conduzido

Em primeiro lugar: Obrigada Deus, por ter me conduzido até aqui, me ajudado em tudo, me guiado para os teus caminhos.
Eu quero agradecer também aos meus líderes, que acreditaram em mim, que ajudaram, me ensinaram para que no final eu finalmente pudesse me investir.
E consegui. São 06 meses de clube, e eu agradeço tanto a Deus, por ele ter me guiado até vocês. Jamais, vou me esquecer de um domingo, alegre, onde a banda tocava, todos se divertiam, eu conheci duas meninas lindas e simpáticas que, tentaram, tentaram e junto com a tia, conseguiram me convencer a ir para clube. No primeiro domingo, já gastei e vi que alí realmente era o meu lugar. Fui desenvolvendo amizades, interagindo mais, os meses foram passando, as amizades foram crescendo, descobri o que é amar de verdade, o cartão foi ficando completo…Me batizei.
Conclui o cartão, 17 especialidades.. Me investi, fui desbravadora excelência. Que alegria!
Ontem (13/12/14), mais uma classe se cumpriu. E ano que vem, outra se cumprirá, e assim vai..até o objetivo: Líder! E sempre com Deus no comando.
Obrigada Deus, Obrigada Estrela
D’alva, Obrigada aos meus diretores.
E também não menos importante, obrigada ao amor da minha vida. Que me apoiou, me incentivou, me fortaleceu, acreditou em mim. D
Obrigada!
#Excursionista #DesbravadoraExcelencia #VemGuia #Desbravadora #Adventista #EstrelaD’alva #GuardareiALeiDoDesbravador #SereiUmServoDeDeusEAmigoDeTodos. 😊😊👏👏👏👏👏👏🙏🙏☝💜💜💜💜💜💜💜💜💜💜🎈😊😍

(em Iasd Do Prado)

A criança ultra-ensinada é o pai do homem devora-jornais, papa-anúncios, papa-propaganda, do demagogo-conduzido - do homem que faz a democracia moderna a farsa que ela é.
—  Aldous Huxley, Ensaios Sobre a Democracia
Dia da doula -18 de dezembro - 100 partos assistidos

É com imensa alegria, muito amor no coração e uma gratidão enorme que celebro hoje o dia da doula, profissão que ocupo com muito amor e completo 100 partos assistidos esse mês!!!


Há 4 anos quando tudo isso começou, eu sabia que viriam muitos desafios, muitos ‘nãos’, muitas portas fechadas, mas também sabia que seriam momentos a serem compartilhados com casais especiais, pessoas do bem, amorosas e que fazem a diferença nesse planeta, por não serem conduzidos pelo sistema, por acreditarem neles mesmos, casais que queriam o melhor para seus bebês, mulheres que conduziram seus partos, companheiros que as apoiaram, aprenderam juntos e juntos viveram seus melhores momentos e dividiram essas maravilhas comigo, com sua médica, com sua família!
A profissão de doula é reconhecida, mas não regulamentada, então, enfrentamos muitos obstáculos para podermos atuar.
Muitos médicos nos barram, nos ridicularizam, nos agridem verbalmente, ou nos ignoram, bem como muitas equipes de enfermagem e hospitais.
Precisamos ser fortes e ao mesmo tempo dóceis, firmes e amorosas. Temos que lutar sempre, fizemos passeatas, abaixo assindasos, etc…e por aí vamos indo…conquistando a cada dia um passo a mais…buscando nos unir como classe, e humanizando o país, que insiste em manter um sistema cesarista, com bebês sendo retirados antes da hora, indo pra UTIs neonatais vítimas desse sistema horroroso.

Mas muitas mulheres, muitos casais já estão acordando, percebendo tudo isso e buscando alternativas saudáveis pra se ter um bebê, recebendo esse ser como ele deve ser recebido: com amor, tranquilidade, sem medos, sem medicamentos, e apenas deixando que o melhor de cada mulher, de cada casal, venha ‘a tona nessa hora!

O papel da doula é esse, fazer com que o casal tenha o melhor momento da vida no ato do nascimento de seu bebê! Quando necessário utilizando métodos não invazivos, mas que aliviem a mulher, que lhe dê força pra que ela conquiste seu parto! Entender a história desse casal, o amor que viver, a dor que ela passa, entender os medos, a sutileza em cada olhar, em cada palavra não dita, em cada grito oprimido, mas também em cada sorriso conquistado, em cada parto vivido, em cada bebê que nasce, em cada mulher que cresce, em cada companheiro que assume esse papel de cúmplice desse amor!!!

É com imensa gratidão que celebro o dia de hoje!


Gratidão por todos aqueles que me ajudaram a estar aqui, agora!
Dra Izilda Pupo e Dr Rui, que estão numa linda empreitada em prol da humanização já há muuuuitos anos, mas que me abraçaram, me acolheram e sempre me apoiaram
Aos 100 casais que acreditaram em meu trabalho, em minhas palavras, e que deixaram em viver com eles o momento mais divino que temos nesse planeta
Ao meu pai, Wanderley de Sousa, um exemplo de homem e de obstetra, pessoas amorosa, iluminada que amo demais,
Ao Dr Kaolo Nogui, meu primeiro médico, que me apoiou em minhas decisões,
A Nancy Toledo, minha mestra e amiga, no ioga e na vida, que me abriu portas e meu coração, e me fez acreditar que o ioga era meu caminho…

E a todos que acreditam no amor, e fazem de sua gestação e do parto, momentos inesquecíveis e que na maioria das vezes, não encontramos palavras pra dizer tudo aquilo que vivenciados…

Aqui, alguns pedacinhos de relatos de partos de doulandas e alunas que acompanhei nesse último ano de 2014

GRATIDÃO! NAMASTÊ!

