infanty

Amores não deviam ser proibidos, é um sentimento puro, é algo que eu não tenho nem a coragem de tentar explicar, mas sei definir e é belo, maravilhoso, é espontâneo, vem de dentro, não forçado, nem sob pressão ou algo que nós inventamos ou queremos sentir, é mais do que palavras, mais fundo que o oceano possa chegar, mais alto que qualquer galáxia, mais curável que qualquer medicamento, você deve ter chegado até aqui e pensado que estou viajando em pensamentos infantis ou inexistentes, mas não, na verdade viajei no sentimento amor, que me proporcionou sentir algo maior que a emoção de ver meu filme favorito no cinema ou terminar meu livro favorito, melhor que meu melhor jogo, que minha melhor festa de aniversário, digamos que é algo que me completa, sim, o amor é aquilo que nascemos em falta, é o nosso destino viver completos não por nós mesmos, mas por outro alguém, alguém que muitos morrem ser ter encontrado, ou apenas não perceberam que sempre esteve ali ao seu lado.
—  Alex Nunes.
Os olhos só sabiam arder, a tristeza já havia ultrapassado os limites e já se instalava dentro de si, as lágrimas abasteceriam a seca no sertão, nelas havia apelo. As pessoas não se perguntavam o por que, mas percebiam sua face estragada, ela se perguntava como perder o que nem chegou a ser seu poderia ser injusto, mas a vida era feita de injustiças, ela pensou que se um homem quisesse estudar e ser um advogado, certamente ele seria um lixeiro, ou até quem sabe, o próprio lixo que recolhe. Mas não era sábia, não era forte e nem se quer tinha ideais. Seus sonhos infantis se foram junto com restos do amor que achava querer ter, mas isso não era por falta de amor, não era um apelo tão emocional. Sua arrogância agora servia de parâmetro, permaneceu na lembrança como o soco que levara todos os dias, viver era um soco na cara, mas ela sabia que era o soco mais bonito e emocionante que poderia ter. Os conselhos eram os mesmos, ir em frente, procurar a felicidade, seguir os sonhos. Sonhos infantis não acontecem, só servem para iludir crianças, para fazê-las dormir em paz. Só que ela cresceu, naquele momento ela cresceu rápido e não se preocupou com o tamanho. O apunhalamento pelas costas, os sonhos arrancados com uma única mão, a mão cruel que se fazia de doce enquanto a ninava em seu berço. Uma hora sonhava, outrora sorria, mesmo estando triste se sentia feliz. Agora tudo não passa de uma ameaça, não sonha mais, não ama mais, não é feliz, mas não deixa de acreditar. Se essa for a lição nunca irá aprender, o sofrimento é algo inevitável, precisa ser instalado em alguém, e quando bate em nossas portas, infelizmente não pede licença para entrar. Enquanto seus medos ainda a atrapalham, se concretizam em: medo de ser infeliz, medo de fazer o que não gosta, medo de não ser nem metade, medo de ser o que não quer, um medo universal que a dizia: Tenho medo de viver e de não viver.
—  Poesografa.
2.3.11

is it selfish of me for wanting him to stay? I honestly would give anything to have him stay. I have only gotten to spend two weeks with him. It’s not fare. I swear it’s like Dear John. I never thought that it could happen in real life, but it has. I’m not in love with Jared, but I feel myself falling. And he leaves tomorrow morning at 8:30. What am I supposed to do for five months? I know I’m going to be worrying myself sick about whether I’ll get to talk to him or whether he’s okay. I know that my family and Whit will make sure that I don’t go crazy. And I plan on going and seeing his family whenever I get the chance to. It’s just going to hurt so much when he leaves.

