros, perceba que aqui estou descrever todos os meus péssimos hábitos, enquanto desdenho as minhas virtudes que nunca encontrei. Para você, apenas sou um reles estrangeiro, turista de suas vistas, sem pistas, não há interesse para puxar-te a mim, sei bem disso. Aterrorizado com as panes que se instaram em meu corpo, quando poderei assumir a presidência de mim? Arames e sustentações frágeis igualam-se a ingenuidade deste coração que ama por sentir, forte são as batidas desfiguradas de um amor nada convencional, de grande sentimento e impossível mensuração. Todos os frutos maduros e caídos, cálidos deitados na relva mansa, a esperar uma mão curiosa nos conquistar para si.
—  Os Lamentos De Uma Pilha De Nervos, Pierrot Ruivo
Vejo-te no escuro
Meus olhos nada fitam além de ti.
Estás desenhada nos muros.
E nas fantasias de outros senhores.
Daqueles que tu mal se lembrarás dos nomes.
Enxergo-te em cada detalhada caligrafia.
Em consagradas poesias.
Sinto-te por entre rimeis e perfumes.
Ouço-lhe ecoar, assim como este salto que tu estás a desfilar.
Beijos e antiácidos podem lhe salvar…
Nas ruas que não passo mais, tu és figura carimbada.
A mulher dos olhos do mundo por todos é amada.
Eu também posso ver a lua tão pouco percebida.
Assim como você, detesto as despedidas.
Mas o que é que estamos a fazer com nossas vidas?
Todas tão programadas para rodar e cair…
Por nervosismo, compele-te a simplesmente rir.
Rir das tragédias e se apavorar com comédias.
Teça as normas para os costas largas…
Vejo-te transpassada em meu delírio.
Enxergo-te entrelaçada com meu lirismo.
A minha fome de amar, apenas tu podes sanar.
Prevejo tua pele lisa a passear por meu querer.
Teu nome está sendo proferido nas estranhas entranhas de meu ser…
Na lista estou no último lugar, como poderei ao pódio voltar?
O que falar se apenas três palavras pulsam em minha garganta?
Teu sorriso deixa-me com esperança.
A voz sempre encanta…
O desenho de ti sempre está em relevo dentro de mim.
Toque-me e encare-me por meros segundos.
Assim, poderá sentir.
Poderá o meu corpo suportar o pior e o melhor de dois mundos?
Meus lábios estão esperando o teu amanhecer…
—  Eu Volto E Revisito, Mas o Meu Amar É Tracejado Do Teu, Pierrot Ruivo
Tenho um beco escuro a pesar sobre os ombros.
Ruas sem saída demonstram onde nunca devemos ir.
Encare de frente a labirintite que se cobre em meus lábios.
Cole em mim feito adesivo.
Discorre o teu testamento no labirinto da minha mente.
Enquanto lhe amo secretamente…
Sabia que eu sonho todas as noites contigo, senhorita Frenesim?
Piadas sem graça salvam momentos em que a timidez assola.
Atira-me exovalhos, enquanto estou a receber lírios da paz.
Por descuido, feito de mais um luto particular.
Saiba disso:
Teu charme é eficaz!
Resista a isso:
Meu beijo voraz.
Contento-me em ser o quase amor.
Mais um menino, mero amador.
A desejar-lhe.
Eu não sei o que eu fiz.
Para travestir-me de miragens ocasionadas pelo pó do giz…
Tua solidão ocasiona confissões a eletrônicas máquinas.
“Fique um pouco mais, queira me escutar”
Todos os orelhões estão fartos de saber de seu falho andar.
Não há sentindo em ser a baderna mais sincera?
Por que esses sorrisos semimortos?
Pelo bem do coração?
Ou de sua Pseudo-reputação?
Roube uma linha, mas destaque-me como coautor.
Por favor, de nosso romance não faça-me um medíocre delator.
Contento-me em escrever, contento-me em ser um simples redator.
O que tu queres amor leve ou breve?
Quer que eu te leve ou te lave.
Continuam cantando mentiras como se fossem mantras…
Por tanto caminhar, minhas pernas queixam-se de câimbras.
Falta-me potássio, não ouses tentar a linhas de mim traçar.
Sou tão embarcado quanto esses teus cadarços, em nós ou em laços…
Mas eu tenho que confessar:
Apenas tuas penas de anjo podem me derrubar.
