Sou um sopro de vento
Destilado da maresia da vida,
Perdido por suspiros cortados
Dentre nuvens de emoção caída.

Preenchido pela sinfonia
De notas cruzadas,
Desgarradas pela vida.
Oh, que notas desgarradas.

Um espelho de uma ninfa prendada
Por silêncios de um tempo passado.
Inspira-te, prende-te em mim
Ao longo dessa alma amada,
Sejamos silenciosos assim.

Sou filha do vento,
Mãe do relento
Desvairada tempestade…

Amante do contratempo,
Esquecida do pensamento
Aquele entrelaçado de saudade.

Pensamos nós na amizade,
Desejamos tanto alguma felicidade!
Que fique, no entanto, o sentimento…

Serão marés,
Aquelas nossas rés
Seguras em nossos pés.

E o suave sabor da vida se faz
Em tons de luz, em tons de paz
Por entre as cores daqueles aromas,
Aqueles que toda a tua vida somas
Pelas primaveras que passas.

Pé ante pé, eu te mostro…
Eu caminho e me postro
Diante daquelas mágoas,
Aquelas doces águas.
Elas saem de meu peito,
Diante do nosso leito
De frescuras vividas e apagadas.

São olhos que se erguem para o céu,
Aqueles que vivem pelas estações.
Uns dias chove, outros Neva.
Existem raios de Eva,
Outros escuros como um bréu,
Daqueles que choram suas lágrimas.

Diz-me, coração maldizente…
Qual será a tua estação do ano,
Assim de repente!
Qual tornou o teu raiar,
No nascer de ti,
No teu berrar…
Das horas em que alguém sorri.
Horas de um ser insano,
Que doeu, que gemeu, que gritou!

Foram naquelas Estações descontentes,
Que geraram teus olhos, tua boca, teu sentir…
Custa muito - à tua Mãe Natureza,
Sorrir?
—  Estações do Ano, ◘ Sofia Duarte

Inspirei-me em brisas do mar,
Para que o vento me levasse
Aquela vida que teimava em me matar
E me perdoasse,
Aquele amor que cresce,
Dentro desta alma que desaparece,
Quando te olho…assim…a divagar.

Voei dentre as letras, sentindo-te
Resplandecente dentro de mim,
Toda a minha alma ficava pedindo-te
Que fizesses parte do meu fim.

Inspirei-te luas, deixei-te marfim…
Pensei banhar-me em ouro, em prata
Para que gostasses de mim,
Mas até hoje, ainda é a data,
De que te sonho a cada noite e me perco,
Naquele sentir incerto…

Inspirei-te, senti-te.
Perdi-me de mim.
Demasiadamente, fui eu, que vivi-te.
E tudo isso me fez assim.

O Universo é apenas um pedaço,
Daquele amor que sinto por ti.
Fecho os olhos e sinto o teu abraço,
E, por tudo aquilo em que te amo, renasci.

—  Inspirei-te, ◘ Sofia Duarte
Mênfis, abençoada
És tu, divina inspiração.
Protegida pelos deuses,
Amada pela arte.
Diz-me, terás também coração?

De lá nasceram flores cantantes,
Céus que choviam aguarelas,
E todas as outras pinturas alucinantes…
Oh, que artes se tornariam aquelas!

Diz-me, deus das artes,
O que são para ti as flores?
Algumas singelas, divididas por partes…
Ou um misto de cores,
Um conjunto de sentimentos sedutores…
Que se despertam pelos aromas que não se vêem,
Oh, tão infortúnios, tão dourados,
Esses tons que tanto se têm,
Fustigados nas gravuras de maus autores.

Dá-me rimas, dá-me entelinhas…
Quero brindar-te de sabores!
Deixa meus lábios selados…mal amados,
Para que eu ouça os tambores
Daqueles teus passos, ritmados…
Dessas tuas passadas finas
Em cada traço das minhas letras,
Em cada ecoar da minha voz.

Ptah, e eu te peço.
Não, não por mim, mas por nós…
Deixa sorrisos pelo mundo…
Que eu não te impeço
De despertares em mim pesadelos,
De um sentimento atroz.
Que saiam histórias,
Que elas me marquem.

Sejamos loucuras serpenteadas de outras vidas…
Seremos loucos, divinas comédias!
Numa liberdade desmedida,
Numa arte sentida.
—  Ptah◘ Sofia Duarte
E essa tua senhora, majestosa
De se ler, predilecta
De se ter.

Que seus beijos sejam sentidos dados,
Que seus lábios toquem no fundo da alma
De todos aqueles leitores mal amados…
Cujas tuas letras tanto acalma.

