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Hoje eu decidi gostar, amar, ou sentir seja lá o que for por você porque ontem não foi como eu esperava. Achamos que somos muitos fortes, mas somos tão fracos que nos agarramos às suposições. Eu supus que minha vida poderia voltar a ser minimamente como era antes, antes do seu abraço, das suas palavras impensadas, do seu jeito de estar comigo e nem mesmo por um segundo deixar com que eu me sentisse sozinha ou carente de algo. Supus que não pensaria mais em você e que os dias não seriam tão chatos. Mas isso era a minha parte orgulhosa falando mais alto, porque no fundo, naquele lugar dentro de mim que eu te amo mais que tudo e não deixo que ninguém veja, eu queria é ficar com você e deixar você ficar comigo. Longe do outro não prestamos para nada. Não que a gente tenha nascido para ficar junto, sinceramente não acredito nisso, apenas nos esbarramos e de uma maneira absurda eu gostei de você — vamos pôr a culpa nos seus olhos azuis, eu amo azul. Mas acredito que juntos somos melhores, somos mais completos e eu não fico por aí achando que tem alguma coisa faltando. E para não estragar o amanhã, fazendo com que ele seja igual a ontem, vamos fazer o hoje durar para sempre ou pelas horas restantes deste dia, tudo bem? Só prometa voltar para todos os amanhãs que ainda nos restam.
—  Evelyn Cardoso 
Cansada. Não há outra palavra, não há modo bonito, simplesmente não há. Sou incapaz de explicar no momento, ou em outros. Só não quero mais, não insisto mais e não me preocupo mais. Eu até queria escrever, acredite em mim. A escrita me ajudou tantas vezes e me aliviou quando eu pensei que fosse explodir, mas agora, a minha vontade é de fugir, de sumir, de não aparecer e encontrar tudo igual outra vez. Esta não sou eu, ou talvez sempre tenha sido. Falta o sentido, falta aquilo que por anos procurei. Conforto. Eu sempre quis conforto. No coração, na mente, ao olhar para as pessoas, deitar a cabeça no travesseiro e pôr o pé na porta de casa. Tentei, sempre que não quis tentar, deixar de lado o que me abatia e seguir em frente, não ter olhos e ouvidos. Finja, mesmo que por um instante, me entender. Já se esgotaram as palavras, pois o resto eu fiz questão de engolir. É que desistir requer um certo esforço, e admitir não ser tão forte assim, quase esgota as forças.

Eu vivo em prisões. Respiro uma ou duas vezes por dia. De resto, estou presa nas minhas burrices e teimosias. Tenho os ouvidos cheios de palavras amigas, mas não as que eu queria ouvir ou as de quem eu queria ouvir. Há muito tempo, ele me salvou para me abandonar no canto da estrada novamente, com danos piores. Culpa minha, talvez. Culpa da minha mente fechada. Eu me afundei, por simplesmente não querer emergir. Faço um pouco de drama, eu sei, mas assim ponho a emoção que todos gostam ao ler uma história de vida. Não sou sociável, conheço no máximo umas cem pessoas. Digo, pessoas de verdade. Infelizmente, também conheci o pior dos bueiros e valas, fui um deles. Fui diversas pessoas, para ser sincera. Não tenho defesa, não tenho álibi. Culpada, eterna eu. Cansada, roubaram-me as forças, quebraram-me as pernas, rasgaram-me por dentro, tiraram-me tudo. Beba o meu drama. Talvez em sua boca tenha gosto doce, pois na minha amarga muito, mais do que posso suportar. Bato a cabeça na janela do ônibus, ouvindo aquelas músicas encorajadoras enquanto tento limpar a garganta. Envergonho-me também por dizer e fazer mais do que queria. Eu já os magoei. Sei que se entristecem quando jogo tudo para o alto e fujo até a fome e a rua me expulsar, fazendo-me retornar com a culpa embaixo do braço e ouvidos abertos para sermões que finjo ouvir. Não tenho jeito, cheguei a essa conclusão um dia desses. Mas ainda posso tentar, eu acho. Tristeza vicia, é o que me disseram. Então o que impede a felicidade de causar dependência? Eu sinto que algumas mãos ainda não desistiram de me segurar. E que ele, de todos o mais importante, só espera que eu levante para me pegar em seus braços.