Agora o rei está oco e seu peito já encontra-se morto.
Desde o início fui um condenado, ator a ser desperdiçado em gestos e atos.
Sem estrelato, refém amargurado e algemado, por lá sabe-se quem!
Dizem, que é possível ver o mágico por trás das cortinas.
Truque barato de um atrapalhado ilusionista.
Se eu fora teu fantoche,
Tu foras a minha fuga, sem nenhum passaporte…
—  Sobre Amores, Rancores E Suas Físicas Dores, Pierrot Ruivo
O cosmos e o teu olhar.
Pelas estrelas a se destacar.
Na terra.
Corvos planando.
Junto de meu amar.
O céu é dos anjos.
Não dos sem propósito.
Não fora feito para nós
Tu não me enxergas.
E isso me dói
Serei eu tão transparente quanto teus lençóis?
Rosto incógnito.
De branquidão hospitalar.
Simples borrão abarrotado de ar…
Nada lhe Serve a astrologia.
Se apenas retira-lhe piadas sem graça.
Não há mapas, mas sim uma tentativa de melhorar a caligrafia.
Camisola de cetim.
Promessas rasas
E um Amor de festim…
Não deixa marcas.
Não salva.
E muito menos mata.
No meu peito, o eterno queimar de mil brasas.
Mas não é a ti, Porcelana.
Meu afeto não é medido a preços ou barganhas.
Paralisia.
Síndrome de narciso.
Não tem problema algum em ser indeciso.
O impreciso sonha com o paraíso.
Em fazê-la disparar o riso…
Narcolepsia.
Gula.
E Hipocrisia.
Tudo, em um só corpo…
Onde se vê gula também reside à fome?
Para o pecado não há identidade, não há sobrenome.
Suicida estirado na avenida.
Autópsia comprometida.
Pelos erros de cálculo da polícia.
Sou o sonho, não o seu contrário.
Viajo no tempo, de primeira classe como um empresário.
Quiçá um emissário…
“De quem ou dê que?”
Eu não sei!
A cidade iluminada.
O reflexo de sua imagem está desbotada.
Assustem-se, os novos reflexos da cidade falam a verdade.
Eu sou a embarcação que peregrina por entre todos os mares de olhares gélidos…
Mas não necessito mais do vento para me guiar, inflando as velas.
Este inverno está sendo ruim pra mim, mas ainda sim, não preciso do teu nostálgico sabor de canela…
O rei de espadas declarou:
“Os inocentes são os governados e os culpados são os desinteressados”
Atravessado sobre o rio de sangue, pisando sobre os restos de lirismos esfacelados…
—  Sui Generis, Pierrot Ruivo
Em um filme mudo eu atuo.
Filme de quinta categoria.
E baixo orçamento.
Sou um mímico já fantasiado.
Meu orgulho foi a muito perdido.
Meu peito está trancafiado.
Sou mero escravo do diretor.
Obedeço-lhe todas as ordens.
Durmo querendo nunca mais acordar
Sonho por me calar…
Carvão sujo sem ninguém para lapidar.
Refém do entretenimento.
Faço de seus -raros- elogios o meu alimento.
Mas a verdade é que não possuo fome.
Não a fome de um comum homem.
Não sou daqueles que mata o gado e come.
Minha escrita não tem pronome…
Ela é autobiográfica.
Às vezes antropofágica
Devora-me o juízo.
Mas não é algo que me dê prejuízo.
Não sou ditador.
Mas para mim aderi,
Me ame ou deixe-me.
Careço de seu amor…
(Palavras soltas do mal humorado diretor.)
Clacjet.
Ação.
E o filme roda.
Não há script para decorar.
É tudo feito na hora.
Fruto de um vão improviso.
Cenas são gravadas.
Amores são revelados.
Apenas mero engano.
Gravatas são reservadas…
Não é a vida real.
A vida imita a arte?
Eu não sei…
Ao menos, a minha não.
Afundo-me cada vez mais em tempos de arraial …
Nas telas que serão exibidas trechos de minha vida.
Desde já, afirmo: “Contente-se, você não pode me consertar”
Por pura teimosia eu não desisto, ainda não…
Enquanto me cospem, faço companhia às moscas.
Até o último ponto do escurecer, tento decorar consagradas poesias.
Mas ao amanhecer, mal me lembro das minhas…
Quando poderei ter a minha carta de alforria?
Gozar-me em liberdade, junto de minha poesia…
—  O Ator, Pierrot Ruivo
O tempo que temos nunca é o suficiente.
Chronus não é capaz de lidar com a demanda.