1) parte do relato de parto de Natally Pereira - 3/12/14 - Parto natural domicilar

 ”Para falar da chegada do Heitor, eu preciso falar rapidamente do parto do meu primeiro filho Davi.

Sempre soube que quando engravidasse optaria pelo parto normal. Realmente tive um parto “normal” hospitalar, porém com intervenções desnecessárias (ocitocina, episiotomia, manobra de Kristeller e em posição ginecológica).

Para mim foi um parto traumático, não era o que eu idealizava, mas a falta de informação me levou a tudo isso. Ainda na maternidade, já sabia que o próximo seria diferente.

Quando engravidei do Heitor comecei a busca por um parto humanizado. Eu já tinha pra mim que queria um parto domiciliar, mas como iria fazer para convencer o marido???

Algumas conhecidas já haviam me falado da Adriana Vieira, da Namaskar Yoga, então decidi que era a hora de conhecê-la. Participei da Roda de Mães…e naquele dia teve 4 relatos de parto, mas teve um relato de um parto domiciliar após um normal hospitalar, no qual me identifiquei muito.

Esperei todo mundo ir embora e então fui conversar com a Adriana. Contei do meu primeiro parto e da minha vontade de ter um Parto Domiciliar. Enfim, sai de lá esperançosa, porém teria que mudar algumas coisas, começando pelo médico.

Tudo foi se encaixando, meu marido começou a ir comigo na roda de mães e quando menos esperava já pensávamos da mesma forma. Mudei de médica e conheci a querida Dra. Izilda a qual me ajudaria a realizar meu sonho.

O GRANDE DIA

Era dia 3 de Dezembro, uma quarta-feira, chegamos em casa: eu, meu marido e meu filho, da festinha de aniversário de um priminho. Meu filho insistiu que queria dormir comigo, então despachei o marido e dormimos eu e meu filho agarradinhos.

Em uma das milhares idas ao banheiro durante a noite, percebi que meu short estava completamente molhado.Fui ao banheiro e quando me limpei, ali estava ele, o tampão! Olhei no relógio e eram 4:00h.

A bolsa havia rompido, porém escoava aos poucos pelas minhas pernas. Liguei para Dra. Izilda e a comuniquei do ocorrido, ela pediu para que eu á avisasse quando iniciasse as cólicas.

Acordei meu marido e pedi para que ele se deitasse com o nosso filho na nossa cama e avisei que a bolsa havia rompido. Fui até a cozinha, tomei um copo de leite e liguei para minha mãe que estava encarregada de cuidar do meu filho. Em seguida fui pra sala e liguei a TV, como não havia nada de interessante, forrei o sofá com toalhas e adormeci.

Acordei as 7:21h com a Dra. Izilda me ligando, perguntando como eu estava, disse que havia dormindo e ainda não sentia nada. Resolvi mandar uma mensagem para a Adriana, minha doula, avisando que a bolsa havia rompido as 4:00h, mas que ainda não sentia nada.

Meu marido e meu filho acordaram e foram fazer café. Às 8:01 senti uma leve cólica. Avisei meu marido e ele e meu filho foram comprar pão. Logo depois senti uma cólica muito mais forte e resolvi ir tomar um banho. Liguei o chuveiro…e veio outra cólica muito mais muito mais forte, naquele momento percebi que não sairia mais dali. Peguei o celular e liguei para minha mãe vir buscar meu filho, em seguida liguei para o marido e pedi para ele voltar correndo da padaria.

E as dores foram se intensificando a cada segundo. Mandei uma mensagem para Adriana e outra Para Dra. Avisando que as contrações haviam começado e já estava bem intenso.

Estava sendo tudo muito rápido, as contrações praticamente não tinham intervalos e percebi que sim, já estava muito perto do meu bebe nascer. Às 8:13 liguei pra Adriana para ela vir logo e eu já falava pausadamente. Já não conseguia quase falar e mandei uma mensagem para Dra. Falando que já não havia intervalos.

Logo meu marido e minha mãe chegaram, pedi para que minha mãe levasse logo meu filho para casa dela e pedi para que meu marido ficasse ali comigo. Meu marido perguntou se eu queria tomar café da manhã, e eu respondi: liga de novo pra elas, pedindo pra que elas viessem logo!

Pedi para que ele ficasse ali do meu lado e que não saísse de lá. As dores eram fortes e resolvi ir para a posição de 4 apoios com a água caindo na minha lombar, o que aliviou muito.

Comecei a fazer força e pedi para que ele ficasse atento caso ninguém chegasse a tempo ele teria que pegar nosso bebe. Após 3 ou 4 forças a Adriana chegou e bateu aquela sensação de alívio. Ela se agachou do meu lado, falou que estava tudo bem e que se nascesse estávamos todos preparados. Ela começou a massagear a minha lombar, aliviando um pouco as dores.

Logo em seguida a Dra. chegou, enfim estávamos todos ali, meu bebe podia nascer! Eu estava muito tranquila e totalmente voltada para o meu interior. Todos ali me apoiavam com palavras de incentivo. E eu e meu bebe trabalhávamos juntos para que o milagre da vida acontecesse.

Logo que a Dra. Izilda me posicionou de forma adequada no box, para ter uma visão melhor, já veio a grande noticia: ta coroando!!…foi uma euforia só, meu marido praticamente deitado no chão do banheiro pra assistir e me incentivar, assim como a Adriana, dando o maior apoio.

