(…) esta melancolia sombria, acumulada em mim por um pensamento constante, um pensamento muito acima do meu alcance: que tudo na vida não tem importância. Sim, este pensamento ocupa-me há já muito tempo, mas a convicção completa só apareceu em mim, no ano passado. Tudo é sem importância, eis a verdade. Existirá o mundo? Ou não haverá nada em nenhuma parte? E tive a revelação de que não há nada à minha volta. Parecia-me, no entanto, que até essa altura estive rodeado por seres estranhos a mim, mas compreendi que eram aparências infrutíferas. Nada existiu, nada existe, nada existirá. Deixei logo de me irritar com os outros e de me ocupar deles. Palavra! Até chocava com os transeuntes, de tão alheado que estava. Contudo, alheado por quê? Tinha deixado de pensar. Tudo me era indiferente. Ainda se eu procurasse resolver os grandes problemas! Eu não resolvia nada, os problemas bloqueavam-me em vão; tudo se tornou para mim sem importância, e todos os problemas se dissiparam.
—  Fiodor Dostoievski
Tenho estado triste, tá sabendo? Tenho perdido meu sono ultimamente e chorado até minha cabeça quase explodir, sabia disso? Sinto que falta alguma coisa, mas não sei exatamente o que é, aliás eu não sei de nada. E não, você não tá sabendo, aliás, ninguém tá sabendo. Só eu, e quem eu quero que saiba. E acontece que eu não sei mais como lidar com isso. Tudo o que eu achei que deveria ser feito, eu fiz. Mas agora eu realmente me encontro sem saída, a única que eu vejo (e que na verdade não é uma saída, porque eu odeio depender disso), é o tempo.
—  Inverno Vulnerável.
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Parabéns meu querido e desejado velho safado. Obrigada por cantar suas tristezas. Obrigada por espalhar sua dramaticidade cômica e trágica pelos 4 cantos de cada célula do meu corpo. Obrigada por dormir aqui dentro, não me deixando morrer totalmente. Obrigada por ter deixado em suas palavras, diversos pactos secretos com cada um de nós.

"Eu falo: ‘eu sei que você está aí, então não fique triste’
daí ponho ele de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro”

16 de agosto: aniversário de Charles Bukowski

E eu te odeio por ter me deixado em pé nesse frio, na esperança de que um dia você volte. Te odeio por ter feito várias promessas que não foram cumpridas. Te odeio por ter me feito amar. Te odeio por ter partido e deixado todo esse sentimento me perturbando todos os dias.
—  Quebravel.

bem-vindo à temporada de tempestades: já se despediu de sua solidão? o presságio é esse susto inabalável. essa tristeza por ter de abandonar as mais íntimas angústias. cale um pouco o louco que aí dentro cabe. vem vindo um vento vazio de vontades. em procissão com a chuva, molhando a manhã das montanhas imortais. olhando as entranhas da grama que respira mortal. a cada cadência uma porta antiga se abre em manancial, um espelho é deixado para traz. abandone esse ninho fechado no olho do furação. um coração flechado pelos ventos que elevam, transborda em sangue suas virtudes. sem estancar lágimas em pequenos tanques de lembranças intactas. sinta a plenitude da pena ondular até a paz fluente do rio. a nudez cristalina dessas gotas que são seus olhos. a dança da chuva rompendo a eternidade da ilusão. as espumas não esperam explicação, invadem. derrubam grades com seu lençol de nuvem terrena: escorre na terra e anuncia que em meio às tempestades, tu vives no sol.

Denis Harley eusemeuforia

O inverno é a estação dos apaixonados, e o sofrimento dos que foram deixados
—  O recíproco mundo de uma escrivã
CAP 20

Acordei de uma forma tão gostosa. Com os olhos fechados, senti um toque delicado e sensível em meu rosto, em meu cabelo. Um carinho tão bom, sorri feito uma idiota. Mas quando abri meus olhos não era a Clara e sim, um projeto pequeno da Clara. Com um sorriso sapeca nos lábios, olhinhos verdes e sinceros a me olhar. Não posso negar que fiquei surpresa.

Clara: Max!! – ela estava na porta do quarto com as mãos na cintura – Você acordou a tia Van meu amor.

Max: Mama – ele apontou pra mim, sorrindo sapeca ao olhar pra Clara. Quando ela se aproximou, ele saiu correndo todo atrapalhado. Ele sabia que tinha sido pego. Clara chegou a dar um tapinha em sua bunda. Mas ele saiu pela porta correndo e dando seus gritinhos.

Clara: Desculpa, devo ter deixado a porta encostada quando saí. Fui comprar nosso café, já que sou um desastre na cozinha – ela fez bico. Se aproximou e me deu um selinho ao sentar na cama – Até tentei te acordar, mas parece que os meus beijos não surtem tanto efeito quanto os carinhos do Max.

Vanessa: Foi gostoso acordar com o carinho dele. Acho que vou querer ser acordada sempre assim – sorri debochada.

Clara me deu leves tapas quando a provoquei. Não resisti, agarrei sem medo a puxando e a jogando em cima da cama. Dei vários beijos por todo seu rosto enquanto fazia cócegas em sua barriga. Ela sorria de uma forma tão gostosa, era incrível o quanto o Max tinha o mesmo sorriso sapeca dela. Quando parei e apenas a olhei se recuperar daquele ataque. Seus olhos adentraram os meus e nos beijamos, foi um beijo tão…tão…Meu Deus! Estou completamente louca por admitir que eu… Acho que é cedo de mais pra isso. Só posso estar ficando louca.