E agradar a todos os clientes.
O que lhe salva é a tua acolhedora propaganda.
Você nunca partirá sem deixar um pedaço de si.
Assim a canção rege em passos desorganizados e gestos nada ensaiados
Não seja a extrema mudança, seja a muda que cresce e se destaca na rua.
Acredite, quando eu lhe digo:
Tua vida não precisa acabar aos prazeres de um elétrico trilho.
Não seja a piada dos descrentes, não seja apenas um mero trocadilho.
Acredite, quando eu disser que seu amar não é em vão.
O momento pede por uma divina intervenção…
Oh Dama da Noite, salva-me.
Dama da noite, teça a mim em suas entranhas.
Teça em meus ouvidos tua fala nobre e suas teorias estranhas.
Teve cabeleiras batizadas em uma das pontas pelas gotas de um sol amarelado
Hoje, optou pela escuridão em suas cabeleiras.
Monótono monologo para o momento adequado
Por mim, já fora decorado.
Tens olheiras.
Por toda a preocupação que a vida lhe traz.
Marcas de expressão expressam o que ela quer dizer, mas nunca teve coragem de proferir…
O trava línguas, paradoxalmente lhe deixa com a língua solta, pronta para se entrelaçar em outra.
Amo os doces lábios dela mergulhados no mundo de minha prosa.
Tu és uma faísca que não se extinguirá a beira do lago.
Na gasolina espalhada em mim tu encontrará a vida.
Meus braços estão a lhe esperar para um calmo afago.
Olhos densos propensos a chorar.
Hoje o céu está brilhante e o teu vestido elegante.
Vá passear dama da noite.
Encante e dance, encante um pouco mais e distribua sorrisos radiantes…
Prenda os matemáticos e físicos no calabouço de seu tédio.
Diga a eles que as formulas em declarações não cabem em teu bolso.
Ela é livre, não peças reembolso se o seu amar não for retribuído.
Não crucificaremos o desejos.
Esta noite, faremos do nosso jeito.
O que é certo você não sabe?
(E quem é que sabe?)
Esta é só mais uma desconexa sintaxe.
Desmembrando uma romântica frase…
—  A Dama Da Noite, Pierrot Ruivo
Tu fora meu vício particular, levemente adocicada de lábios finos e silenciosos, em ti eu achei um abrigo, por poucos segundos é verdade, mas tive conforto no pouco em que residi em ti. Que deselegância a tua, não oferecera-me um espaço no quarto de hóspedes, apenas um espaço no sofá, minhas costas lhe amaldiçoam quando tu estás em minha frente. E quando virei-me em direção a porta, tu não tentaste impedir-me, nem ao menos se despediu, pois tu sabias se eu te olhasse pediria um novo lugar para ficar e você não me negaria. Agora, resta-me por entre essas linhas costurar o desenho de teus olhos, cansados abençoados com olheiras, já que teu corpo ronda a mim, você é meu fantasma particular a debochar de meu amar, teu nome pesa sobre meus ombros em forma de cicatriz, queimado e marcado como um gado, esta é a condição da qual encontro-me. E o que faço com o amor que quando fui lhe presentear, tu esquivou-se de forma voraz, ter a rajadas do vento contra mim é difícil de acostumar, já que teus beijos sempre estavam lá para esquentar-me. Cigarros são alçados por entre meus dedos, fazendo da fumaça pedido de socorro para mais um poeta rancoroso, bebendo doses e mais doses para esquecer somente a ti, ao virar os goles ácidos, imagino que as bordas desses copos sejam teus lábios ansiosos tocando os meus, para um beijo longo e demorado. Olho para o lado e vejo você, por todas as janelas e outdoors da cidade, tu assombras-me até mesmo quando não quer. Somos eternos amantes em cartas nunca enviadas, em histórias fictícias, quem sabe, poderíamos ser feliz, depende da mão que cria o enredo, por que a realidade, nos reserva apenas a distância com uma pitada de nostalgia. Castelos de areia ruíram pelas fortes ventanias vindas do mar. Escrevo-te por que não me restas mais nada a fazer, alguns dizem que sou masoquista por querer sofrer, “o melhor a se fazer é esquecer”. Mas ainda tenho frases engasgadas em mim, elas estão semimortas, respirando pela ajuda de aparelhos, mas ainda sim estão vivas e pulsantes. Canções estratégicas, dizem-me apenas que a eleita é você, de olhos castanhos de faróis hipnotizadores, lábios doces e uma incógnita misteriosa, cintura em forma de capa de revista sintetizada por alguém, mas você não é assim, é o teu natural, cintura de interrogação, bem como teu coração. Tu estás em falta comigo no passado preencha as minhas dúvidas e as lacunas e quem sabe ainda haverá espaço para ti…