Que beleza enaltece, esse beijar de tal senhora.
Transforma lágrimas em sorrisos, isso tanto acontece!
No tempo em que te lê-mos, nessa hora
Em que tua senhora beija,
Em que cada entrelinha chora
A majestosa mestria do teu escrever.
Por isso aqui vim, menina leiga, te enaltecer!
—  ◘ Sofia Duarte, sobre esta ‘senhora do beijo

Sejamos tempestade,
Que nossas bocas se façam chuvosas.
Deixemos que a saudade,
Essa louca como poucas talentosas,
Nos dê a oportunidade
De sentir todos os espinho de rosas,
Que nós colhemos, docemente…
Que deixamos servir-nos ao longo da antiguidade…
Deixemos de lado a infelicidade,
Busquemos dentro de nós a nossa mente!
Porque breves letras saem obscuras,
Daquele sentir tão demente!

Nunca te fustigaste no que procuras?
Beija-te sobre o reflexo, fustiga-te!
Deixa todo o peso para trás, encontra-te!
Não fossem as loucuras nossas,
Aquelas que voam como mariposas…

São tantas as cores,
Os sabores, os amores…
Fustiga-te, beija-me no silêncio dos teus lábios.
Perde-te bem longe daqueles que se chamam de sábios!
Fustiga-te… Deixa-te pela tempestade,
Encontrar-te-ás sobre as flores,
Desnudadas…

—  Fustiga-te, ◘ Sofia Duarte
Despede-te do mundo, entrega-te a mim,
Perde-te sobre as minhas veias,
Sente aquele pulsar sobre nós,
Vive aquele pulsar que nos inunda!

Pinta-te de ouro, promete-me a tua vida,
Despe-te sobre as minhas mãos,
Perde-te sobre as minhas garras,
Sente a impureza do teu olhar sobre o meu corpo,
Abre os teus olhos, sente aquilo que desejas.

Inundas sejam todas as horas que te entregas a mim,
Consumadas será a tua sina, perante mim.
Olha-te ao espelho, vê-me em ti…
Sentes a entranhar-se em ti o meu puder?
Perde-te sobre a minha escuridão,
Faz de tua alma minha,
Faz de tua sina uma causa perdida…
Preenche o que és comigo, vem…
Sabes que é isso que o queres,
Despede-te de ti, deixa-te em mim!
— 

Conjunto de poesia ‘7 Pecados’, Luxúria.

◘ Sofia Duarte

Apodera-te de mim e estilhaça-me!
Sinto o teu pulsar, minha ira,
Queima-me sobre as tuas labaredas eternas
Que teimam em castigar-me.

Jamais possa eu perder-te,
Jamais possa eu perder-me sobre os teus braços.
Mata-me por dentro, remete-te ao silêncio
Congelado das horas que te escondes de mim.

Despeço-me de ti a cada segundo,
Não permito mais que cá voltes,
A porta fica aberta sobre o teu olhar fervilhante.
Deixa-me, vai-te embora.
Deixa-me, não voltes.
Aniquila-te sobre as minhas mãos,
Acaba-te comigo!
— 

Conjunto de poesia ‘7 Pecados’, Ira.

◘ Sofia Duarte

Repudio-te com toda a minha imensidão
Dispersa em ti.
Não fosse esse meu coração,
Um vácuo de sentimentos idiotas,
De ilusórias perdições.

Abre-te de mim, arrancado a sete.
Enaltece-te pelo meu olhar negro,
Aquele que se escurece por ti.
Diz-me qual o teu segredo,
Qual aquele teu medo…
Que tanto me perde,
Que tanto me mata.

E não fosse eu odiada,
Sem falar por ninguém…
Sem falar de alguém.
Fosse eu odiada por ti,
Doce ilusão de uma maça envenenada.
—  Ode ao Ódio IV, ◘ Sofia Duarte
Cuspo directo do caderno,
Lembranças que mais parecem inferno.
Apetece-nos gritar,
Até gritar pelas artérias!

Dinheiros de lavagens escondidas,
Verdades de merda desmentidas.
Horas extra que se fazem,
Mais dívidas que se trazem.
Mentiras, luxurias, crises…
Novas eras para olharem
Para os seus próprios narizes.

Era uma Era de verdade,
Aquela morta pela saudade…
Diante daqueles que hoje gargalham,
Sobre os povos pobres que barganham.

Políticas, meros circos
Diante de todos aqueles ditos,
Palavras melhores, saídas do inferno.
Ilusões consumistas, padecer eterno.

Umbigo meu, Umbigo teu.
Política do ‘quem importa sou eu’.
É o meu país, e também o teu…
Oh, paz e caridade…
Ficas tu pela tão distante saudade,
De umas horas de fome de comida
Mas de barrigas cheias pela bendita
Honra que povoava o mundo.
Agora, tudo o que resta,
É aquele estar-se imundo,
Não nas ruas, nem nas estradas….
Mas nas mentes, naquelas tão ocas mentes.
E, os políticos riem, todos contentes.
Porque, de ouro, se fizeram seus dentes.
—  Política, ◘ Sofia Duarte
Aqueces minha alma,
Minha loucura, e meu corpo.
És-me luz, és-me vida, és-me inferno.

