desordenas

Entonces algo tan sencillo como un abrazo en ocasiones es capaz de unir lo que la vida desordena o rompe.
os amantes

Quem os vê andar pela cidade
se todos estão cegos?
Eles se tomam as mãos:
algo fala entre seus dedos,
línguas doces lambem a úmida palma,
correm pelas falanges,
e acima a noite está cheia de olhos.
São os amantes,
sua ilha flutua à deriva
rumo a mortes na relva,
rumo a portos
que se abrem nos lençóis.
Tudo se desordena por entre eles,
tudo encontra seu signo escamoteado;
porém eles nem mesmo sabem
que enquanto rodam em sua amarga arena
há uma pausa na criação do nada
o tigre é um jardim que brinca.
Amanhece nos caminhões de lixo,
começam a sair os cegos,
o ministério abre suas portas.
Os amantes cansados se fitam
e se tocam uma vez mais
antes de haurir o dia.
Já estão vestidos,
já se vão pela rua.
E só então, quando estão mortos,
quando estão vestidos,
é que a cidade os recupera hipócrita
e lhes impõe os seus deveres quotidianos. 

Julio Cortázar

no

Estamos en un auto, corriedo del atardecer en una eterna carretera hay un acantilado que nos acompaña con el mar.
Bajas el vidrio y el aire nos desordena el cabello, nos miramos, sonreimos. Detengo el auto y miramos el atardecer, tomo mis cosas y me voy corriendo al campo de girasoles que estaba cruzando la calle, me sigues.
Corremos y nos perdemos entre los ultimos rayos de sol, nos tiramos al suelo, reimos, nos dormimos.
Despertamos, buscamos donde pasar la noche, hay una casa, ahora es nuestro hogar.
Bailamos, celebramos, restauramos, nos amamos, cantamos, te abrazo, me besas, nos acostamos…
desperte.

Esquecimento V

Então, o fato se dissolve. As lembranças são outras distâncias. Eram coisas que pairavam já à beira de um grande sono.
- Se eu, se você gostar de mim… E como saber se é o amor certo? Tanto é poder errar, nos enganos da vida… Será que você seria capaz de esquecer de mim, e, assim mesmo, depois e depois, sem saber, sem querer, continuar gostando? Como é que a gente sabe?
(…)
Reperdida a remembrança , a representação de tudo se desordena: é uma ponte, ponte, - mas que, a certa hora, se acabou, parece que. Luta-se com a memória.
(…)
Vê- se - fechando um pouco os olhos, como a memória pede: o reconhecimento, a lembrança do quadro, se esclarece, se desembaça.


ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. p. 98-99. - 1 ed. Especial. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

os amantes

os amantes

Quem os vê andar pela cidade
se todos estão cegos?
Eles se tomam as mãos:
algo fala entre seus dedos,
línguas doces lambem a úmida palma,
correm pelas falanges,
e acima a noite está cheia de olhos.
São os amantes,
sua ilha flutua à deriva
rumo a mortes na relva,
rumo a portos
que se abrem nos lençóis.
Tudo se desordena por entre eles,
tudo encontra seu signo escamoteado;
porém eles nem mesmo sabem
que enquanto rodam em sua amarga arena
há uma pausa na criação do nada
o tigre é um jardim que brinca.
Amanhece nos caminhões de lixo,
começam a sair os cegos,
o ministério abre suas portas.
Os amantes cansados se fitam
e se tocam uma vez mais
antes de haurir o dia.
Já estão vestidos,
já se vão pela rua.
E só então, quando estão mortos,
quando estão vestidos,
é que a cidade os recupera hipócrita
e lhes impõe os seus deveres quotidianos.

Julio Cortázar

Se toma su tiempo

Se toma su tiempo. Va al baño, escucho que usa el lavamanos y viene de vuelta con una sonrisa, señal de que todo está bien. Tomamos aire, nos miramos antes de empezar y nos decimos hermosas frases que ni el más sabio poeta podría decir de mejor manera. La duda de quien toma la iniciativa está siempre presente. Toma mi mano, me desordena el pelo, me mira a los ojos y dice:

“Te amo”

Nunca he querido que mi corazón se dé cuenta, pero el muy ingrato empieza a latir más rápido y mi piel es idéntica a la de una gallina. Porque soy un cobarde, un cobarde que te ama a escondidas. Los labios me arden, mi pecho suda y mi alma clama por sentirte. Nuestra ropa se transforma en vestigios, nuestras voces en canto de ángeles y nuestro deseo en el más impuro pecado. Somos locos, amantes, desenfrenados, impacientes por demostrar nuestro amor mutuo.

El canto de las aves me aleja de los brazos del dios de los sueños. Tu cuerpo sigue cálido y comparte su calor con el mío. Una suave brisa entra por la ventana, y la música que seleccionamos para hacer el amor sigue sonando. Das la vuelta, tu nariz choca con la mía y tus ojos se abren lentamente, como si hubieses vuelto a nacer. Me das una sonrisa y un guiño, como si fueses alguien muy confiable, alguien a quien puedo amar, darle mi amistad y transformarlo en mi compañera de toda la vida.

"Quien iba a pensar que tu fueses un huracán que desordena y se va, sin importar que paso."

-Jrs