atraiu

Capitulo 01 - Mantenha os amigos perto e os inimigos..

Como era de costume as quintas-feiras a tarde Juliana estava chegando em casa, esgotada, depois de sair de sua aula de dança. Antes mesmo de cruzar a porta de entrada já soltou os cabelos que estava presos num rabo de cavalo, se tinha uma coisa que havia herdado de sua mãe era a facilidade para ter enxaqueca, pensando sobre heranças ela seguiu até a cozinha para preparar alho para comer e ver se afasta da mente a ideia de que um dia teria que assumir a companhia de dança da família coisa que não seria problema se ela não tivesse que assumir a parte administrava e deixar em segundo plano a sua paixão pela dança
Os ruídos de sapatos de salto alto batendo no chão e a voz da mãe conversando com seu pai atraiu sua atenção o que fez com que ela deixasse a sanduíche que estava fazendo de lado. Não fazia o tipo curiosa mas como diz um ditado "situações extremas exigem medidas extremas" e aquela, com certeza era uma situação extrema já que nada fazia os pais saírem do trabalho mais lado, então já que tudo era justificável naquele momento ela decidiu escutar a conversa

— Estamos quebrados — O pai disse, derrotado
— Mas como quebrados, Gilmar? Não tem como, não tem
— Tem e aconteceu, amor. Infelizmente. Foi uma sequência de erros em todo o faturamento da companhia, meses e meses, nos levaram pra um buraco que nós não conseguimos mais sair. E pra piorar estava acontecendo pequenos furtos na quantia de valor líquido da empresa e só percebemos isso muito tarde, os bancos não nós são mais crédito e nosso nome foi para a lama. Acabou
— Isso é tão triste e revoltante, por isso que eu queria que a Juliana assumisse a administração o quanto antes — Maria Cristina se lamentou

Ótimo agora a culpa dessa merda toda é minha. Ela pensou

— E o que você ainda não sabe é que eu hipotequei a casa para a gente conseguir pagar o seguro desemprego dos funcionários, o locador quer que a gente saia em uma semana
— Pode deixar que nisso eu dou um jeito. Vou falar com a Ana para ver se podemos nos hospedar na casa dela até nos estabilizarmos
— Mãe, por acaso a Ana que você está falando é a Ana Simas? — Juliana perguntou, entrando no cômodo sem pedir licença
— Qual mais seria, Juliana? E essa foi a educação que eu te dei, menina? Entrar sem bater e ainda por cima se meter na conversa dos outros.
— Esses outros que você diz são vocês, meus pais, sem drama. Mãe, desculpa tá? Mas pelo amor de Deus, eu odeio aquele filho da Ana não faça nós irmos pra lá, isso não.
— Para de drama — a senhora repetiu as palavras da filha — É nossa melhor opção, e além disso a Ana minha amiga mais fiel desde sempre. Tenho certeza que você e o Rodrigo vão se entender
— Mãe, não se iluda, tentamos isso por anos, lembra?
— Chega, as duas, parem — Gilmar interveio —. Ju, por favor, a nossa situação já está difícil o suficiente, ajuda filha. Como imagino que deve ter ouvido deve imaginar que tem no máximo 5 dias para arrumar suas coisas para a mudança. Minha linda, agora a gente deve ficar mais unidos do que nunca
— Você está certo, pai. Desculpa — suspirou pesadamente, dando-se por vencida — Vou deixar tudo que depender de mim organizado para mudarmos
— Por isso que eu te amo — beijou-lhe e ela se retirou logo em seguida

A semana que se seguiu foi o verdadeiro caos, mudanças, adaptações, adequações e aceitações. Juliana já tinha aceitado o fato de muito provavelmente seus dias passariam a ser infernais com a constante presença daquele moleque irritante mas que faria o possível e o impossível para ignorar a sua presença pois tinha coisas mais importantes para resolver como por exemplo o fato de uma amiga ter conseguido para ela um emprego como professora de dança, pelo menos com as suas despesas seus pais não teriam que se preocupar.
Segunda-feira, início de semana mas também início de uma vida nova para a família Paiva dos Santos, estavam finalmente a caminho de sua nova e temporária casa, Juliana carregava duas caixas com seus pertences, assim como Gilmar e Maria Cristina e quando as pernas da loira começaram a fadigar por causa do peso das caixas colocadas sobre elas, a garota se deu conta que finalmente haviam chegado ao seu temido destino, todos desceram do carro, deixando as caixas de lado para cumprimentar a família de amigos com exceção de Juliana

