fotonovelas

Já sei de tudo sobre mim, tomei mais de cinquenta ácidos, fiz seis anos de análise, já pirei de clink, lembra? Você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhava entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária e bababá bababá. As pessoas se transformam em cadáveres descompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, voltei a isso que dizem que é o normal, e cadê a causa, meu, cadê a luta, cadê o po-ten-ci-al criativo? Mato, não mato, artodôo minha sede com sapatinhas do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, neste apartamento que pago com o suor do po-ten-ci-al criativo da bunda que dou oito horas diárias para aquela multinacional fodida.
—  Caio Fernando Abreu.
Música en español de los 80's

Maquillate - Mecano

(España - 1982)

Fotonovela - Ivan (España - 1984)

No tendo dinero - Righeira (Italia - 1984)

No controles - Ole Ole (España - 1983)

No huyas de mí - Kenny y los eléctricos (México - 1988)

La Perse no está en venta

Left Hand Rotation

Bogotá, 2013

Equipo Artístico: Carlos Brínez, Chucho, Doña Tere, Fabien Vial, Jerry, Juliana Rojas, Melitón Buscema, Pegajoso

Equipo de Guión y Fotografía: Andrea Bonilla,Andrés Jurado, Chucho, Fabien Vial, Juliana Rojas, Pao Martina, Paola Luna, Pegajoso, Rubén García, Territorio Luchas, Wallace Masuko, Zuzu Jaramillo


Esta publicación es resultado del taller “Gentrificación no es un nombre de señora” que impartimos en Bogotá  en septiembre, durante las jornadas prácticas del mismo se propuso a los participantes la creación colectiva de una FOTONOVELA cuyo argumento facilitara la comprensión de las problemáticas asociadas a los procesos de gentrificación a través de la ficción. En definitiva, una publicación que funcionara como artefacto de difusión para facilitar, por una parte, el acceso a la comunidad local a información sobre los impactos y problemáticas asociadas a dichos procesos, y por otra, favorecer un ejercicio de reflexión entre los participantes y público de La Otra, Bienal de Arte Contemporaneo sobre el papel de la clase creativa en los procesos de gentrificación en barrios bogotanos como La Macarena, La Perseverancia o Bosque Izquierdo.

Puedes consultar la publicación online aquí.


“Claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de  análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava
soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era  triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo?”