—  De Todos Os Vícios Que Eu Poderia Ter Amar-te Foi O Mais Devastador De Todos Eles - Pierrot Ruivo
O teu vil coração não esconde a mágoa que tu carregas ao não ser notado na multidão, por apenas mais um rosto comum e desbotado, as palavras que saem de sua boca podem ater negar, mas tua postura comprova a teoria. Será que a tua salvação se encontra no veneno da víbora que tu chama de amor? De sangue frio a carne morta vocês incendeiam-se em cima dos cupins que devoram tua cama, os olhos lacrimejam por pura culpa de se entregar-se sem querer, pregar a inocência sem conhecer. Deseja o amor livre escorrendo no suor do encontro de corpos desconhecido, mas se dói e corroí a alma quando teu amado parceiro encontra alguém mais carinhoso que você, alguém que a deixa sorrindo, como tu nunca conseguiste. Afinal o que tu quereres, mais vale ter mil pássaros a tua disposição e quando cansar-se das novidades antiquadas, poderá voltar pra casa para sentir o terno abraço de sua amada, que cozinha lava e passa? O teu moderno amor apenas serve para inflar teu ego, ela não sabe aonde vai ou com quem sai, ora ela não nasceu etiquetada para ser teu suvenir, ela é humana assim como você, tem todos os direitos de levantar-se sacudir-se das desculpas esfarrapadas, currar-se das cicatrizes que você abriu nela e partir. Teu relacionamento é a base de grandes doses de ciúmes desmedidos, laxativos ao teu ser, isso não é amor, mas sim cárcere privado. A punição de teu crime será sete vezes mais dolorosa que a dor que tu causaste, não adianta fazer-se de pobre vítima, senhor diabo. Todos lhe conhecem, todos estão contra você, meu caro. Contempla a cólera que lhe devora a vida não adianta arrancar-lhe as vísceras e depois recobrir o interior com as mais belas flores, não adiantas abrir cortes e logo após vir com cuidados e ataduras, isso será mais um atestado da sua bipolaridade. Tu és teu próprio algoz, o doutor e o monstro em um só corpo. Suma e vá aliciar suas próximas vítimas, aproveita e aperfeiçoe este teu crime, limpe tuas digitais do corpo e colore a aureola mais dourada dos santos. A volúpia salta para fora dos poros, os dedos se movem sozinhos e lá se vai ele a torturar mais uma vitima.
—  Síndrome de Caim, Pierrot Ruivo
Ela entra no banheiro cambaleando, trocando suas pernas, faz confissões e conta piada para seu reflexo no banheiro, pensas o quão bom ouvinte é aquela pessoa, mal vê o vaso sanitário a sua frente, não percebes que a imagem refletida é a dela mesma, entrega-se ao vômito, pois precisas emagrecer para poder experimentar aquele vestido que viu há semanas atrás, o parcelamento a salvará desta vez. Filosofa a respeito do amar. A cada refeição que bota pra fora manchas este vaso sanitário. parafraseando autores consagrados e seus clichês populares e indecifráveis, enquanto distribui a quem quiser ouvir indecifráveis frases, talvez frases ensaiadas exaustivamente, ou até mesmo quem sabe de sua própria autoria. Apenas não faças promessas de desistir da boemia, isso apenas são frutos de sua volatilidade, sequer penses em morrer, pois isso é para os fortes, eternize-me na sua guerra particular, de copo em copo e de bar em bar, mas jamais pregue a paz a morder-me com teus