 Após algumas contrações e ao som de: “vai natty, vamos mamãe, vamos guerreira”….eu escuto: ohhhhh vai nascer e logo em seguida: nasceu com a mãozinha no rostinho…e de repente aquele alívio e em seguida um resmunguinho, às 9:08 da manhã.

Virei-me rapidamente e sentei no chão, e meu príncipe veio direto para os meus braços!

Foi tudo muito RÁPIDO e muito INTENSO!

Fiquei em estase olhando aquele rostinho, aquela boquinha vermelha. E ali ficamos eu, ele e meu marido, namorando a cria!

Esperamos o cordão umbilical parar de pulsar e meu marido fez a honra de cortar. Assim que ele cortou o Heitor deu um choro forte,…agora ele estava por conta própria.

Logo senti um desconforto e em menos de 10 minutos, eis que sai a placenta! Entreguei meu bebe para meu marido para que o pediatra o avaliasse. Sentei no banquinho de cócoras e tomei um belo de um banho, mas ainda em estado de choque!

Fui para minha cama e a Dra. me examinou, sem nenhuma laceração! Meu marido me preparou um lanche que devorei rapidamente. Em seguida meu príncipe voltou para os meus braços com uma vontade louca de mamar.

E ali ficamos todos juntinhos.

Serei eternamente grata a todos que acreditaram e me ajudaram a realizar esse sonho! Meu marido Victor, minha mãe Zuleika, minha doula Adriana Vieira e minha médica Dra. Izilda meu MUITO OBRIGADO!

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2) parte do relato de parto de Desirré Viegas - 27/08/14 - Parto natural domicilar

Meu tão esperado príncipe Miguel veio ao mundo no dia 27/08/14 através de um parto natural humanizado, lindo, perfeito e a jato, na cama do meu quarto. Foi assim que ele escolheu nascer… Nada de hospital, apesar de tudo estar preparado e planejado para ser lá.

Miguel me surpreendeu e quis sair do barrigão a todo vapor, da maneira dele e no aconchego do nosso lar. Nasceu quando se sentiu pronto, no dia, hora e local que escolheu. O trabalho de parto evoluiu muito rápido e tranquilamente. Quando me dei conta da dor já sabia que não daria tempo de ir para o hospital, apenas rezava para que minha doula chegasse o mais rápido possível para poder me ajudar. Enquanto isso éramos só nós dois, eu e Miguel… mais do que nunca conectados, nos sentindo, nos ajudando…

E o momento tão esperado ficava cada vez mais próximo… só nós dois sabíamos. Busquei pelo silêncio e escuro do meu quarto, e apoiada de cócoras na beirada da cama me senti acomodada para esperar a chegada da minha doula. A dor já era imensa. Foi quando o interfone tocou, e naquele momento de alívio minha bolsa estourou. Só queria que a Adriana entrasse o mais rápido possível por aquela porta porque eu já sentia vontade de fazer força. E Miguel a esperou. Só deu tempo de deitar na cama. Adriana chegou em minha casa às 18:30h, e às 18:33h meu filho veio ao mundo. Miguel nasceu rodeado de muito amor, carinho, respeito e paz. A natureza fez seu trabalho e tudo aconteceu da maneira que deveria acontecer.

Parir é realmente mágico. A sensação que tive quando meu filho saiu de dentro de mim é inexplicável. Naquele momento nascia outra mulher em mim. Apesar de não acreditar como tudo tinha acontecido me senti a mulher mais poderosa desse mundo. Minha querida médica Dra Izilda chegou uns 30 minutos depois, e durante todo esse tempo meu filho ficou grudadinho em mim, recebendo todo o sangue preciso da placenta até o cordão umbilical ficar murchinho e sequinho. Jamais vou esquecer o cheirinho do meu filho naquele momento e como seus olhinhos pareciam já olhar nos meus.

Recebemos todos os cuidados preciosos da Dra Izilda, Adriana e Dr Ruy. Tenho certeza de que não estávamos sozinhos, e que muitos anjos estavam presentes naquele momento nos iluminando. Sou uma mulher muito grata e abençoada por ter tido o privilégio de gerar uma nova vida e parir desta maneira tão especial.

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3) Relato de parto – Paola Dottori  27/06/14 – parto normal hospitalar

Segue nosso relato de parto, que é um presente para você, como pelo dia da doula, e também pela pessoa incrível que entrou em nossa vida e ajudou muito a construir o rumo do nascimento de nossa pequena! Mas acabou também sendo um presente para mim mesma, que revi o dia mais especial da minha vida, para o Renato, que se emocionou ao ler, e será um presente para ela também, parte linda de sua história. Só mais uma prova de como o amor sempre se multiplica…
Nossa infinita e eterna gratidão, use onde e como quiser
Ah, vai junto a poesia que meu pai fez para ela, me emocionou muito, queríamos compartilhar isso também contigo, parceira tão importante de seu nascimento.

