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- E o que acontece agora? - Ele me olhou por um momento.

- Vamos seguir direções diferentes. Você vai rumo ao seu futuro e eu rumo ao meu.

- Será que eles vão se cruzar algum dia?

Ele deu um beijo em minha testa.

- Não seria o certo. - Uma pausa. - Mas… dizem que as vezes os ventos erram a direção.

Ultimamente as pessoas estão com o péssimo habito de colocar certos adjetivos na palavra amor. Que porra é essa de amor verdadeiro? Grande amor? Amor sincero? Aprendam: amor é amor e ponto. Se não for verdadeiro, nem sincero, nem grande, não é amor. Simples assim.
Amargurada. Angustiada. Aflita.
Chateada. Confusa. Cansada.
Desolada. Desapontada. Desesperançada. Desiludida. Decepcionada.
Inconsolável. Infeliz.
Nostálgica.
Perdida.
Solitária. Sem rumo. Sem direção. Sem brilho. Sem vida.
Ainda assim, insiste em viver mais um dia.
Temos a mania de achar que as pessoas que amamos são perfeitas, e que não comentem erros, pelo menos não conosco. Colocamos nelas toda a nossa expectativa e esquecemos que são, antes de tudo, seres humanos. Todos, sem exceção, iram te decepcionar ou desapontar em algum momento. Acontece. Mas você tem que ter o bom senso de discernir por quem vale a pena chorar, e principalmente, pra quem você vai oferecer o outro lado da face.
Talvez eu não tenha sido a pessoa perfeita que esperavas. Não tenha preenchido as lacunas das tuas expectativas ou nada tenha sido como você sonhou. Mas de algo tenho plena convicção: eu valia apena. Valia o seu esforço, paciência, cuidado e compreensão.
Não existe diferenças entre os humanos. No fundo são todos iguais. Todos carentes. Todos inseguros. Todos imbecis. Todos crédulos. Mas, principalmente, todos os maiores inimigos de si mesmo. E por causa da tenacidade em aceitar o imutável, em breve o mundo será um lugar com multidões, multidões de solitários teimosos, amargos e incompreendidos. Talvez seja este o pior castigo: ter que se suportar e fazer isso sozinho.
As pessoas superestimam um pedido de desculpas. Acham que com ele podem voltar no tempo, corrigir falhas e desfazer mal entendidos. Pedido de desculpa não faz a dor desaparecer, não faz a confiança voltar, não concerta erros, não cola corações, não remenda amizades. Não fazem ruínas voltarem a ser castelo. Não muda absolutamente nada. Na verdade a unica função é aliviar a consciência de quem pisou na bola. Pois apesar deles, os erros continuam lá, gritando: não confie em mim. Pedido de desculpa só é uma pedra em cima do erro, quando você cultiva dia a dia a confiança da pessoa, afim de acrescentar outras pedras pra reconstruir a muralha da confiança. Perdão leva tempo e é doloroso tanto pra quem pede quanto pra quem dá. Se você pensa ao contrário é porque nunca precisou perdoar. Tem gente que erra, aparece na casa da pessoa e depois de ruminar arrependimentos quer perdão instantâneo. Ei, você foi lá pedir perdão e não miojo. E se por um acaso você pedir perdão a alguem e ele for concedido antes mesmo da água do miojo ferver devo preveni-los de que, meu querido, como diria a cronista Clarissa Corrêa, há algo errado no paraíso.
Gosto de pensar antes de falar, mas isso não quer dizer que consigo. Gosto de quem não combina comigo. Quem me desafia, me obriga a usar minha flexibilidade, a minha capacidade de pensar, que algumas pessoas já esqueceram que tem. Se relacionar com o diferente é crescer. Gosto dos meus olhos: grandes, atentos, perspicazes. Mas detesto os meus cabelos que levam o conceito de liberdade a sério demais.
Amor, ódio, religião, amizades, tudo é uma questão de crer ou não crer. Na religião por exemplo: um escolhe acreditar que Deus, os céus e o inferno existe, outros crêem na reencarnação. Há aqueles que dizem que Jesus ressuscitou e outros que acreditam que ele nem desceu a terra ainda. E tem aqueles que acreditam que não há nada para acreditar, pois alegam que nada disso existe. Como vêem uma questão de escolha. Você escolhe acreditar e algo e passa a defender que sua crença é a verdadeira. Mas, convenhamos, tudo isso é ilógico. Até para não crer em nada é preciso provas. Ninguém pode provar que isso ou aquilo não existe. Há ‘indícios’ de uma coisa ou outra, mas provar mesmo, preto no branco, ninguém pode. Então não se trata de crer ou não crer, se trata de aprender a respeitar as escolhas alheias.