cultura

Em Portugal, é habitual o recurso a trabalhadores voluntários em eventos culturais, sejam festivais de cinema, música, literatura ou teatro, ações de promoção histórica ou patrimonial, exposições ou conferências. No passado, demos os exemplos dos Rock in Rio, da Experimenta Design ou da final da Liga dos Campeões em Lisboa. Agora, falamos do Festival de Cinema da Madeira. 

Este ano, a organização do evento anunciou que precisa de voluntários para cumprir vários horários em diversas áreas: redes sociais e marketing, apoio técnico e transporte, apoio ao programa educativo, atendimento e informação, recepção  no aeroporto, apoio aos workshops, palestras e exibições de filmes, registo fotográfico e secretariado (descrição completa das tarefas). Portanto, a organização procura um batalhão de trabalhadores a quem, em vez de uma remuneração, oferece «acesso gratuito aos filmes e aos workshops» e «uma oportunidade única» para conviver e «criar uma rede de networking». 

Apesar de praticamente não contar para o Orçamento de Estado e de ter pouca relevância na educação nacional, a Cultura é um sector económico como os outros. Os seus trabalhadores não têm descontos na alimentação, na habitação, na saúde ou na educação. Pagam os mesmos impostos e têm os mesmos direitos laborais. Será que a opinião pública aceitaria se uma empresa de cortiça recrutasse voluntários para trabalhos administrativos ou de logística? Ou se um serviço de transportes públicos tivesse nas bilheteiras jovens a trabalhar de borla para “fazer currículo” e a “abrir novos horizontes”?  

Tal vez algún día encuentre una chica que me quiera
una chica de verdad, no como aquellas en las que me fijo
llenas de tatuajes, ansiedades, drogas y tristeza
que se sienten tan poco y les da miedo cuando alguien
de la nada se entrega para darles todo
tal vez algún día encuentre una chica que me quiera
que le gusten mis poemas que no se asuste
en la primera cita si le hablo del caos y la luna
si le retrato el sol con palabras de mis labios de caña
tal vez a esa chica le guste lo que soy
tal vez no le cause conflicto mi sensibilidad
mis ganas de amar sin temor
quizás mi alma ya sabe que el amor se esfuma
como una mariposa cada que lo intento atrapar
tal vez  tengo que aceptar mi soledad
o tal vez un día encuentre una chica que me quiera
—  Preparando las alas, Quetzal Noah