O ônibus chacoalha. As pessoas passam. A senhorinha usa tom estridente em um telefonema de caráter público. Eu escuto e sorrio. O ônibus para e pega um novo passageiro. É uma dança até a estação. As pessoas vão para os seus compromissos. Os hábitos dos passageiros dos coletivos coléricos. Passam em bairros onde a miséria é apelidada de normalidade. O governo lá não chega nem para levar a rua de terra. As mulheres prenhas carregam marginais de pai e irmão. São nessas coisas que a gente percebe o quanto as pessoas são abandonadas. Abandonem os cachorros, gatos, as latas de caviar. Desci no próximo ponto e sorri, aquele ônibus era só mais um dos que transportavam muitos outros sonhadores.
—  A.E.C Souza
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