De acordo com os ensinamentos cristãos, o mal não existe e, se a pessoa for inocente, tudo estará bem. Mas o cristianismo, sendo mal interpretado deste modo, nos tornou infantis e nos roubou de nossa atitude instintiva forte diante da vida, pois todos tentamos ser ovelhas inocentes, e, portanto, indefesas. Isso nos lembra o problema de Saint Exupéry, a idéia da mentalidade de rebanho e a infantilidade. É uma interpretação errônea do cristianismo que nos diz que, se fomos inocentes, nada nos pode acontecer, pois os anjos da guarda cuidarão de nós. Mas a realidade contradiz isso, porque a inocência não adianta nada no mundo e na natureza. Ela é um convite aos lobos.
—  Marie-Louise Von Franz, em “Puer aeternus”.
Dessaborear

Deveriam inventar um dicionário de poesia. Deveriam? Não deveriam. Mais fácil é desinventar o dicionário nosso velho e conhecido sendo desnomeado pela desrazão de ser, seria a partir de então burro dos pais: a novidade é uma ignorância por ser cadastrada. De tal maneira o que se deveria é seguir receita muito simples de criança qualquer conseguir, o que não é na verdade prova da simpleza, que pra criança é bem mais fácil saber sentar de imaginar: mas mesmo pro adulto, já de barbas moças e para as moças de altos saltos, também de desprovida ardureza seria o feito: eis que basta: 1. Um dicionário, qualquer um: desses grandes de laboratório de palavras, redações de jornal, academias de letras, ou esses bem empoeirados de nossa casa, esquecidos ineficazes, mesmo nas horas de apuro doméstico: o que é tal palavra? Sei não. Pois bem, basta mesmo um desses e o jogo está feito: mas não pensem que é brincadeira de infantis modos, embora seja divertido, sério de sobremaneira também não de todo seja.

Funciona assim. Abre-se o livro em página avulsa do bem querer do destino. Assim furtivo, como quem não quer nada, não na cadência dos desesperados por matar a sede e ir direto na letra da palavra buscando definições; a graça começa aí: não se sabe a palavra que se vai achar, o primeiro passo é salto no escuro. Melhor ainda é deixar o livro aberto perto da janela, deixar o vento saborear aqueles inúmeros verbetes: roçar prado, prata, prazer… depois saltar páginas pra frente rocha, rosa, roxa… de marcha ré cair na asa, na azaleia, no azul… o fluxo eterno: escolhe-se ao sabor desse vento a hora de chegada: os meios justificam os sims: Sim, é hora de ver a página estática. Colha de olhos rasos sem mirar muito a palavra e segura na memória: pode ser, por exemplo, sonso. Repita o processo da janela ou vire você mesmo por desvairada desbusca aquilo que não se quer encontrar: pare o dedo na página e leia, não a palavra destacada mas sua profunda natureza: seu código de estar e o delimite para a palavra anterior do pensamento: ficou difícil, eu ajudo. A palavra era sonso, lembra? Não se faça de sonso. Se faça de sonso. Espere, não é uma ofensa: é que agora sonso significa alegre. Assim mesmo: a gente troca as pedras de lugar e fica tudo essa maravilha da desordem: a gente ofende sem ofender, e elogia sem ninguém saber: Seu sonso: diríamos tantas vezes para aquele ser de nosso profundo peito conhecido: sem saber este outro que sonso era agora Amor. Ah, quantas vezes não ferimos por medo de sermos nós feridos pelo que é grande demais: Eu te odeio e ódio era amar desexplícito nessa brincadeira nossa: veja, não é coisa novidadeira: estivemos sempre nesse jogo de rato e gato: seu sonso. Sonso era alegre e alegre que seria agora, pois? Seria outra coisa, busque seu novo núcleo: o que era Bolero. Ah, mas bolero combina com alegria? Não precisa combinar feito roupa de salão. Bolero era agora alegre e a capital do Rio Grande do Sul seria um porto cheio de canções, não é incrível? A brincadeira se faz quase que sem fim, teremos que saber o que bolero é agora… vira a página mais uma vez, eu agora não ajudo mais: fica por sua conta: brincar não tem regra.