O chão, a morte, o escuro e a tristeza já não me querem mais, carcereiro.

—  Evelyn Cardoso
Eu te amei calada, enquanto cada molécula do meu corpo pedia o grito, a força, a coragem para dizer. Despejei nos seus olhos as palavras que me inundavam e me tiravam o chão, porque eu levantava voo, quando entre um pensamento e outro, eu era levada até você. O céu me assustava e a falta de firmeza que você causava em mim, fazia-me recuar dos meus avanços cautelosos, dobrar a língua e engolir a declaração que estava quase escapando da garganta. Você deveria ter sabido, assim como eu deveria ter dito. Mas acho, que quando você dispensava a voz e preferia o sussurro, você sabia.
—  Evelyn Cardoso
Então a gente morre, um para o outro, um no outro, um e o outro. A gente vai embora. A gente esquece ou finge esquecer, mas mesmo assim a gente fica, e quer ficar até criar raízes e não poder ser arrancado mais. A gente sente por todas as vezes que se calou e deixou que o orgulho falasse por nós. A gente sente por se despedaçar, por ferir o outro e não conseguir pedir perdão. Há perdões entalados na minha garganta e eu cuspo se você cuspir os seus. Há nós dois em todo canto tentando voltar para o início e esquecer destas baboseiras que fazem da gente final. A gente se encontra numa rua qualquer, enquanto está tentando levar a vida sem o outro, e pede com os olhos para voltar. E eu volto, mas na mente, na lembrança, torcendo para você seguir meu rastro. A gente vai, mas não quer ir. A gente finge morrer o tempo todo, mas a verdade é que a gente fica quietinho, descansando dentro do outro, lutando para não ir embora.
—  Evelyn Cardoso
Ir pelo caminho contrário, passar pelos menos cantos, tropeçar nas mesmas pedras e cair nos mesmos buracos que antes pareciam tão fundos e hoje, não machucam tanto. Eu sei que somos acúmulos, que precisamos seguir em frente e que o passado faz de nós o que somos neste exato momento. E se me perguntarem o porquê deste meu desespero, desta vontade de fugir do que sou, não saberei a resposta. Creio que estou passando por um destes momentos da vida em que perdemos nossa identidade por aí e erramos, e muito, até nos acharmos. Acho que me perdi, mas como ter certeza? Tenho, infelizmente, medo dos passos seguintes, medo de avançar. É apavorante e ao mesmo tempo emocionante não saber o que me espera, e às vezes o pavor supera a emoção. Então eu me encolho e desejo poder voltar àquele tempo em que tudo parecia ser mais fácil. Covardia, eu sei. Mas a coragem, a que todos falam, ainda não aprendi como usar.
—  Evelyn Cardoso
Encontre-me quando as mãos se desprenderem e os olhares não se cruzarem mais. Procure-me quando meus rastros estiverem apagados e todo o pão que eu joguei devorados pelos monstros que nos rodeiam. Agarre-me quando os trapos que visto estiverem remendados, assim como o coração que abrigo no peito e reservei a você. Pegue-me em seus braços, pois só neles posso repousar e pôr os pensamentos para dormir. Entenda-me, ou pelo menos finja, quando lágrimas falarem mais que minha língua. Seus lábios ainda queimam em minha bochecha pálida, junto com seu nome tatuado e mergulhado em meus olhos, que querem a todo tempo mais de ti. Espero-te nas linhas não escritas de uma história que ficou maior que nós dois e fugiu ao controle, embaixo das pedras que guiaram seus pés e me fizeram tropeçar, seguindo a direção oposta à sua. Sonho no seu colo, repouso nas suas carícias irreais, torcendo para não abrir os olhos, pois nossas noites são iluminadas por estrelas que escolheram brilhar para apenas um de nós. E o braço esticado que agarra o vento me faz querer correr as milhas que poupei meus pés. Mas o sol só nasce emoldurado em minha janela e as portas não ousam se abrir a mim, pois elas sabem que me perderia em uma destas armadilhas que parecem me levar a você mas me fazem andar em círculos e voltar para o interior destas quatro paredes de saudade. Então me leia nos sopros do vento que te cato a cada minuto, jogando-me na mesma medida que te busco. Encontre-me na estrada onde os amores começam e terminam e torça para que o destino, ou o que for mais conveniente, decrete o nosso recomeço. Reconheço o nosso fim, mas meu coração que ainda carrega a sua marca grita o seu nome em meio ao silêncio que você deixou. Reencontre-me. Eu estou aqui.