venenos, sou teu próprio antídoto e talvez a causa de seu vício. Eternize-me nestas doses e diga que me esquecera, todos sabem que não é verdade e lhe escutam reeditar cada passo daquela noite. Apenas digo, não abra as cartas que por engano caírem em teu colo, as devolva para o carteiro e diga que o remete se mudara. Encare isso como um conselho sem ser pedido, para de correr, pare e sinta a dor, seja suja confidente, não sua inimiga, não se anestesie com milagrosas pílulas, encare os nossos erros, assim como faço ao escrever cada palavra. Sei que você tentará perseguir-me, confundirá tua sombra com o par que formávamos embaixo dos holofotes desta cidade, mas o show sempre continua o próximo ato já está na metade, não queira desistir, tu sabes muito bem que seremos eternos vizinhos no inferno. Esquecer-me? Só você tem este poder, mas não sei por que não o usas. Talvez a dor lhe traga um alívio por viver, quiçá um novo prazer. Tuas constantes mudanças de humor afetaram a mim, agora sou um pedaço maltrapido de ti, forçado a se reprimir e encher-se de pudor, apenas encontra a liberdade ao escrever-te algumas cartas que nunca serão enviadas. Se você parar de fazer promessas efêmeras de mudanças radicais, prometo-lhe escrever algo de bom tom, assim que a chuva de ti cessar, escolhas você tem aos montes, afundes ou levante-se, só você pode decidir. As câimbras não podem vencer a ti, sei que sou o causador, mas posso ser o antídoto deste veneno todo se sobriamente você acreditar em si, todos nós temos os nossos fardos para sustentar. Então, refaça a maquiagem e encante aos homens como tu fizeras comigo. De acordo?
—  Promessas Sobre Vasos Sanitários, Pierrot Ruivo
Afazeres.
Ataxia.
Euforia.
E ansiedade brilhando sobre as luzes da cidade.
Ansiolíticos para os tímidos analíticos.
Uso tarja preta.
Em luto, pela morte prematura de borboletas.
Delicio-me com os versos incolores nesta velha caderneta.
(Agora de quem é a vez?)
Vamos girar a caneta.
Deixar com que ela nos acerte o alvo, em cheio.
Como uma russa roleta.
O perdedor amanhecerá na sarjeta.
Sem lembrança alguma da noite passada.
Acorde com o gosto de guarda-chuva em sua boca.
Enquanto és avaliado no céu, por um autônoma bancada.
Da sedução, tu tens em tuas veias todo o bê-a-bá.
Não precisas muito para alguém encantar…
A sua ascendência lhe ajudará…
Psicopatas!
Para as mentes organizadas.
Psicotrópicos!
Para quem sofre com o ócio…
O Rivotril milagrosamente cura-lhe do estado febril.
Devolvendo-lhe a condição de senhor viril…
Letargia.
Pulsantes hemoglobinas.
Mostram que a paixão está viva!
E é claro, uma dose longa de insônia.
Lagos não podem conter minhas lágrimas.
Então transbordo-me além do corpo, batizando sementes abaixo da terra…
Acordai-me de meu sereno coma.
De seus lábios para o meu transmita um novo idioma.
Ridicularizaremos a ordem vinda de Roma
Vertigem.
E tremor por amor.
Oferenda, cheirando doce de leite e virgem.
Deuses com sonolência não demonstram histeria ou alguma outra indiferença…
Estamos condenados?
Psicose.
Suicida.
Mais um número para uma errônea probabilidade.
Gastrite e bronquite para o causador.
Novamente uma forte crise de ansiedade.
Fraqueza.
Anorexia.
Franqueza.
Em filosofia.
Enxaqueca para os heterônimos e suas facetas…
—  O Hipocondríaco, Pierrot Ruivo