— Não vai me cumprimentar, Juliana? — Rodrigo perguntou, num tom debochado
— Me erra, moleque — ela respondeu, e desviou dele tentando adentrar na casa
— Ih tia, tu não deu educação pra Ju não, ela não quer nem me cumprimentar sabia? — o moreno comentou, provocando a ira da loira
— Juliana, cumprimente o menino, agora!
— Você ouviu a mamãe loirinha. Pode me cumprimentar — ele se aproximou dela e sussurrou — Com um beijo
— Ah Rodrigo vá a merda antes que eu me esqueça — o empurrou finalmente conseguindo passar para dentro da casa, mas o moreno foi rápido e conseguiu alcançá-la
— Deixa eu te ajudar com isso — pegou as caixas das mãos dela e começou a subir as escadas em direção ao quarto
— Vem cá, fala pra mim. A quanto tempo você não come uma mulher? Larga o osso moleque, me esquece
— Olha que meiga, está preocupada com a minha vida amorosa. Eu estou muito bem servido de mulher, obrigada por perguntar. Mas você por exemplo eu nunca comi e Ah como eu quero, você ainda vai implorar por mim, por mais de mim— ele lançou um sorriso sedutor
— Esse sorriso fajuto não cola comigo, parou. Esse quarto vai ser meu né? Então larga as caixas na cama e vai embora
— Tudo bem, eu vou. Mas olha, tenha mais educação com quem te estende a mão quando seu pai não tem um puto nem para te pagar uma água de coco

Ela fechou os olhos e respirou fundo

— Te dou 3 segundos para sumir,1..
— Tchau Xole — se despediu, roubando um selinho rápido sem que ela percebesse
— Insuportável — vociferou antes de bater a porta do quarto com força

——————

É só tudo isso que eu tenho para voces. Espero que gostem e comentem. Nunca vou me cansar de dizer que amei o Rodrigo implicante, e vocês?

Beijos

Sei lá o que me atraiu… ela fala demais, usa mais gírias do que eu, não parece ligar muito pra essas besteiras de estética. Não que ela seja feia, muito pelo contrário. Ela é linda! E talvez por isso não se prenda muito á essas besteiras. Curte mil e uma loucuras, conta outras mil e uma histórias. Mas, sabe… o que me atraiu não foi o que ela falava, foi COMO ela falava. Um brilho de estrela cadente no olhar. Aquele brilho que a gente sabe que é raro ser visto. E que quando visto, é por breves momentos. Mas tive a sorte de conversar com ela durante pouco mais de uma hora. Não desejo ela, nem nada do tipo. Só sei que fez bem essa conversa. Aliás, tá mais pra resenha. A mina falava três frases, eu uma palavra. Mas, mesmo assim me senti entretido e fixado naquele olhar. É… a mina com o olhar de estrela cadente. Fiz um desejo, é claro. Poder vê-la e conversar com ela outra vez.
—  Jô G.

Deus, obrigada por sua misericórdia, obrigada por fazer confiar em Ti e saber que Tu tens o melhor para a minha vida, me perdoe pelos momentos que eu desacreditei, que eu me desesperei e não confiei em Ti, me perdoa. Sei que o Senhor esta cuidando de mim e posso sentir isso, mais do que nunca. Que amor é esse, que conquistou meu coração, que atraiu meu coração.