Clara: Acho que nosso café vai esfriar – ela fez carinho em meu rosto, depositou um selinho em meus lábios e se levantou – Se quiser tomar um banho, no banheiro tem tudo o que possa precisar. Está tudo no armário, sua escova se encontra no mesmo lugar. Te encontro na cozinha, preciso ficar de olho naquele pestinha.

Vanessa: Não vai brigar com ele, eu já estava acordada – menti, Max realmente havia me acordado. Sorri.

Clara: Claro que não, mas vou ter uma conversa séria com aquele mocinho. Preciso impor limites, antes que ele te roube de mim – ela piscou e me jogou um beijo

Clara saiu pela porta a fechando em seguida. Coloquei a mão em meu coração, eu mal podia acreditar que tinha tido a melhor noite de toda minha vida e com uma mulher linda. Sendo essa mulher a Clara. Suspirei feito uma idiota e me pus em pé, fui ao banheiro para fazer minha higiene. Nem acreditei que ela havia preservado a escova que usei a primeira vez que estive aqui. Foi um banho rápido, queria aproveitar o máximo ao lado daquela mulher. Quando cheguei a cozinha Clara estava desligando seu celular.

Vanessa: Aíiiiii – ela me deu um beliscão daqueles no meu braço direito e realmente doeu um pouco, passei a mão tentando conter a dor – O que eu fiz?

Clara: Não me olhe assim, só estou cumprindo ordens – ela sorriu – Sua mãe me ligou, depois de ligar pra Deus e o mundo atrás de você. Disse que ligou no seu celular mas só caia na caixa, aí acabou que ligou para o Junior. Ele disse que você estava comigo. Vanessa, ela estava bastante preocupada. Se fosse eu no lugar dela, não seria um beliscão desses que você levaria. Você realmente esta encrencada mocinha.

Vanessa: Eu só mandei um sms avisando que sairia – suspirei triste, sabia que havia errado feio. Minha mãe sempre fica preocupada quando não digo com quem e onde estou – Mais tarde converso com ela.

Clara: Só não faça mais isso – ela colocou seus braços ao redor do meu pescoço e abracei sua cintura. Ela depositou um selinho em meus lábios e sorriu doce. Cara como eu amava aquele sorriso – Vem, senta. Vamos comer, estou faminta. Você esgotou todas as minhas energias.

Vanessa: Você ainda não viu nada – é claro que ela não ouviu, eu só sussurrei pra mim mesma e sorri idiota como sempre.

Clara: O que foi? Porque esse sorriso? – ela sorriu curiosa

Vanessa: Nada, só estava imaginando como estava a cara da minha mãe quando falava com você – menti descaradamente, obvio - Clara, como sabia que chegaria atrasada? 

Clara: Eu deduzi - ela sorriu - Havia visto mais ou menos o horário que talvez você tenha visualizado a mensagem. Então, era meio previsível que chegaria atrasada. O que me lembra que a senhorita, da próxima vez que receber uma mensagem minha, por gentileza a responda.

Vanessa: Desculpe - sorri sem jeito - Aquelas musicas que estavam tocando ontem a noite, você gosta daquele estilo ?

Clara: Também, gosto de tudo um pouco.Queria ter escolhido algo que você gostasse, mas sei muito pouco de você….ainda - ela segurou minha mão com um sorriso no rosto - O que você você aprecia?

Vanessa: Você - falei no impulso quando me perdi naquele sorriso. Não posso negar que fiquei corada.

Clara: Você tem muito bom gosto - ela sorriu de forma gostosa e descontraída.

Vanessa: Convencida - sorri envergonhada

Bem, passei minha manhã ao lado daquela mulher maravilhosa e sua cópia em forma de gente, ou seja, o pequeno Max. Acho que dei mais atenção a ele do que a Clara, hora ou outra a pegava sorrindo da forma como nós dois estávamos interagindo. Foi tão gostoso estar ali com os dois, pareceu preencher um vazio que havia dentro de mim. Clara e eu conversamos bastante sobre nossos gostos musicais, comida, tipo de lugares que gostávamos de frequentar. Era impossível não ver nossas diferenças, elas pareciam gritar em minha cara, como se dissesse que isso não daria certo. Mas já havia ligado o foda-se a muito tempo. Não deixaria esse tipo de pensamento acabar com meu dia. As horas passaram tão rápido que nem me dei conta, quando percebi, já estava na hora de ir pra casa. Clara e Max se agarraram a mim, queriam que ficasse mais um pouco. Eu também queria, mas precisava ir pra casa. Prometi que voltaria, a final eu precisava conversar com a Clara. Principalmente sobre a chave que ela havia me dado. O Junior e a Mayra eu não vi em nenhum momento, só me dei conta da ausência deles quando já estava chegando em casa. Provavelmente o Junior iria me encher até dizer chega, já estava me preparando psicologicamente para suas provocações. Afinal, nada estragaria aquele meu dia. Foi tudo tão perfeito, nem acredito que fizemos amor e que o motivo de meus sorrisos idiotas são unicamente dela. A mulher pela qual carrego em meus pensamentos e em meu pobre coração idiota, que já está batendo descontrolado só de pensar nela.

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