Os olhos dilatam frente à soberania da circunferência colorida de sua alma, que por alguns dias troca de cor como quem troca de roupa em dias de verão, tu podes me vender o quanto quiser teus panos e etiquetas, mas o que de fato eu procuro está além do que estes míopes olhos conseguem distinguir. Não adiantas usar a tecnologia ao teu favor, a radiação não salvará a ti, apenas fará com que tu desenvolvas algum tipo de cancro maligno. Sua falsa harmonia não se impregnará em mim, as luzes em amarelo ouro banha nossos corações sobre os labirintos do centro desta cidade. Aqui os prédios acinzentados são a nossa floresta e os cansados engravatados são quem dita às regras. Mas não se preocupem, ao tempo, retranquei em meu interior todas as minhas dores e assim, se preferirem poderei pintar com meu próprio sangue teus prédios monótonos e constrangedores, envoltos em uma camada de poeira que lhe cobre a imensidão de São Paulo, há que nomine isso de arte, eu apenas as chamo com tentativa para sobreviver, para não morrer engasgado, pois tenho inúmeras histórias para contar. Renego a sua fantasiosa fama, o máximo que chego perto desta condição é ser infame ao teu sistema de “bons costumes”. Olhe para si mesmo, bem no fundo de teus olhos, por mais do que cinco segundos neste espelho, me diga o que você vê, além de um ser tão perdido quanto eu. Diga-me por quanto tempo aguentarás viver nesta prisão que você chama de vida? Saibas que em meu dicionário não existe prisões. O gosto cinza de teus lábios não brilham mais em vida como teus antigos admiradores estavam acostumados, hoje tua alma é mais um cinza em tom escuro, talvez tenhas adquirido a epidemia de se viver na agitação desta metrópole. Tuas escalas de cores servem para definir tuas intenções, não abras teu catálogo para dizer-me que preciso de um bronzeado, sou o branco e a escuridão, a luz e tudo aquilo que envolve a solidão…
—  O Inverso de Uma Vida Monocromática, Pierrot Ruivo
Há tempos não entro mais em tua casa, mas tenho decorado cada canto e cômodo, lembro-me dos nossos versos escritos em folhas espalhadas pela casa inteira, desde a sala, cozinha e finalmente o teu quarto. Quarto esse que era palco de nossas confissões românticas e ensaios para espantar a tristeza, onde nos debruçamos diante a fragilidade de dois corpos nus, assustados e de corações acelerados. Assistimos a construção de castelos e sabíamos que não demoraria muito para seu deslizamento, em meio aos escombros de nossas memórias tentamos seguir com nossas vidas. Inevitavelmente, falhamos. Mas estamos nós, a valsar a sós com a nossa solidão, banhada a carência e desejo mutuo, mas o que nos impede de nos reintegramos ao que fomos? Talvez o medo. Dei-te o mundo e minhas palavras, tu fingiste que aceitou, mas escondeu no fundo da gaveta de tua cômoda para nunca achar, assim com vergonha, escondeu-me de teu mundo. Pegava-te pelos dedos e lhe embalava para a terra dos sonhos em meus frágeis braços, olhei-te dormir, antes do sol chegar trazendo uma bela aurora em teu beijo de bom dia. Nadamos no mar de seus lençóis em noites quentes, afoguei-me em tua pele morena canela, não esqueça que as dobras de tuas olheiras costumava abrigar a todos os poemas que lhe escrevi, doce meu. Além dos enredos embaraçados de nossa história, junto de seus cachos emaranhados no começo da manhã. Estamos tão sós, como os nós paralelos deste sapato velho, sabemos que o “nós” é referente a um passado distante. Cuidado minha amante, em uma dessas limpezas que fazes em teu quarto, podes achar minhas palavras e se reapaixonar, peço-lhe que se sentir o impulso, jogue-me fora. Sei que não podes, pois ao se livrar de mim, estará livrando-se de si mesma e creio que você não deseja isso, não agora, que está tão perdida, com todos os mapas e as cartas navegações que simplesmente não contém direção alguma, tua bússola interna não aponta o norte, se há meses atrás teu norte era eu, mas tu acabaste de jogar-me fora e agora resido no aterro municipal de nossa região. Provavelmente a nossa ausência nos machucará, meu doce. Mas ela há de passar, há de chegar um dia em que nos levantaremos e caminharemos em direção ao sol que nos cega às vistas…
—  Ainda Existe Um Belo e Ensolarado Amanhecer Sem Você? - Pierrot Ruivo