És-me luz…
Diante daquelas células que te sentem,
Mesmo de olhos fechados, me seduz
Esse teu calor que irradias.
E nem minhas pupilas mentem,
Quanto dessa luz alumias
Ao nascer dos meus dias…

És-me vida…
Dias que se abrem junto a ti,
Momentos em que meu corpo te sente,
E que ele se embebeda sobre ti.
Ao qual o sono vem a muita gente!

És-me inferno
Por aquelas horas que parece
O calor eterno!
E toda a minha alma padece,
Se perde, como um enfermo.
E, tudo e nada, não me apetece…

Adoro sorrir-te, sentir-te!
Adoro viver-te, esconder-te…
Diante das horas, das cordas
Em que te prendo dentro de mim,
Enlaçado a meu coração!
Raios de sol da minha emoção,
Ou ilusão… Não posso esquecer-te.
—  Raios de Sol, ◘ Sofia Duarte
Que brancura é essa
Menina branca, fria de luz?
Nessa suavidade que muito pesa,
Aquela que tanto nos prende,
Tanto nos esfria…
Fascinação e causa de alegria.
És tu, aquela que nos entende?
Nas horas em que entramos em desarmonia?

Brancura minha, brancura nossa…
Fica connosco pelo Natal, sempre que possa…
Para que aquela magia
- Ah! Que tão doce harmonia! -
Se perca junto a nossos avós.

Cais tão doce, tão leve…
Pareces nossas vidas
Pelos nossos sentimentos!
Tua doçura e leveza
Se torna dura, fria e pesada…
Pelas horas em que a tua harmonia se desfaz.

Tal como a nossa sinfonia dos dias,
Tal como a nossa paz…
Tal como a tua beleza,
Tua força, quem a faz?
—  Neve, ◘ Sofia Duarte
Tell Me

Tell me that this world gonna end,
Death is approaching; I see it out in the rain.
Can you find me anywhere?
Wanna spend all life dying?
We can always die, one day, another one…

Why do you spent them in lies,
Working in something that can never change?
Gray may be the color, if I ever had a heart.

Tell me that all will end,
Can I die already?
Tell me, I don’t wanna know,
I don’t wanna see and fell…
Maybe it would hurt just a little,
Without a soul, no more death
Can come from me…

◘ Sofia Duarte

A chuva caía pela imensidão da sua pele,

Eram doces olhos, aqueles verdes, despedidos

Pela vida que se atravessava pela janela.

Como podiam tantos pesos serem sentidos

Numa simples alma, voadora, sentinela?

Talvez o mundo fosse escuro demais para ele…

Talvez tudo parecesse que jamais traria o fim.

Porque sua alma se sentia tanto assim?

Talvez o sol voltaria, brilhante, pelos seus olhos

Ou simplesmente o peso o faria cair de giolhos…

Mas,

Se ele fechasse o seu olhar,

Conseguiria sentir o flutuar

Do seu nome, aquele que se ouvia pelo ar…

Quem seria que o estaria a chamar?

Era uma suave melodia que a chuva tocava,

Sinfonia se fazia diante de sua alma,

Aquela fustigada pela tempestade das emoções.

Um abraço se fez pelas lágrimas,

Um amor que se cresceu num abraço…

Querido, quantas cores terá o nosso arco-íris?

Não são cores, meu caro, não são simples cores…

Serão mil e um sabores de nós, aromas nossos!

Sejamos prados verdejantes, angustiantes almas,

Aquelas que correrão sorridentes no infinito do amar.

Ousarás ser infinito comigo?

◘ Sofia Duarte

Eram transparentes, malditas!
Aquelas que serpenteavam
Doces memórias, benditas!
Onde a mente e o coração recordavam
Cada respirar nosso,
Cada gargalhada bem dada…
Aquele falar só nosso,
De uma vida tão prendada!

Abraça-te a mim,
Deixa que a saudade se vá!
Para que depois nós, por fim…
Oh, deixemos a vida como está.

Incertezas se fazem certas,
Tanto quanto nossas vidas perdidas,
Se procuram dentre portas entreabertas
Que desejamos serem saídas.
Nos perdemos,
Enlouquecemos!
Gememos,
Choramos…

Tanto, mas tanto, amamos
Que nosso coração se transparece
Na mais pequena dor que soframos,
No mais pequeno sentir que nos aquece.

Sejamos a ironia,
Sejamos a vida,
A nossa própria sinfonia!
Até que encontremos saída.

—  À procura da saída? - ◘ Sofia Duarte