Sobre CepeUSP (a/c @laioncastro)

O @laioncastro questionou uma tuitada que soltei defendendo o fim do cepeUSP. 

Para não cometer o grave crime da paráfrase, eis as tuitadas dele:

http://is.gd/XOjyGO, http://is.gd/1qykdxhttp://is.gd/S4UqXahttp://is.gd/crQGtOhttp://is.gd/WDwmd6

Escrevi as respostas como uma série de tuitadas. Mas seria floodar demais a timelinda das pessoas. Então decidi trazer tudo pro tumblr. Porém deixei tudo como escrevi, então não liguem para o caráter fragmentário do texto que segue:

Discordo, laion. Há algumas premissas equivocadas.

1ª: comparar pro-aluno com Cepê. A pró é articulada dentro da política de permanência estudantil.

Dar acesso à internet e mesmo ao uso de computadores para os alunos tem uma justificativa educativa. o Cepê não.

2ª: De que é papel da universidade oferecer ‘benefícios’ para ‘toda a comunidade’. 

2a - Não é toda ‘comunidade USP’ que tem acesso ao cepê. Os estudantes da each não possuem acesso. Nem os do interior. Isso sem falar nos que trabalham o dia todo e mal conseguem tempo para estudar.

2b Não é papel (nem legal nem ético) de nenhuma universidade do mundo dar ‘benefícios’ para o aluno. 

Ela tem que oferecer ensino de qualidade e o que mais for necessário para que o estudante desenvolva os estudos- da biblioteca à política de permanência estudantil. E nem torcendo muito esta premissa se justifica a existência do cepê.

O que torna o aluno da USP melhor do que o de qualquer outro lugar? Ou o que torna o cidadão que faz parte da 'comunidade USP' melhor do que o cidadão que não é membro da 'comunidade usp'?

Não podemos defender que a universidade assuma um papel que é do ESTADO: garantir acesso gratuito e geral para todos os cidadãos a centros de cultura e lazer.

Numa cidade carente destes espaços como São Paulo a existência de um clube público segregador é um acinte. 

Afimar que o cepê ‘cumpre o papel’ do Estado de oferecer lazer é algo vergonhoso.É assumir que somos ‘escolhidos’ e, numa sociedade de carências, merecemos ‘benefícios’ negados para a maioria por conta de nossa situação sui generis de ‘uspianos’.

aquilo é símbolo dessa sociedade de privilégios, ou de “benefícios para escolhidos” que permeia a história do Brasil.

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Por fim um adendo: Não julgo nem considero errado que, ‘no nível individual’ façamos uso de algo que discordamos ou que consideramos errado.

Acho um equívoco total a existência de ‘meia-entrada’ ou mesmo de ‘meia-passagem’ para todos os estudantes. Por trás de um suposto ‘benefício’ geral existe um privilégio para muitos que é bancado por todos os cidadãos. Sem efetuar o recorte social só mantemos a situação de desigualdade. E pensar assim não me impede de me valer o uso dessas condições que a lei permite, mesmo sendo questionável (eu me questiono) o quão ‘necessário’ isso é pra mim.


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