Minha terra não tem mais palmeiras
Onde cantarolavam os sabiás
As aves não mais gorjeiam
Aonde você quer que eu vá?

Olá, tudo bem?
Liberte-me da condição de ser teu refém
Bem? “Quase sempre…”
Nossas desculpas são sempre incoerentes

Olhos atentos para um possível novo romance
Foque naquilo que lhe chama a atenção e entre em transe
Os ouvidos estão fechados a qualquer lamento
Todos travestidos de alma de cimento esperando o dia do arrebatamento…

Nesta embriagada multidão
É que nos damos conta que somos uma sóbria solidão
Não cumprem, mas prometem
Matam e esquecem

De todos Aqueles que lhe amam sou o menos nocivo
Preserve-se do soro corrosivo
Num só dia: Frio, chuva e calor
No corpo do trabalhador: Suor, fome e dor

No teu quarto tu podes apalpar as grades
Homem bom, onde está tua civilidade?
De vão em vão tu recusa-se a acreditar
De não em não, tu não aceitas mais amar

O Céu está parado
Pairando no ar o cheiro desagradável do passado
Não há mais estrelas
Nada colore-me mais, nem mesmo tua simpática sutileza…

Tu não sabes mais quem és
Durma na sarjeta ao lado de teu revés
Trace suas pernas em trançadas diagonais
Pais estão a chorar na despedida de suas crias em frente ao cais…

Os reis lidam muito bem com os rumores
Princesas estão a degustar novos sabores
No exílio de uma casa abandonada
Nada pode vencer o silêncio que suplica pela madrugada

Poeta maldito, não de condição
Mais sim em forma de escárnio
Para este idioma pouco importo-me, recuso tradução
Verdades estão trancafiadas no armário

No palco mais sombrio
Reside a saudade do coração mais vazio
Estas belas montanhas não fazem beleza frente ao cerrado
Meu senhor, impeça que meu solo seja privatizado

Ocultismo e fanatismo
Há diferenças?
Pois apenas vejo semelhanças
As duas possuem crenças em murmúrio de suas andanças

Não me venha com esta dupla cidadania
Ao perder o medo de voar venço mais uma fobia
Liberte-me da gaiola e deixe que eu volte para lá
Para a terra das belas cantigas do sabiá

—  A Mais Nova Detestável Canção do Exílio, Pierrot Ruivo
Isolem-me, eu vos imploro, eu não fora feito para a idolatria de seus padrões de beleza. Isolem-me, por favor, não sirvo para as tuas mentiras brancas e suas glórias, não quero desbravar o teu raso e breve mar, mera poça da água. Deixai-me isolado, calado, em silêncio, sei bem que tu és e o que procuras, teus olhos gritam isso, mas ninguém da à devida atenção, como ler bulas e assinar contratos sem a devida interpretação. Dou-lhe as boas maneias que tu nunca pensaste que existiria, efeitos das pílulas, eu sou a desordem que faz o conglomerado farmacêutico cada vez mais rico, minhas juras são puras, sei bem o peso de qualquer palavra antes mesmo de ousar distribuir promessas e sentenças, tomo o devido cuidado com um copo de água misturado com meu remédio. Dó? Não sinta, sente-se e sinta medo, nojo e repulsa, batiza-me como o Gregor deste mais novo século, mas não estou com a minha aparência transmutada, apenas não sigo as verdades absolutas de você e seu infame grupo. Dos transtornos eu tenho todos, sou um colecionador afável, um hipocondríaco a colecionar, nomes e pronúncias em latim. A triste espera do despejar de si mesmo, quando poderei ter o controle, dona dor? Resposta, apenas quando eu cansar de pulsar em teu corpo, até a minha exaustão. Devolva-me para a realidade da qual nunca pertenci e sempre fantasiei, a ansiedade atiça as minhas internas borboletas, que falecem para arritmias cardíacas, sangram e desintegram-se em cinzas, como bom colecionador que sou estou à procura de novos transtornos para chamar-me de meu. Carrego em mim a eterna desventura de ter o vômito entalado em minha garganta, como se este amor já não bastasse. Creio que não há mais espaço para a virtude, reside-me apenas a melancolia, sou o endereço principal da mesma, o centro de todo o furacão, mundano e a paisana, tu nunca saberás quem sou ou por que aderi à causa de fazer-me recipiente da dor do mundo. E sei muito bem que tu não se preocupas com tal fato, o que lhe importa é simplesmente o carnê que chegará no próximo mês, a culpa a pesar sobre seus ombros, culpa de uma compra por impulso, logo você a rainha de todas as estratégia, rende-se com facilidade as estratégias de vendedores. O calor voltou-me a socar a porta, trazendo-me a ira nos secos lábios, teu manual de doenças estereotipadas não podem me definir. Afinal, tu nem sabes quem sou eu de fato, corras para registrar-me um nome impronunciável e isole-me, mato-me ao ter que escolher o teu falso auxilio. Proteja-se, adquiri a pior de todas as doenças, a vontade própria, corras e coloque-me em quarentena, para não empestear aos demais. Tu demoraste demais, meu caro. Isola-me de quem amo, até eles se esquecerem de mim, assim, em paz poderei sumir…
—  Isolamento, Pierrot Ruivo
Text
Photo
Quote
Link
Chat
Audio
Video