Capítulo 1 - Parte 2 - O longo caminho de volta

 - Eu vou chamar o táxi, enquanto isso peguem tudo - disse meu pai, aparentemente, contente.

 - Finalmente nossa TERRA ! - minha mãe fala entre seu profundo suspiro - Eu nem acredito que voltamos. - completou.

- Pois é né ? Não sou a única que não acredita estar aqui - pensei alto. Minha mãe me fuzilou com o olhar.

- Estão prontas ? - como sempre bem entusiasmado Fernando, diga-se de passagem, meu pai .

- Estamos sim - minha mãe responde por “nós”, ou seja, apenas por Luíza, que assentiu, como sempre. Mas não poderia deixar passar.

- Ah claro, estou muito pronta para o começo do fim da minha vida - estampei o sorriso mais irônico que tinha.

- LUA MARIA BLAN …- meu pai á interrompe.

- Deixa ela, eu estaria da mesma forma, se estivesse em seu lugar.

 Entramos no táxi, e enquanto aquele veículo nos levava ao nosso mais novo “Doce Lar”, eu refleti sobre TUDO que deixei para traz, meus olhos encheram de lágrimas, que não foram derramadas. Não quero parecer frágil, posar de “menininha desprotegida”, então coloquei meus fones e fechei os olhos, e acabei cochilando. Mas não por muito tempo. Acordei com a Luíza gritando por causa de umas lojas que ela amava. Eu queria voar no pescoço dela, por ter me acordado por causa de UMA BLUSINHA DA MODINHA.

 - AAAAAAAAAAAA EU ESTAVA DORMINDO SE VOCÊ NA PERCEBEU ! - falei, ou melhor, gritei quase voando na Luíza, que se desesperou.

 - VOCÊ ACHA QUE O SONO VAI TIRAR O PEDRO CASSIANO DA SUA CABEÇA ? SUPERA QUERIDA, ELE JÁ DEVE TER ARRUMADO OUTRA - essa menina não deve ter noção do que fala. tocou no nome PROIBIDO.

 - VOCÊ PASSOU DOS LIMITES LUÍZA BLANCO ! EU VOU ARRANCAR FIO POR FIO DO SEU CABELO ! - gritei isso enquanto atravessava minha mãe, que estava em nosso meio.

 - CHEGAMOOOS - disse meu pai aliviado.

Capítulo 1 - Parte 2

Minha rotina monótona se resume em ao acordar, me arrumar, caminhar – por que meu filho, Pedro, leu nos jornais que faz bem para os idosos-, e no resto do dia desejar a chegada da noite para que ao olhar as estrelas as mesmas lembranças de épocas passadas, lembranças que me fizeram tão bem antes e que hoje trazem somente um alívio momentâneo voltem lentamente, passando na frente dos meus olhos mostrando que ainda sou capaz de lembrar de mínimos e incríveis detalhes. Não entendo porque todas as vezes paro na mesma parte específica do meu sonho. Não sei porque ele se repete todas as noites, e não sei também porque teima em parar na mesma hora.  De imediato tenho um pouco de raiva, mais depois, recordo que ao voltar ao mundo real, terei sempre o meu filho aquele que não se cansa de mim: Meu Pedro.

O mesmo Pedro que desde muito jovem dava o melhor Bom dia de todos. Mais para tornar o meu dia mais feliz ele não precisava fazer uma homenagem, nem mesmo provar nada. Ele só sorria. E aquele sorriso para mim era um resgate das minhas melhores lembranças. Como aquele lindo rosto angelical, acompanhado de um perfeito par de olhos azuis e cabelos negros tocava meu corpo e mostrava-me que a vida é linda. 

- E então mamãe, o que está achando do clima hoje?- disse ele enquanto saíamos de casa.

- Está normal.- respondi sorrindo.

- Ah… Mamãe tenho que te falar uma coisa importante, - falou olhando-me com os olhos cheios de lágrimas- e creio que não vou gostar da sua reação.

- Não me diga que… – Olhei em seus olhos revoltada e no fundo tenho esperanças de que o que ele tem para me falar não é sobre aquele velho idiota. 

- É ele… E insiste em querer te ver.

- Quem Pedro? – perguntei fingindo não saber quem era.

- O Augusto, já que não gosta que eu o chame de pai. 

-O que aquele “homem” quer comigo?

- Perdoe-me mamãe, sei que você não gosta que eu toque no assunto, mais ele insiste em querer te ver. Disse-me que é um assunto de extrema importância. 

- Pois pode dizer-lhe que definitivamente não irei vê-lo. Que coisa! Quando ele vai entender que perdão é a última coisa que ele conseguirá de mim? Aquele velho chorão! Não repita mais o nome daquele “Seu Augusto” enquanto vida ainda me restar! Está entendendo?

- Mais mamãe e… 

- Pare meu filho, você sabe muito bem que tenho meus motivos e que preciso de espaço, então por favor, dê o meu recado. – Eu o interrompi e parece que finalmente consegui o silêncio que tanto desejei desde que sai de casa ao perceber que falar de Augusto seria algo que preencheria minha caminhada impedindo meu relaxamento.