Acho que me preparei e me informei bastante durante a gestação. Porém, nada poderia ter me preparado para viver e sentir o dia em que Marina nasceu…. Engravidei em outubro de 2013, após três anos de tentativas sem sucesso, através de inseminação artificial. O tratamento foi rápido, três semanas, indolor, bem mais suave do que imaginava pelos relatos que já tinha ouvido, mas gerou uma ansiedade muito grande em mim, e uma grande expectativa em nós, eu e meu marido. Depois de confirmada a gravidez, procurei dar o meu melhor para cada momento, pois me considerei muito, muito abençoada, vivendo algo infinitamente especial. Já tinha bastante claro na minha cabeça que o parto normal era o melhor: trabalhava na área da saúde, e também, por ser das últimas da família e amigas a ter filhos, já tinha tido este debate mil vezes…

Mas era engraçado que conhecia pouquíssimas pessoas que tinham de fato tido um parto normal. Inicialmente optei por fazer meu parto com a médica que fez o tratamento. Mas logo percebi que, apesar da grande ansiedade que envolvia minha concepção, não queria um parto soterrado pelos cuidados e intervenções médicas de praxe para as mães que fazem tratamento. Ela era muito carinhosa, mas logo percebi que a chance de um parto normal com ela seria pequena, começando pela limitação das semanas de gestação, só esperaria até 40, além de muitas recomendações de cuidados que achava desnecessários em uma gravidez saudável. Tive então um sangramento e isso me deixou bastante vulnerável.

Cheguei a desconfiar novamente da minha possibilidade de ser mãe, e o tipo de parto por um tempo perdeu importância, queria muito esse bebê (não sabia ainda que era umA bebê), fosse como fosse. Porém, me fortaleci novamente antes que esperava, e aos três meses de gravidez voltei a consultar minha ginecologista de antes do tratamento. Apesar da dificuldade de engravidar eu não tinha nenhum problema concreto diagnosticado, e me mantive acreditando no meu corpo, em minha capacidade de parir um bebê e na grande alegria que esta experiência poderia nos (já pensava nesta época que o parto incluía o pai, necessariamente!) proporcionar.

Fiz yoga pré-natal na Namaskar Yoga , encontrei uma doula sensacional, Adriana Vieira,procurei ter certeza se minha obstetra era de fato humanizada, como já tinha verificado ao consultá-la antes de engravidar, busquei informação em grupos a favor do parto normal e humanizado, visitei maternidades e uma Casa de Parto.

Foi um período delicado em alguns aspectos, mas muito rico à medida que me preparou para funcionar em um ritmo que desconhecia: o ritmo da natureza, do amor, da falta de lógica e da sobra de intuição e força feminina. Um tempo que desconhecia quase por completo... Chegamos então às 38 semanas, completadas e comemoradas, já que não corria mais o risco de um parto prematuro.

Não sei ao certo quantas horas fiquei em trabalho de parto, senti algumas contrações na noite anterior, tinha voltado às aulas de yoga e mostrei para minha doula, também minha professora de yoga, e colegas da aula. Não dei muita importância, estavam desritimadas, e eu tinha sentido muitas coisas estranhas no meu corpo no último mês, aquilo não parecia estranho o suficiente para justificar um TP (achava que este processo seria uma coisa estranha demais, longa demais, definida demais, para a qual achava que tinha me preparado igualmente demais rs). Dormi normalmente. E então, no dia seguinte, dia 27 de junho de 2014, ao ir em uma consulta de rotina com minha obstetra as 13h da tarde, ela me diz: “ - Você está com 5 de dilatação!” Fiquei bem confusa, afinal, conforme as aulas com a doula, não era com este tanto de dilatação que eu deveria começar a pensar em ir para maternidade?? E isso era a última coisa que queria naquele momento… Estava radiante de feliz, sem dor nenhuma, com um pesinho na barriga (então isso não é só o pesinho da bebê?!), louca para sair por aí contando para todos esta maravilha, não ficar em um quarto apertadinha, internada… A obstetra recomendou então que eu andasse e voltasse em duas horas. Ainda perguntei se era capaz dela nascer ainda naquele fim de semana. Ela riu e disse que dificilmente não seria hoje mesmo! Saí completamente tonta, tentando me convencer que estava em TP. Avisei meu marido, e ele ficou bastante perplexo, principalmente com minha reação despreocupada, indo caminhar sozinha no shopping. Na verdade eu estava era descrente, aquele pesinho na barriga não me convencia que era sinal de um evento tão grandioso: Marina a caminho!

Fui em um pequeno shopping ali perto, afinal precisava andar, e aproveitei para comprar um top para colocar na maternidade. Ria sozinha ao imaginar o que as pessoas achariam se soubessem que eu estava ali, circulando, experimentando tops, conversando e em trabalho de parto!! Fui depois caminhando até em casa e o peso aumentou, nada de dor. Terminei de arrumar as malas, marido chegou e fomos para a obstetra novamente às 16h. Agora eram sete centímetros! Foi difícil me convencerem a ir para maternidade em seguida, ainda passei no espaço que fazia yoga, queria ver se minha doula estava lá para avisar pessoalmente que estava a caminho da maternidade, curtir mais um pouco a barriga e o lugar em que me sentia tão tranquila, e onde tinha aprendido tanto sobre mim, minha bebê, e a maneira que nos conheceríamos. Minha doula tinha saído e então deixamos avisado que estávamos indo. A esta altura meu marido achou que eu teria a bebê na escada, que fiz questão de subir alegremente sem ajuda!!

Cheguei ao hospital 17.30h, e umas 18.30h estava com 8 de dilatação, ainda sem dor, o que me deu um ataque de riso pela surpresa, riso acompanhado pelo marido, pela doula, pela obstetra – essa falta de dor era mesmo esquisita para todos, um presente inusitado para o momento!! Meu riso era também de nervoso… Imaginei muitas coisas, mas um processo completamente indolor estava me parecendo surreal demais. E acho que desconcentrei um pouco por isso… Acabou que não dilatei mais até às 20h, as contrações perderam o ritmo de vez.