—  Evelyn Cardoso
Menina estranha, quase sempre teimosa, quase nunca sensata e indescritível. Quando pensei conseguir entendê-la, me dei conta de que já estava louco. Ela foi o meu momento. E ao mesmo tempo que queria expulsá-la de meus braços, vê-la ali, relaxada, unida a mim como se tivéssemos nascido daquela maneira, me fazia abandonar meu plano inútil de afastá-la. Seus olhos carregavam tantas histórias e por vezes quis ouvi-las de sua boca. Eu poderia passar horas, dias, meses, anos ouvindo o som de sua voz misturado ao barulho das buzinas e carros do outro lado da porta. Admirava sua capacidade de carregar tristezas sem explodir, sem dividir, sem deixar escapar uma ou outra pelo caminho. Jamais me sobrecarregou, jamais quis fazer desaparecer meu sorriso, mesmo que às vezes, quando suas vontades me enlouqueciam, fazia exatamente isso. Eu não quis amá-la, desde a primeira vez que a vi sabia que era encrenca. Mas, minha vida sempre foi cheia de imprevistos e coisas impensadas. Eu sempre fui um homem metido a sabichão. Ela, com seu jeito de não se importar com nada e realmente me fazer acreditar nisso, sabe de tudo, desde o início. Sei que quando estou dormindo, ela senta na cama ao meu lado e me observa — faço o mesmo. Sei que ela diz coisas não querendo dizer e que me magoa, magoando a si mesma. É como se sentíssemos na pele o que o outro sente. Um dia destes, quando ela me olhou nos olhos, deu um leve sorriso, pegou minha mão e pôs a cabeça em meu peito, sem dizer nada, sem fazer nenhum som, apenas nós dois, eu percebi que já era tarde, que eu seria louco para o resto da vida. E ela, parece gostar disso, parece gostar de me enlouquecer, mesmo sabendo que já sou louco por ela.
—  Evelyn Cardoso 
Eu a vejo todos os dias. Eu queria poder fechar os olhos. Suas escolhas me afetam e fazem um nó em minha cabeça. Tento entender seus motivos, tento ajudar de certa forma, mas com minha frustração e ignorância do que se passa dentro dela, eu só a afasto. Não sei observar pessoas se destruindo. Não sei ver amor morrendo, mesmo sabendo que ele não morre. Acabo me escondendo e recolhendo minhas dores. Sangro junto. Sinto tudo. Me enfureço. Mas não deixo de amar. Eles não entendem, só sabem julgar. Jamais disseram uma palavra amiga ou ofereceram refúgio. E ela não sabe para onde ir. Tenta fugir, mas afunda e perde as forças. Não sei viver assim. Não consigo entender por que matar a si mesma. E entre todas as coisas que eu poderia desejar, só queria que ela entendesse o quanto é linda e valiosa, e que cada vez que ela se machuca, eu me machuco mil vezes mais.
—  Evelyn Cardoso
Você,
É a primeira vez que te escrevo e peço perdão pela ausência de data e local. É que não quero ficar na história. Muito menos ser lembrada por palavras sem sentido ou como um alguém completamente perdido, que é exatamente o que sou.
Hoje, como todos os dias, eu estava pensando sobre a minha vida e sobre como não sei nada. Procurei em você, leitor desconhecido, os olhos que jamais souberam me ler. Pelo menos não da maneira que sempre quis. Talvez o problema seja que nós, seres humanos, somos guiados por nossas vontades e não admitimos que algo aqui ou ali saia diferente do que foi planejado.