-

Aquele mundo colorido que lhe atraiu ao meu lado, ficou cinzento quando você partiu.
—  Andy Campos

eu tinha 16, você quase 18; eu buscava agitação, você tranquilidade; eu amava sertanejo, você curtia um bom rock; eu era ciumenta, você todo controlado; eu era louca, você tinha o pé no chão; você gostava de inverno, eu me amarrava no verão; eu odiava exercícios, você adorava esportes; eu escolhia bons filmes, você nunca teve esse talento; sua inteligência me atraiu, meu romantismo te conquistou; eu preferia o campo, você morava na capital; você queria ser jornalista, eu não sabia o que queria; eu já sonhava com o sexo, isso às vezes assustava você; eu gostava de jogos de luta, você curtia os de futebol; eu queria pegar marquinha, você sempre fugia do sol; eu gostava de toddy, você era team nescau; você odiava peixe, mas pra mim abria exceção; eu era uma peixinha nata, você tinha medo de água; você me mimava como ninguém, eu era mal acostumada; você me apoiava em tudo, e eu sempre estava ali pra você; você não desgrudava de mim, eu não te largava; você tentava me impressionar, mas na verdade não precisava; àquela altura do campeonato eu já estava apaixonada. eu tinha medo de perdê-lo, você chorava ao me imaginar distante; eu te prometi amor eterno, você disse que me amaria pra sempre; e até hoje honramos o que outrora juramos. 

- You&I

Eu sou confusa, sou o resultado de diversos sentimentos contraditórios e um pouco de chá. Eu sou o monstro debaixo da cama e a menina assustada escondida no cobertor. Eu sou a saída de emergência e o fogo que faz a estrutura do edifício ruir. As vezes, posso ser a mobília esquecida no apartamento em chamas ou a fumaça que se espalha, fina e calma, perigosa e mortal. Eu me sinto sozinha, mas sei que tenho amigos maravilhosos. Eu sou orgulhosa, mas me jogaria aos seus pés se você me pedisse. Eu sou a faca e o corte, eu sou o sol e a chuva. As vezes eu sou educada, mas na verdade tudo o que eu queria era poder xingar, as vezes eu xingo sem nem perceber, as vezes eu sorrio pra estranhos na rua só porque algo neles me atraiu. Não sou grossa, mas também não sou gentil. Não sou isso, nem aquilo, eu sou os dois, a mistura dos dois. Muitas vezes me sinto vazia, mas sei que sozinha estou completa. Eu lhe disse que todos os meus melhores sorrisos pertencem a ti, mas não mencionei que minhas lágrimas mais pesadas também levam o teu nome. Eu sou muitas pessoas, muita informação ao mesmo tempo. Eu também tenho que me analisar para entender o que eu estou fazendo, porque quase sempre é o coração assumindo o controle - e coração não pensa, apenas sente. Mesmo assim, muitas vezes sou fria, falo a verdade, nua e crua, da maneira mais rude que posso. Me considero uma pessoa sincera, mas minto um pouco todos os dias. Eu sou uma bagunça, sei disso, não lhe culpo por ficar assustado diante de algo assim tão grande, que cabe num corpo tão pequeno. Mas eu espero que você possa amar todas as minhas fases, todos os meus eus. Eu espero que você lembre que mesmo quanto eu for o fogo queimando o edifício, isso não quer dizer que eu seja só isso e que lá naquele quarto tem uma menina agarrada ao cobertor, com medo do mundo, medo da vida. Ao mesmo tempo que sei muitas coisas que sou, sei também que ainda tenho muito para descobrir. Eu não sei quem sou, então deita aqui do meu lado, segura a minha mão e mexe no meu cabelo enquanto eu te mostro todos os meus lados, cantos e esquinas. Fica.
—  Luna Moon (§)

"Quando a gente se conheceu, eu tinha dezessete anos, a vida toda pela frente e aquela velha vontade de encontrar alguém com quem dividi-la.
Como imaginava ser quase impossível, acabei mergulhando no desconhecido que sabia não ser pra sempre.

Você cantava pra mim e eu supus ser especial. Você dizia que eu era a sua primeira, e eu me sentia única.
Tentava desvendar os seus segredos e interpretar suas reações. Mistério demais nunca me atraiu – ao contrário do que se ouve por aí. Mas o que a gente tinha, sei lá, me prendia.
Só que eu descobri que deixava de ser “eu” pra ser quem você queria ter. E eu renunciava às minhas próprias formas de demonstrar carinho na tentativa máxima de te parecer mais agradável.

