Eis o melhor e o pior de mim. O meu termômetro, o meu quilate. Vem, cara, me retrate, não é impossível. Eu não sou difícil de ler, faça sua parte. Eu sou daqui, eu não sou de Marte. Vem, cara, me repara, não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim. Só não se perca ao entrar no meu infinito particular em alguns instantes. Sou pequenina e também gigante. Vem, cara, se declara. O mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder, olha minha cara, é só mistério, não tem segredo. Vem cá, não tenha medo a água é potável, daqui você pode beber. Só não se perca ao entrar no meu infinito particular…
—  Marisa Monte, Infinito Particular
Que você cresça para ser justo. Que você cresça para ser verdadeiro. Que você sempre saiba a verdade e veja as luzes ao seu redor. Que você seja sempre corajoso, fique em pé e seja forte. Que você fique jovem para sempre.
—  Bob Dylan, Forever Young
Paz. Eu quero paz. Já me cansei de ser a última a saber de ti. Se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde, eu já cansei de imaginar você com ela. Diz pra mim se vale a pena, amor, a gente ria tanto desses nossos desencontros, mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais… Eu quero paz. Quero dançar com outro par pra variar amor. Não dá mais pra fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fez. Se desta vez ela é senhora deste amor, pois vá embora por favor, que não demora pra essa dor sangrar.
—  A outra, Los Hermanos
Adeus você, eu hoje vou pro lado de lá. Eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar, vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão, procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar. Quero ver você maior, meu bem, pra que minha vida siga adiante. Adeus você, não venha mais me negacear. Teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar. Acalma essa tormenta e se aguenta que eu vou pro meu lugar. É bom às vezes se perder sem ter por que, sem ter razão. É um dom saber envaidecer por si, saber mudar de tom. Quero não saber de cor também pra que minha vida siga adiante.
—  Los Hermanos, Adeus você
No dia em que ocê foi embora, eu fiquei sozinho olhando o sol morrer por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois. Os edifícios abandonados, as estradas sem ninguém, óleo queimado, as vigas na areia, a lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos, por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas, pois no dia em que ocê foi embora, eu fiquei sozinho no mundo sem ter ninguém. O último homem no dia em que o sol morreu.
—  O último pôr-do-sol, Lenine
Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem “sim!”. Por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim. E, se tiveres renda, aceito uma prenda. Qualquer coisa assim, como uma pedra falsa, um sonho de valsa ou um corte de cetim. E eu te farei as vontades, direi meias verdades sempre à meia luz. E te farei, vaidoso, supor que és o maior e que me possuis. Mas na manhã seguinte não conta até vinte: Te afasta de mim, pois já não vales nada, és página virada descartada do meu folhetim.
—  Chico Buarque, Folhetim
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