escorregando

Sabe aquela sensação de que aquilo que vc tanto gosta e quer perto, está escorregando pelos seus dedos e vc não pode fazer nada. Uma sensação de impotência e de falta de controle, dói. 

Estou sozinha, estou sozinha, estou sozinha - gemeu, afundando ainda mais na realidade de seu buraco solitário, a cada vez que ouvia a própria voz enunciar as palavras. Podia se sentir escorregando para aquele buraco demente. Sozinha.

alice

Guardo meu arco, desço escorregando do telhado do castelo até a janela, quando eu chegar nela eu me penduro e pulo dentro da janela.

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caindo escorregando

“Dust in the wind”

A vida que há em mim se esvai aos poucos, não consigo contê - la, ela está escorregando para o esquecimento e a escuridão silenciosamente como um gato. Eu sei que tantas coisas maravilhosas eu poderia fazer para o meu próprio bem, para minha própria felicidade, eu apenas não consigo, vou empurrando o que resta de mim com a barriga como se eu tivesse todo o tempo do mundo.

Eu carrego alguma mediocridade em mim, eu sei o que pode me fazer feliz, sei por que me sinto assim, sei o que fazer quanto aos meus problemas. Mas é como se fosse um experimento que só funciona na teoria e nunca na prática, sempre há uma variável na equação que dá errado.

 Nossa existência é algo tão belo, não sabemos de onde viemos ou para onde iremos, é um mistério. Mas as pessoas apenas esquecem esse fato. Um dia a matéria acaba e só irá restar lembranças, momentos. Eu me pego pensando o quão burra eu sou por estar ciente de tamanha beleza e efemeridade mas não saber aproveitá - las, digo a mim mesma que talvez eu seja um pouco imatura para saber como aproveitá - la, talvez eu até saiba como mas eu sou apenas mais uma alienada na sociedade. Eu realmente queria conseguir viver por mim mesma sem sequer me importar com o que os outros pensam. Mas isso é quase impossível para mim, assim como disse Augusto dos Anjos “O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.“ e eu nunca li algo tão verdadeiro. 

“Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço. Uma fita dando voltas? Se enrosca, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer lugar onde o faço.E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual aos pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso… Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser um laço.”
— Mário Quintana.

A calmaria volta.

Ravenna vai escorregando, deitando sobre Kayla que já dormia. Clayter larga sua espada, e escorregando por um pedaço de parede senta encostado nela, apagando também. Ian deita de costas no chão de lava resfriada mas quentinha para uma soneca, os pingos de chuva batendo em seu rosto. Elkas apoiado em seu cajado senta no chão de pernas cruzadas, e juntando as mãos como se estivesse apenas meditando, também deixa as pálpebras pesarem. Ania mais afastada do grupo, atrás de alguns destroços de parede emendados a lava que virou rocha, se recostou e ficou por lá. Os monges se recostam costas a costas, o barbudo dá um trago e passa para o outro que agradece e também dá um trago, antes de ambos também cederem. O que restou foi Robin, soltando ao chão o machado que parecia muito mais pesado que o normal, e com as pernas fraquejando, cede ao cansaço, e apaga.

AFOITA FALA

Pela lógica, ficaria na garganta
Mas se joga em voz desajeitada
Afoita, a fala se projeta na calada
Debilitada, ora de alta, se levanta

Adiada, agora alada, ateia vôo
No alvo ouvido da mulher querida
Que, desarmada, o recebe ou…
É de espanto que se vê rendida

Rodeia a orelha, qual abelha zunindo
E desce, escorregando em tobogã
A essa altura, a relutância é vã

Já encontra o coração se abrindo
Diz, deslizando, o dizer bem-vindo
Sobrevindo com o afobado afã

O seu toque…antes de qualquer coisa seria capaz de me levar a loucura, fazer meu coração acelerar, o seus dedos escorregando vagarosamente entre minha pele, nossos corpos mais juntos que nunca, sentir…o gosto do prazer em minha boca, e meu corpo com desejo absurdo por você, como se meu corpo fizesse um pedido imediatamente do seu. Meu coração tão acelerado com seus toques, responde…ainda tomada pelo imenso prazer de tê-lo, só para mim, apenas pra mim. A sincronia perfeita para nós dois, minha mão entrelaçada na sua, nossos corpos unidos - como se fossemos feitos para ser um. Sentir a cada segundo, o prazer que me dá, o prazer de amar te, amar nossos corpos encaixados, e nosso coração no mesmo ritmo. Um batendo pelo outro. Amar você.
—  Pó de estrelas.
Como é engraçado… Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço. Uma fita dando voltas? Se enrosca, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer lugar onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual aos pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor é isso… Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser um laço.”
— Mário Quintana.
Fire and Death

E o monstro pega adam com sua enorme mão, o ergue alto no ar, abre a grande boca, e Adam cai lá dentro, e ele fecha.

Adam cai em cima da língua gosmenta, e agora olhando de perto, ele parecia ser uma colcha de retalhos, feito de partes e partes emendadas umas as outras. Aos poucos vai escorregando para dentro da garganta.