A médica então sugeriu ocitocina, e depois de tudo que tinha lido tive vontade de me opor, questionar, brigar, colocar em prática pelo menos alguma coisa do que aprendi, pois até agora não tinha usado quase nada, o que era frustrante e maravilhoso ao mesmo tempo. Mas olhei ao redor, aquela cama cinza, chão cinza, parede cinza, chuveiro sem funcionar direito, me fizeram pensar que não seria um lugar onde passaria contente mais muito tempo esperando minha dilatação natural. Deu uma ansiedade e a certeza de que em um próximo parto preciso estar em um lugar mais colorido e aconchegante. Então aceitei. Daí sim, foram menos de cinco minutos para entender o que eram dores de parto! Doeu demais, fiquei desnorteada, achei que não ia aguentar, e ao mesmo tempo não tinha condição nem de pensar em outra coisa que não fosse nela nascendo muito em breve. Nem cheguei a conseguir racionalizar algum pedido de anestesia, cesárea, ou algo parecido. Digo isso, pois este era um medo grande ao longo da gestação, que eu fosse traída pelas minhas decisões na hora da dor. Quis ficar de cócoras em cima da cama e entalei de dor, literalmente não conseguia me mover para lado nenhum. Meu marido e a doula me moveram e fiquei deitada de lado. Uns vinte minutos depois e eu estava já com dilatação completa. Isso foi animador e me fez acreditar que eu provavelmente sobreviveria – sim, a mudança repentina nas contrações e a dor me fizeram ficar bem dramática! Mais vinte minutos e meu marido me fala “olha o cabelinho, olha o cabelinho!”. Não vi mais nada, fiz uma força imensa a cada contração, e poucas depois ela chegou. Eram 20:56 h, alguém me mostrou um relógio. Ela chegou! Tenho vontade de repetir mil vezes isso, ela chegou! A sensação foi essa nessa hora, que o mundo parou e na minha cabeça só ecoava isso: ela chegou, ela chegou! O primeiro sentimento foi perplexidade! Olhei para baixo, e em um lençol lá no pé da cama estava ela. Senti então uma urgência em encostá-la em meu peito, acolhe-la, aninha-la em um abraço sem fim. O pai cortou o cordão e tudo que me lembro deste momento é um borrão em torno dela linda e forte na cama, deitadinha de lado, coberta de branco, era isso então o vernix!? Muito depois, quando foi pesada e medida, eu soube: nasceu com 3,250kg e 48cm, apgar 9/9. Levei um ponto devido a uma laceração mínima após a sua passagem. A placenta saiu em seguida. Minutos depois de nascida alguém a colocou em meus braços, e ela mamou imediatamente por um bom tempo e em seguida ficou encostada no meu peito (no escuro e sem ar condicionado) por várias horas, coberta por paninhos colocados pela pediatra, que me explicou como aquecê-la. Pingou o colírio com ela no meu peito, procedimento que eu tentara evitar, mas foi um dos únicos pontos que não pude impedir e acabei concordando. Abriu o olhinho e recebeu com tranquilidade a gotinha, piscou, fechou o olhinho. A pediatra foi muito delicada e explicou que era uma fórmula transparente e geladinha para que não ardesse, nem seu olho, nem meu coração.
A gratidão a tudo e a todos foi tão grande que até hoje quando penso nesse dia fico agradecendo mentalmente por toda generosidade e apoio que tivemos para vivermos este momento. Muitos dos meus desejos foram atendidos, me senti respeitada pela obstetra e pediatra, o hospital não se opôs a como tudo foi conduzido. Meu marido e minha doula foram maravilhosos, sensíveis e parceiros, me senti profundamente amparada por eles, e isso fez toda diferença. Nossa família, mesmo apreensiva com algumas de nossas crenças e desejos para o nascimento da Marina, nos respeitou em todas as nossas decisões. Acima de tudo, agradeço a Deus, e a maneira que minha pequena nasceu, sua saúde, sua força e sua tranquilidade. Desde então ela tem sido uma companheira incrível e desde seu primeiro dia em meu ventre, a melhor mestre que eu poderia ter.

