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Vou te acordar todos os dias com vários beijinhos, aos poucos para não te assustar. Vou bagunçar o cabelo no qual você acabara de arrumar. Abotoar sua camisa e também desabotoar. Vou fazer seu café, de vez em quando você fará o meu e geralmente faremos juntos. Assim como iremos arrumar a nossa casa, juntos. Assistiremos aos diversos filmes, juntos. Sairemos pra qualquer tipo de lugar, o importante é que iremos juntos… Não por pressão. Mas porque somos melhores assim, sempre juntos. (in-completa404)

Estávamos juntos a tanto tempo, porém tudo era novidade para nós. E ainda é. O namoro, a responsabilidade de carregar no peito uma vida que não é biologicamente nossa, mas cuidamos como se fosse. E principalmente, o desejo. O fogo. O êxtase. Para nós, tão jovens não importava o dia nem a hora, o que importava era estarmos juntos ora beijando, transformando nossos corpos num só. Ora conversando e brincando feito duas crianças.
Sempre soubemos dos riscos que um simples - e maravilhoso - sexo poderia nos causar. Mas sempre estivermos ciêntes, nos cuidavamos, nos prevenimos… Mas nem tudo na vida se controla. Nem tudo pode ser impedido. Como terremotos, tsunamis ou uma distração com a camisinha - E não, não tinhamos percebido -.
Depois de um tempo, percebi a ausência da minha mestruação, mas pra mim, era normal por não ser regular. Então não tive motivos para me preocupar… Não ainda, pois os dias passavam e sempre havia algo de diferente comigo. Fome fora do comum, seios doloridos e de brinde, muitos e muitos enjoos. Agora sim, eu tive motivos.
Numa manhã, saltei da cama e resolvi acabar com minha angústia. Dei como desculpa a minha mãe que iria comprar besteiras para comer e fui até uma farmácia mais próxima, comprei uns três teste diferentes, os melhores segundo o farmacêutico. Ao chegar em casa, fui direto pro banheiro, que por sorte ficará próximo ao meu quarto. Com o meu nervosismo, xixi na bexiga não foi um problema. Fiz os três de uma vez. Esperei, esperei e esperei. Minha angústia tinha apenas começado. Os três deram positivo.
3 meses se passaram. Meu namorado já sabia, acho que ele aceitou com mais facilidade que eu. E isso me deixara feliz. Não conseguia encarar minha familia, mas minha barriga já estava começando a aparecer. Então, eu e ele resolvemos contar juntos. Foi o pior momento da minha vida, minha mãe chorava enquanto meu pai não aguentou e se levantou… Mas ao mesmo tempo, foi o melhor momento da minha vida. Sabiam que naquele momento a única coisa que eu realmente precisava era de apoio. E eu tive.
Na semana seguinte, fomos fazer um ultrassom. Apenas eu e ele. Não sei responder quem estava mais nervoso. Aquele gel gelado passando na minha pequena barriguinha. Minha mão segurando firme a mão dele enquanto meus olhos não desviavam do monitor… Era uma menina. Uma linda, pequena e saudável menina. Chorei. Choramos.
O tempo passava. 5, 6, 7 meses. Cada vez uma surpresa diferente. Já tinhamos uma casa para nós, perto dos meus pais. Montávamos o quarto dela juntos. Minha bebê estava ganhando bastante peso, e a mamãe também. Eu mal dormia, nenhuma posição me agradava. Exceto uma… Eu poderia permanecer nos braços do meu marido por horas, sentindo aqueles deliciosos chutes que ela dava.
Com 8 meses, minhas consultas médicas ficaram mais frequêntes, minha barriga estava enorme e baixa. E minha bebê bastante ativa e inteligênte. Meu marido teve que continuar montando o quarto dela só, enquanto eu ficava sentada em uma poltrona rosa, observando-o com os mesmo olhos apaixonados de quando nos conhecemos. Não sei o que eu faria sem ele… Me ajudou tanto. Perguntava de minuto em minuto se eu estava bem ou se queria algo. Me surpreendia com massagens e me colocava pra dormir em seus braços como de costume.
Mais um mês se foi, e o melhor dia da minha vida se aproximava. Acordei um dia toda molhada, ou melhor, encharcada. A bolsa havia estourado. Levantei e acordei o meu marido que deu um salto da cama desesperado, dei risada pedindo para que ele ficasse calmo. Pois eu não sentira nada ainda. Fomos tomar banho juntos, ele me ajudou a vestir. Pegamos a bolsa dela que já estava preparada a algumas semanas e fomos para o hospital, onde comecei a sentir dores… Que ficavam cada vez mais frequêntes e insuportáveis. Depois de um belo tempo, só lembro-me de fazer força. Força, força e mais força, até ouvir um choro lindo. O choro da minha filha. Segurei-a firme pela primeira vez, beijei-a e sussurei em seu pequeno ouvidinho: “Eu te amo. Mamãe está aqui

Eu não sabia como seria dali para frente. Mas sabia que era o começo de algo lindo. Naquele momento, só pensava em protegê-la de tudo. Uma nova história estava prestes a começar. E tive uma única certeza… Eu e meu marido nos sairiamos muito bem. (in-completa404)

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