Minha vida, ou melhor, grande parte dela, pode ser considerada uma grande fantasia. Essa foi uma das conclusões a que cheguei. Sempre pensei muito sobre como as coisas poderiam ter sido e jamais me mexi para que pudessem se tornar realidade. Se arrepender, desistir, não avançar parece tão natural, que já não me espanto comigo mesma. Mas, confesso me decepcionar por não ser o que queria.
Também me fantasiei, e não sou nem metade do que imaginei. É triste não superar as próprias expectativas e deixar a si mesmo na mão. Coisa que fiz tantas vezes e não liguei, até hoje. Não prometerei melhorarias, assim como não prometerei nada. Algo que aprendi sobre promessas é que jamais devem ser feitas.
No momento, sou esta que escreve e que tenta, mesmo não prometendo, ser melhor a cada dia. Não parece, eu sei, mas no fundo tenho planos, não fantasias. Planos que talvez deem errado e me frustrem, mas que posso considerar como objetivos. E isso, já é um começo.
—  Evelyn Cardoso
Carrega-me nos teus braços e arranca-me dos teus pés, Gregório. Não sou pedra no teu sapato, mas tu és abismo no meu coração. Mostre-me por que a ti eu amo, ao invés de recolher meus cacos e procurar por quem me remende mais que as tuas mãos calejadas, culpadas pelo tempo. Tempo que tu me roubaste, que me prendeste, que prometeste amor proibido.
Encontre, Gregório, nos meus lábios o teu perdão, pois não podes ir embora assim, antes de comigo se redimir. Tiraste o sorriso malandro do canto da minha boca e levaste o brilho dos meus olhos para iluminar tua varanda. Meu telhado desmoronou, junto com a tua imagem que tapava a minha visão.
Não me surpreende este mundo ser tão sem cor. Eu sempre soube que tu eras quem preenchia meus vazios e me mostrava o arco-íris. Pote de ouro és tu, toda a minha riqueza que não é mais minha. Não escolhas o caminho contrário a mim. Não pegues aquela estrada, se a ti imploro que fique para pelo menos me explicar por que o amor começa se um dia acabará.
Por que acabaste, Gregório? Por que escolheste os teus pés correr para longe se os meus só sabem ir ao teu encontro? Poderias pelo menos apaziguar minhas guerras antes de me derrotar por completo? Poderias, de algum modo, não me arrancar de mim mesma?
Tuas mãos, minhas mãos, nossos dedos entrelaçados contaram mentiras que nem a verdade é capaz de amenizar. Tu se vás, tu irás me levar contigo mesmo que eu fique. E meus olhos, os mesmos que te viram pela primeira vez e o prenderam a mim, não têm a chave da tua algema. Somos um, Gregório. Um amor que não deu certo e deixou como restos rios de lamentos. Um medo da solidão que nos cerca em vida, pois em breve viraremos morte. Ou já viramos?
Não encontro dentro de mim as desculpas para te deixar ir, para aceitar que meu tu não és mais e que tua serei até que o tempo me leve. Eu não andarei, Gregório, não impedirei teus pés de seguirem em frente. Mas me carregues nos braços, não me deixes terminar no teu sapato.
—  Evelyn Cardoso
Eles sempre vão.

Ele a olhou nos olhos e disse que não aguentava mais ficar ali. Pegou seu carro, acelerou e sumiu das vistas. Ela, disse que iria sair com a promessa de voltar logo. E eu fiquei, como aquela que apaga incêndios e arruma a casa, esperando pelo retorno dos que não aguentam a verdade e preferem fugir. Apago os rastros que ficam e mato em mim o que me corrói, como se eu fosse tomada pelos cupins da porta que nos limitam. Ele tem o carro e ela tem as pernas. Me pergunto, quando penso neles e nas razões que me fazem ficar e assistir a tudo, se possuo algo que me proporcione a escapada. Fugir, pelo menos uma vez na vida, deve ser bom. Ficar, quando ninguém mais fica, é assustador. E eu os vejo indo, os vejo voltando, os vejo tirando tudo do lugar para eu, que não sei o que é liberdade, construir a reconciliação maquiada deles. Não sou parte integrante da história, mas sinto a caneta me furar a cada letra escrita. Sou o nada que no fim das contas representa o tudo. Eu espero, sento na poltrona e desligo as luzes da casa. Eles voltam. Começam as desculpas e dou o meu falso perdão, pois sei que mais cedo ou mais tarde, serei eu a abandonada. 

