dthalita

Os seus olhos, tão meus
e eu inteira tão sua,
traduzindo o olhar
que reflete a alma nua.

Revelado no seu sorriso
e na pele arrepiada,
quase sinto o gosto
de ter me tornado um nada.

Sua boca, minha boca,
ambas se tocando de lado,
acalmando a dor do outro
tirando o fardo pesado.

Colecionando os seus olhares,
espalhando pelos sete mares
enfeitando o céu com palavras suas
para enfim encontrar-te em todas
as pessoas nas ruas.

Por dentro dói a saudade que invade.
Sem teus sinais me sinto a beira de um cais
prestes a pular, com a alma nua sobre o
reflexo da lua.

E nada é mais frustrante
do que essa espera infinita
que no interior grita, chama,
mas por fora a expressão do rosto
engana.

E quando você vai voltar pra mim?
Meu bem, eu não sei, mas vê se volta
você sabe, eu sempre vou abrir a porta.

—  Thalita Freitas