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Acho que me preparei e me informei bastante durante a gestação. Porém, nada poderia ter me preparado para viver e sentir o dia em que Marina nasceu…. Engravidei em outubro de 2013, após três anos de tentativas sem sucesso, através de inseminação artificial. O tratamento foi rápido, três semanas, indolor, bem mais suave do que imaginava pelos relatos que já tinha ouvido, mas gerou uma ansiedade muito grande em mim, e uma grande expectativa em nós, eu e meu marido. Depois de confirmada a gravidez, procurei dar o meu melhor para cada momento, pois me considerei muito, muito abençoada, vivendo algo infinitamente especial. Já tinha bastante claro na minha cabeça que o parto normal era o melhor: trabalhava na área da saúde, e também, por ser das últimas da família e amigas a ter filhos, já tinha tido este debate mil vezes… Mas era engraçado que conhecia pouquíssimas pessoas que tinham de fato tido um parto normal. Inicialmente optei por fazer meu parto com a médica que fez o tratamento. Mas logo percebi que, apesar da grande ansiedade que envolvia minha concepção, não queria um parto soterrado pelos cuidados e intervenções médicas de praxe para as mães que fazem tratamento. Ela era muito carinhosa, mas logo percebi que a chance de um parto normal com ela seria pequena, começando pela limitação das semanas de gestação, só esperaria até 40, além de muitas recomendações de cuidados que achava desnecessários em uma gravidez saudável. Tive então um sangramento e isso me deixou bastante vulnerável. Cheguei a desconfiar novamente da minha possibilidade de ser mãe, e o tipo de parto por um tempo perdeu importância, queria muito esse bebê (não sabia ainda que era umA bebê), fosse como fosse. Porém, me fortaleci novamente antes que esperava, e aos três meses de gravidez voltei a consultar minha ginecologista de antes do tratamento. Apesar da dificuldade de engravidar eu não tinha nenhum problema concreto diagnosticado, e me mantive acreditando no meu corpo, em minha capacidade de parir um bebê e na grande alegria que esta experiência poderia nos (já pensava nesta época que o parto incluía o pai, necessariamente!) proporcionar. Fiz yoga pré-natal, encontrei uma doula sensacional, procurei ter certeza se minha obstetra era de fato humanizada, como já tinha verificado ao consultá-la antes de engravidar, busquei informação em grupos a favor do parto normal e humanizado, visitei maternidades e uma Casa de Parto. Neste processo, mudei mil vezes meus conceitos sobre parto, maternidade e muitas outras coisas. Foi um período intenso e transformador para mim. Mas, como disse, nada me prepararia para o dia mais feliz de minha vida…
No final da gestação tive algumas intercorrências como sangramentos e infecção urinária, tive que ficar de repouso quase absoluto com cerca de 28 semanas. Tive pedra nos rins, que ocasionou todo este quadro, e uma crise dolorida (nem preciso falar que foi infinitamente pior que o parto, né!?) com 34 semanas. Tenso!! Foi um período delicado em alguns aspectos, mas muito rico à medida que me preparou para funcionar em um ritmo que desconhecia: o ritmo da natureza, do amor, da falta de lógica e da sobra de intuição e força feminina. Um tempo que desconhecia quase por completo… Chegamos então às 38 semanas, completadas e comemoradas, já que não corria mais o risco de um parto prematuro. Não sei ao certo quantas horas fiquei em trabalho de parto, senti algumas contrações na noite anterior, tinha voltado às aulas de yoga e mostrei para minha doula, também minha professora de yoga, e colegas da aula. Não dei muita importância, estavam desritimadas, e eu tinha sentido muitas coisas estranhas no meu corpo no último mês, aquilo não parecia estranho o suficiente para justificar um TP (achava que este processo seria uma coisa estranha demais, longa demais, definida demais, para a qual achava que tinha me preparado igualmente demais rs). Dormi normalmente. E então, no dia seguinte, dia 27 de junho de 2014, ao ir em uma consulta de rotina com minha obstetra as 13h da tarde, ela me diz: “ - Você está com 5 de dilatação!” Fiquei bem confusa, afinal, conforme as aulas com a doula, não era com este tanto de dilatação que eu deveria começar a pensar em ir para maternidade?? E isso era a última coisa que queria naquele momento… Estava radiante de feliz, sem dor nenhuma, com um pesinho na barriga (então isso não é só o pesinho da bebê?!), louca para sair por aí contando para todos esta maravilha, não ficar em um quarto apertadinha, internada… A obstetra recomendou então que eu andasse e voltasse em duas horas. Ainda perguntei se era capaz dela nascer ainda naquele fim de semana. Ela riu e disse que dificilmente não seria hoje mesmo! Saí completamente tonta, tentando me convencer que estava em TP. Avisei meu marido, e ele ficou bastante perplexo, principalmente com minha reação despreocupada, indo caminhar sozinha no shopping. Na verdade eu estava era descrente, aquele pesinho na barriga não me convencia que era sinal de um evento tão grandioso: Marina a caminho!! Fui em um pequeno shopping ali perto, afinal precisava andar, e aproveitei para comprar um top para colocar na maternidade. Ria sozinha ao imaginar