Você não sabe quem ou o que sou, mas esse é o meu desabafo. Não precisa entender, só leia. 

Evelyn Cardoso

Ontem pensei sobre mim.
É estranho que antes de dormir pensemos no gato, no cachorro, no papagaio, nas pessoas que nos fazem sentir tão bem e ao mesmo tempo tão mal mas não em nós mesmos.
Fazemos planos.
Mas quando os colocamos em prática? Quero dizer, eu penso tanto no que gostaria de fazer e de ter feito e continuo a pensar, não me movo, não faço meus planos ganharem vida.
Quis ser diferente.
E levantei da cama sendo igual, andando com as mesmas pessoas, vestindo as mesmas roupas, caminhando no mesmo ritmo, falando dos mesmos assuntos e pensando que preciso fazer muitas mudanças na minha vida. Alguma vez fiz? Adivinhe a resposta.
Temos fome.
Nos afundamos em livros, em revistas, em redes sociais, em nossos quartos desarrumados, assim como nós e não entendemos que necessidade é esta de nos inundarmos de uma coisa só, de excessos. Para dizer a verdade, gosto de excessos, gosto de sentir tudo transbordando. É melhor sobrar do que faltar, como diz minha mãe e um bando de gente inteligente por aí.
Choramos.
Eu não queria chorar tanto. Sinto minhas defesas se desfazendo e tudo em mim cedendo, fugindo do meu controle. Mas por outro lado, pesos que não são meus vão embora, mesmo que outros venham e me carreguem novamente.
Dizemos sem dizer.
Nossos olhos. Ah, nossos olhos, eles dizem tantas coisas, não?
Vamos pensar um pouco mais em nós mesmos, sem esquecer dos outros, é claro. Vamos nos desafogar e respirar um pouco, colocar os planos em prática, mudar de verdade, erguer a cabeça e correr atrás do que realmente queremos. Deixe a boca dizer também, e escute o que deixam escondido entre os dentes.
—  Evelyn Cardoso
O que dói, e infelizmente não mata, é que eu nunca consegui negar um pedido seu. Pensei que de algum jeito, não fôssemos iguais. Mas você sabe que éramos só mais dois no mundo que tentavam empurrar com a barriga o que criou raízes no chão. Quantas vezes mais você acha que vou acreditar nas suas palavras e promessas que nos trouxeram para onde estamos hoje, neste exato momento em que te atinjo com palavras quando preferia ter um faca? Você não sabe o que fala, meu bem — uma forma irônica de expressar que é exatamente o contrário. Por mais que eu pareça furiosa, é necessário que aprendamos a agradecer o que a vida nos dá de ruim, assim aprendemos, não é mesmo? Não irei brigar, você sabe que eu não brigo, sabe que toco na ferida sem você perceber minhas mãos. Acreditei em você, e quis morar no seu abraço e no seu olhar, mas você me expulsou quando trancou as portas e me mostrou outros caminhos, que na hora pareceram horríveis e agora, percebo o quão melhores eram. Eu gostei de você, e tudo bem, admito que amei. Talvez você tenha sentido o mesmo, por um breve momento. Mas nos esgotamos e eu quero me despedir. Não vou pôr toda a culpa em você porque fui cega. Você foi claro em suas mentiras e me pergunto como pode isso. Então vamos. Meus olhos estão abertos e não quero este tipo de amor. Feche a boca e aceite. Um dia você entenderá que não fomos feitos um para o outro e que erramos do começo ao fim. E caso não tenha entendido, nosso fim é agora.
—  Evelyn Cardoso