Darei uma última sugestão que se torna complexa: mas não tão difícil assim. Você, se tiver, pegue um dicionário de uma não língua sua: aí você faz transfusão de sangue: desse modo: Abre a página de um dos dois: River. Aí você pega o outro dicionário e traduz: Caramelo. A canção seria: Chore por mim um caramelo: mais doce que tristeza e assim continua, faça com outras muitas línguas que por aí se arvoram geminadas: tudo se conecta e se despetala. Pétala pode ser Poetry, e não é a poesia mesmo uma grande flor que a gente desfaz no ar: mal me quer, bem me quer: às vezes ela me quer tanto e é fácil dizer: em outras tantas ela me maltrata e não quer vir. Tenho que buscá-la na estradinha de nenhum caminho, aquela que passa ao lado do rio de caramelo entre o ódio sonso do Amar amor: a gente toca e desencanta a pedra que era prata, ou o concreto, que direto coberto de espelhadas bolhas de sabão, é sonho: e todo sonho é poesia, assim me disse o livro um dia. O que nos alegra é que se pode repetir palavra e trocar ela de vestes: assim nada nunca é parado feito moinho que só gira no eixo de si, ranzinza: se uma coisa for ranzinza, reabra o dicionário e encontre no fundo o carinho e se tudo no mundo parecer desilusão e perda: combina no distraído jeito que aprendeste e revela-se que desilusão é esperança e perda é perfume e não mais o encontro com o que desveio. É por isso, pois, que anda minha vida desse jeito: toda perfumada…

- Caio Augusto Leite

16:07

Quando comecei a organizar tudo, percebi que haviam mais caixas do que eu imaginei que pudessem haver. Caixas com fotos intermináveis, roupas que não uso mais, sapatos que não me servem. Livros que nunca li e bonecas de quando a infância reinava alegre. Quando comecei a organizar a mente, percebi que haviam ainda mais caixas do que antes. Grandes. Pequenas. Caixas de pensamentos, de medos infantis. Tanto pó. Minha caixa de pesadelos, esquecida num canto, já era maior que meu corpo.Quando comecei a organizar meu peito, perdi as contas. Caixas com tristezas antigas, lágrimas secas, poesias sem nexo, ocupavam tudo. Em uma haviam todas as tardes perdidas, noutra, as noites sem sono. Esbarrei na caixa onde guardava todas as minhas saudades. Quis me guardar ali. Quis ficar pra sempre. Não me desfiz das fotos, dos pesadelos ou da saudade. Me organizo melhor quando tua caixa chegar. Guardo nela tudo que sou. 

soulofbirdstuff asked:

Na política do Brasil, o brasileiro, é vaidoso, maria-vai-com-as-outras ou um "cego no tiroteio"?.

Sempre foi de vontade geral no Brasil que o brasileiro discutisse política com o mesmo interesse que discute futebol. Infelizmente, em vez de nos educarmos politicamente, fizemos o contrário: transformamos a política em futebol. Hoje vivemos a mesma onda de discussões futebolísticas, com argumentos infantis para justificar a superioridade do seu “time”, sem que se tenha qualquer objetivo em influenciar outras pessoas, apenas se sentir superior (lembrando que influenciar é o objetivo desta ciência, no fim das contas, não disputar quem grita mais alto).

O que eu vejo nas redes sociais é um cenário até engraçado, parando para pensar. São dois exércitos, um de cada ponta do campo de batalha, atirando flechas um no outro sem parar. O problema é que eles estão tão distantes que as flechas não alcançam ninguém do outro lado, mas mesmo assim ambos comemoram como se estivesse ganhando.

Enquanto isso, a razão, que se achava intocável desde os gregos antigos, planeja fugir do país para não ser linchada.

Quando crianças, a gente quer crescer porque ve os adultos ao nosso redor e acha que o ser adulto deles será igual ao nosso no futuro. Acha que ser adulto é mais legal,pode-se fazer mais coisas. Realmente se há mais coisas a fazer, mas aí entra as responsabilidadea grandes, liberdades grandes, e ser livre assim nos deixa perdidos. Chegou a nossa hora…Nossa vez de sermos adultos.Vai dar um medo, uma insegurança, aquela vontade de não sair do ninho. As vezes tenho vontade de voltar no tempo de criança. Não sinto que estou preparada pra assumir meu próprio nariz. O corpo está, já assumi a maioridade! Mas a mente… Ah a mente… Não que ela seja infantil, pelo contrário, ela é muito madura nesse sentido… Só os sentimentos que ainda são bem sensíveis e infantis.Mas um dia eles terão que crescer também… Espero que não demore muito… Quero ser alguém adulta por inteiro. Alguém que não tenha medo de fazer as coisas sozinha,mas talvez tenha medo de ficar, se sentir sozinha assim como todos. Crescer dói meus caros, dói mais do que se pode imaginar… Mas a vida cobra, as pessoas cobram, e sem você querer, tem que crescer.
—  Crescer é o monstro da vida. -(Camila M.)