o que as pessoas achariam se soubessem que eu estava ali, circulando, experimentando tops, conversando e em trabalho de parto!! Fui depois caminhando até em casa e o peso aumentou, nada de dor. Terminei de arrumar as malas, marido chegou e fomos para a obstetra novamente às 16h. Agora eram sete centímetros! Foi difícil me convencerem a ir para maternidade em seguida, ainda passei no espaço que fazia yoga, queria ver se minha doula estava lá para avisar pessoalmente que estava a caminho da maternidade, curtir mais um pouco a barriga e o lugar em que me sentia tão tranquila, e onde tinha aprendido tanto sobre mim, minha bebê, e a maneira que nos conheceríamos. Minha doula tinha saído e então deixamos avisado que estávamos indo. A esta altura meu marido achou que eu teria a bebê na escada, que fiz questão de subir alegremente sem ajuda!! Cheguei ao hospital 17.30h, e umas 18.30h estava com 8 de dilatação, ainda sem dor, o que me deu um ataque de riso pela surpresa, riso acompanhado pelo marido, pela doula, pela obstetra – essa falta de dor era mesmo esquisita para todos, um presente inusitado para o momento!! Meu riso era também de nervoso… Imaginei muitas coisas, mas um processo completamente indolor estava me parecendo surreal demais. E acho que desconcentrei um pouco por isso… Acabou que não dilatei mais até às 20h, as contrações perderam o ritmo de vez. A médica então sugeriu ocitocina, e depois de tudo que tinha lido tive vontade de me opor, questionar, brigar, colocar em prática pelo menos alguma coisa do que aprendi, pois até agora não tinha usado quase nada, o que era frustrante e maravilhoso ao mesmo tempo. Mas olhei ao redor, aquela cama cinza, chão cinza, parede cinza, chuveiro sem funcionar direito, me fizeram pensar que não seria um lugar onde passaria contente mais muito tempo esperando minha dilatação natural. Deu uma ansiedade e a certeza de que em um próximo parto preciso estar em um lugar mais colorido e aconchegante. Então aceitei. Daí sim, foram menos de cinco minutos para entender o que eram dores de parto! Doeu demais, fiquei desnorteada, achei que não ia aguentar, e ao mesmo tempo não tinha condição nem de pensar em outra coisa que não fosse nela nascendo muito em breve. Nem cheguei a conseguir racionalizar algum pedido de anestesia, cesárea, ou algo parecido. Digo isso, pois este era um medo grande ao longo da gestação, que eu fosse traída pelas minhas decisões na hora da dor. Quis ficar de cócoras em cima da cama e entalei de dor, literalmente não conseguia me mover para lado nenhum. Meu marido e a doula me moveram e fiquei deitada de lado. Uns vinte minutos depois e eu estava já com dilatação completa. Isso foi animador e me fez acreditar que eu provavelmente sobreviveria – sim, a mudança repentina nas contrações e a dor me fizeram ficar bem dramática! Mais vinte minutos e meu marido me fala “olha o cabelinho, olha o cabelinho!”. Não vi mais nada, fiz uma força imensa a cada contração, e poucas depois ela chegou. Eram 20:56 h, alguém me mostrou um relógio. Ela chegou! Tenho vontade de repetir mil vezes isso, ela chegou! A sensação foi essa nessa hora, que o mundo parou e na minha cabeça só ecoava isso: ela chegou, ela chegou! O primeiro sentimento foi perplexidade! Olhei para baixo, e em um lençol lá no pé da cama estava ela. Senti então uma urgência em encostá-la em meu peito, acolhe-la, aninha-la em um abraço sem fim. O pai cortou o cordão e tudo que me lembro deste momento é um borrão em torno dela linda e forte na cama, deitadinha de lado, coberta de branco, era isso então o vernix!? Muito depois, quando foi pesada e medida, eu soube: nasceu com 3,250kg e 48cm, apgar 9/9. Levei um ponto devido a uma laceração mínima após a sua passagem. A placenta saiu em seguida. Minutos depois de nascida alguém a colocou em meus braços, e ela mamou imediatamente por um bom tempo e em seguida ficou encostada no meu peito (no escuro e sem ar condicionado) por várias horas, coberta por paninhos colocados pela pediatra, que me explicou como aquecê-la. Pingou o colírio com ela no meu peito, procedimento que eu tentara evitar, mas foi um dos únicos pontos que não pude impedir e acabei concordando. Abriu o olhinho e recebeu com tranquilidade a gotinha, piscou, fechou o olhinho. A pediatra foi muito delicada e explicou que era uma fórmula transparente e geladinha para que não ardesse, nem seu olho, nem meu coração.
A gratidão a tudo e a todos foi tão grande que até hoje quando penso nesse dia fico agradecendo mentalmente por toda generosidade e apoio que tivemos para vivermos este momento. Muitos dos meus desejos foram atendidos, me senti respeitada pela obstetra e pediatra, o hospital não se opôs a como tudo foi conduzido. Meu marido e minha doula foram maravilhosos, sensíveis e parceiros, me senti profundamente amparada por eles, e isso fez toda diferença. Nossa família, mesmo apreensiva com algumas de nossas crenças e desejos para o nascimento da Marina, nos respeitou em todas as nossas decisões. Acima de tudo, agradeço a Deus, e a maneira que minha pequena nasceu, sua saúde, sua força e sua tranquilidade. Desde então ela tem sido uma companheira incrível e desde seu primeiro dia em meu ventre, a melhor mestre que eu poderia ter.