Capítulo 1 - Parte 2

  Ele olhou nos meus olhos, provavelmente pensando em alguma coisa para dizer, reparei nos seus olhos eles estavam diferentes, não estavam castanho claro quase mel, estava azul escuro.

  - O que aconteceu com seu olho ? Você está usando lentes ?

  - Gostou ?

  - Está bem… - dei uma pausa procurando uma palavra para expressar o que eu estava vendo, eu AMO olhos azuis. - bem diferente.

  - Valeu, mas voltando ao assunto, eu não fui pra praia com a minha tia - Ele falou

  - E onde você foi ? Vamos deixar o com quem para depois

  - Vamos pular a parte de onde eu fui porque não tenho a mínima ideia de onde eu estava - falou de um modo bem convincente, mesmo assim podia jurar que ele estava mentindo.

   Arqueei as sombracelhas* esperando pela continuação.

  - Digamos que era para mim ter virado “jantar”, mas isso não aconteceu, eles não podiam me…

  - Pera ai - interrompi - Como assim jantar ?

  - É jantar - a voz dele ficou um pouco trêmula e ele começou a chorar - eles não conseguiram me matar, mas isso eu ainda não sei porquê. Preferia ter morrido. Eu estava com tanto medo

  - Ma-ma-mas como isso aconteceu ? - Eu já estava quase chorando junto, ele não parecia estar mentindo, com as lágrimas era quase impossível não acreditar.

  - Vampiros me atacaram - ele falou na maior sinceridade.

  Não me aguentei e comecei a rir, ele só podia estar tirando uma com a minha cara, falar que foi quase “comido” por vamps. era demais né ?

  - Isso só pode ser uma piada. E eu aqui quase chorando junto com você, mas falar que você foi sugado por vamps e que não sabem porque não conseguiram te matar. Aff, isso nem faz parte do folclore brasileiro. - Reclamei, se a intenção disso tudo era me deixar brava ele está de parabéns, por que ele conseguiu.

  Eu sai andando depois correndo, só pude ouvir ele gritar:

  - É por isso que eles estão aqui.

  Um vulto passou sobre mim e num piscar de olhos Ian estava na minha frente, com um olhar que implorava para mim acreditar nele, confesso que até tentei mas a histórinha que ele contou era ridícula demais.

  - Sai da minha frente ! - Falei com desdém.

  Empurrei ele e sai correndo o mais rápido que podia, realmente estava um pouco assustada mas o pior ainda não tinha acontecido.

  No caminha para casa comecei a pensar um pouco no assunto, foi muito bom o modo com que ele apareceu na minha frente, e as lentes azuis deixaram ele completamente diferente, cheguei a conclusão que ele praticou isso para enganar alguns idiotas. “Ele é um bom ator”.

  Para chegar mais rápido em casa eu tinha que passar por uma rua que sempre está deserta, de vez em quando alguns carros estacionam lá. Eu não tinha dado sorte, um cara estava encostado na parede, tentei não olhar para ele enquanto passava, mas ai ele veio atrás de mim. Estava extremamente cansada e sem fôlego  de ter corrido do Ian, não consegui correr dele e ele era muito forte, não consegui me soltar quando ele me segurou, tudo que consegui fazer foi gritar, o que não deu muito certo porque como eu disse antes aquela rua era sempre deserta, então gritei o nome dele, na esperança de que ele estivesse me seguido

  - IANN! IIIAANN ! SOCORROOOO!!

  O que eu jamais imaginaria, é que ele viria.

  Ele veio correndo numa velocidade incrível e segurou o cara com uma força que qualquer um jamais imaginaria.

  - Solta ela - Ele falo calmamente para o cara

  - Senão oque? - Ele perguntou com desdém

  - Eu mato você - falava inda calmo - simples não ?

  O cara começou a rir, eu ainda estava sendo segurada e ele me agarrou com mais força. Os olhos do Ian mudaram, ficaram azul piscina e assustadoramente foscos (oh-meu-deus-não-eram-lentes). Ele mordeu o cara no pescoço.

  Eu estava desesperada, chorei ainda mais, mas pelo menos estava solta. Dei o meu melhor para não olhar para cena mas foi meio que impossível com os gritos. Em menos de um minuto o cara estava morto no chão, Iam olhava para mim.

  -  Sinto muito, ninguém merece ver uma coisa dessas. Vamos tenho que te lavar para casa. - esticou a mão para mim pegar.

  - Não! - Gritei com ele - eu não vou pra lugar nenhum com você

  - Não temos tempo para pirraça - ele ficou seco, me pegou no colo e me levou para casa.

"She felt the tiredness of the day settling in her young body. From her hooves to her ears, she felt the sleepiness getting a hold of her. 

Slowly, she made herself comfortable, closed her eyes and as the last thoughts of her day flew by her mind she slipped into the realm of dreams.

A realm that quite often is confused with reality, and vice versa… Not without a reason.

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