Trofa: workshop de descoberta da Lontra do Rio Ave mobilizou 15 participantes

Uma tarde dedicada à descoberta da Lontra do Rio Ave, através de um Workshop conduzido por Bruno Herlander Martins, foi a proposta da Câmara Municipal da trofa para o passado dia 13 de dezembro. Esta iniciativa decorreu no âmbito da empreitada…



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Conselho de Política Energética define proposta de trabalho para 2015

Conselho de Política Energética define proposta de trabalho para 2015

Fonte: Aqui Acontece

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Alagoas – A apresentação de novas propostas de trabalho para o setor energético de Alagoas em 2015 foi uma das pautas discutidas na última reunião ordinária deste ano do Conselho Estadual de Política Energética (Cepe). O encontro, realizado nesta quinta-feira (12), foi conduzido pela presidente do Conselho e secretária de Estado do…

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Assaltante é preso e oferece R$ 10 mil para escapar de prisão

Assaltante é preso e oferece R$ 10 mil para escapar de prisão

Uma equipe da Polícia Militar prendeu na manhã desta segunda-feira (15) um homem identificado como Udirson Modesto Prata de 34 anos foragido da Justiça, que possui condenação pelo crime de assalto a mão armada.

Udirson foi preso em sua residência localizada no bairro Tancredo Neves, setor Leste de Porto Velho e ofereceu cerca de R$ 10 mil em espécie, para não ser conduzido. O suspeito segundo a…

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"Não seja empurrado por seus problemas, seja conduzido pelos seus sonhos." / "Do not be pushed by your problems, but driven by your dreams." :) #amor #ás #ás2 #atléticasalesiana #café #coffee #compaixão #coragem #dedicação #disciplina #equilíbrio #gentileza #gentilezageragentileza #goodvibes #inovação #inteligência #generosidade #love #maisamorporfavor #paciência #persistência #paz #peace #razão #resiliência #s2 #sabedoria #serenidade #superação (em Atlética Salesiana - ÁS)

História

porJOSÉ MIGUEL WISNIK

Tomava café da manhã num bar no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, quando fui abordado por um grupo de homens silenciosos. Não tive maior dificuldade para saber o que representavam, embora não adivinhasse a extensão do que fariam. Meus conhecidos em volta, frequentadores do bar, como eu, estranharam a cena, mas não acenei para eles. Sem maior estardalhaço, dado que sou um homem desarmado, fui levado a entrar no carro. Eles me queriam num lugar não muito distante, mas fora da cidade, num sítio em Itapevi.

Não é a primeira vez que sou conduzido para lugares apartados do mundo comum. Ao longo da vida já fui interpelado em xadrezes e xilindrós, delegacias e quartéis, onde me demorei tempos, às vezes anos. Eles querem saber coisas de mim, e de outros através de mim, e usam instrumentos de pressão. Conheci os métodos, as práticas e os estilos de interrogatório forçado em diferentes momentos do país, e em segredo me orgulho de suportá-los. Eles apertam, e eu aguento. Depois saio e continuo meu trabalho. Mas nunca tinha sido trazido para essa espécie de hotel-fazenda voltado a uma dimensão mais intestina dos interrogatórios.

Faço parte do Partido Comunista Brasileiro desde que me entendo por adulto. E de uma família numerosa do Triângulo Mineiro, cuja mãe gerou 24 filhos. Gosto da Humanidade. Minha irmã caçula nunca esquecerá a noite em que me converti ao socialismo, durante o diálogo febril com um companheiro, numa sala de casa, que ela entreouviu sobressaltada, percebendo, mesmo sem entender, que ali a minha vida tomava um rumo grandemente inesperado. Casei-me com Aglaé, doce e decidida companheira, que não saberá agora onde estou. Não tive filhos, e luto para que o legado humano não seja o da miséria.

Isso tudo que me acompanha como a luz, a nuvem e a sombra benigna que já entranhou a alma, não é o que eles querem saber. Aqui, onde acabamos de chegar, cavou-se um poço sangrento e mais obscuro, sobre o qual eles desejarão que paire a sombra eterna. Sabemos que dentro em pouco começarão os trabalhos. Trabalho que eles já tiveram com os que escolheram a luta armada contra a sua grande máquina. Vencidos estes na força desigual, agora é a vez dos que buscam mudanças sem derramamento de sangue, ameaçando a ditadura com qualquer coisa que abra nela rachaduras democráticas, como nós. Estamos em 1975. Com meus companheiros de direção do partido, estamos sendo varridos pela operação que chamam de Radar.

Mas poderia ser chamada também de Operação Extermínio, que é o que começa a intuir a minha carne. Nas tratativas da tortura, batalha sem vencedor, não há muita negociação. Sei, com sobriedade, que me acostumei a fazer do meu corpo o tira-teima da minha crença: ninguém se aproveitará dele para me voltar contra mim mesmo e contra os meus. Mas, e também meu corpo é quem percebe, esses homens não querem mais se submeter a antigos limites: insuflados pelas conquistas da treva, levados por um delírio de grandeza e de pequenez, lançam-se a desventrar o Bojador, a dobrar o Cabo das Tormentas Alheias e a circunavegar a Morte.

Um sargento do DOI-Codi, Marival Chaves, estará, daqui a anos, em melhores condições do que eu para descrever o que se passa: segundo relatará, fui interrogado durante 20 dias e submetido a “todo tipo de tortura e barbaridade”, meu corpo foi queimado vivo, banharam-no em álcool e tocaram fogo, recebendo ainda, depois disso, o benefício de uma injeção para matar cavalos de 500 quilos. Os corpos de todos os que se submeteram a tratamento semelhante na famigerada Casa de Itapevi, com requintadas variações a cada caso, relatadas pelo sargento, foram atados a pedaços de concreto e jogados no Rio Avaré.

As instituições envolvidas na história, incluídas no relatório da Comissão Nacional da Verdade, que arrolará nomes de responsáveis, se negarão tanto a reconhecer os fatos como a esclarecê-los, abrindo seus arquivos. Mas então, pergunto, onde estarei eu, e os outros desaparecidos que são eu, como eu? Não quererão os agentes da tortura e da morte, modestos, reconhecer seus feitos heroicos? Acreditarão por acaso que é infeliz o país que precisa de heróis? Ou se sentirão humilhados, com suas ralas duas centenas de desaparecidos, perante os militares argentinos, que foram a julgamento por suas dezenas de milhares?

Não sei o que eu mesmo pensaria do então para mim impensável, o futuro fim da União Soviética. Como parte de um partido dividido entre prestistas e antiprestistas, infiltrado por agentes inimigos e contaminado pelo clima de suspeita, eu estarei talvez no último estágio de uma nave descolada da base. Mas a tragédia da vida não valerá nada diante da doçura só de uns olhos, como os de Aglaé, que pronunciará ainda, com integridade, a palavra povo, para meu sobrinho e minha sobrinha, a quem entregará minhas fotos e se permitirá morrer, um dia depois disso e de meu aniversário de 100 anos, em 2013.

O rio em que vivo não é o do esquecimento. Meu nome, e agora quem diz é meu afilhado, é Elson Costa.