Um dia recebi uma mensagem: a maneira mais dura de se dizer adeus.
Você precisava ir embora e eu não tinha argumentos.
Me tranquei dentro de mim mesma, aprendi a seguir sozinha.
Uma mulher madura talvez tirasse isso de letra. Mas eu era só uma jovem de dezessete anos que estava conhecendo uma nova forma de amor.

Com o tempo me convenci – e escrevi – que o importante de tudo é o aprendizado. Sim, eu aprendi muito com você. Mais com sua perda do que com seu carinho.
Mas se eu pudesse escolher, eu voltaria. E quando um amigo nos apresentou, eu podia ter sido fria, como você.
Pela primeira e única vez não ser eu mesma, e a gente seguiria sem ultrapassar a barreira do “oi”.
E eu ficaria bem…

Porque não há nada que doa mais do que não ter certeza se era real.
Nada mais cruel do que passar a vida toda me perguntando:
Você me tinha amor
ou só amava o afeto que lhe dei?”

Dezessete
(Isabela Linhares)

Engraçado como algumas pessoas entram nas nossas vidas de forma devastadora. Como se não se permitissem ser dispensáveis, uma pequena onda. Você foi um tsunami. No início, achava que não passaria um dia conversando com você e já enjoaria, mas você é um vício. E a gente é o oposto um do outro, ai eu penso naquele clichê “opostos se atraem”. E Deus sabe como você me atraiu… Mas a gente briga muito e se gosta muito. Somos bipolares. Somos por um fio. As vezes, isso me machuca muito e eu penso em desistir, mas você sempre me faz ver que há esperança, que por nós vale a pena. E eu não resisto a você, eu não desisto de você. Na verdade, toda noite eu oro, quase suplico, para que você lute por mim, mesmo quando eu não valho tanto a pena.
—  Crazysociety
Exit Wounds

Não me lembro exatamente qual dia da semana era aquele, provavelmente era a madrugada de sexta para sábado. Ou talvez sábado para domingo. Acho que nunca saberei. Não que isso importe muito, porque não importa. Mas dos olhos dele, eu lembro. Eram olhos violentamente verdes, chegava a ser ofensivo. Estavam um pouco vermelhos, de uma forma sexy. Na verdade, não tinha uma coisa que aquele cara fazia que não era sexy. Eu me sentia uma garotinha virgem nas mãos dele e aquilo me irritava profundamente. Ele tocava meu corpo com a mesma maestria que tocava seu baixo quando se apresentava com sua banda. Eu particularmente nunca gostei de baixistas, mas aquele atraiu minha atenção desde a primeira droga de vez que eu o vi tocar um cover de Seven Nation Army. Me deu vontade de tirar a roupa ali mesmo. Talvez se eu estivesse com um copo a mais de álcool no meu corpo, teria ficado nua no meio daquela platéia. E ele teria me notado. Mas não, ele só me notou no dia que se agarrou com uma das minhas amigas. Pois é. Dizia ele que só ficou com a minha amiga porque não tinha me visto antes. Sendo que eu já tinha passado por ele umas mil vezes só naquela noite. Acreditei muito.
E agora, depois de 3 semanas, finalmente cedi aos encantos do baixista gostoso. Ele estava na cama comigo, me abraçando por trás, sem camisa, com a calça larga revelando parte da sua boxer preta. E, Deus, ele era todo tatuado. Me senti uma adolescente de 15 anos. Ele beijava minha nuca enquanto passava a mão pela minha barriga já descoberta. O desgraçado sabia o que estava fazendo. Sussurrava em meu ouvido arrepiado, me chamando de delicia. Quase que imediatamente, meu tesão se transformou em uma vontade quase incontrolável de rir. Não pude deixar de associar de uma forma ridícula, o elogio do rapaz a uma marca de margarina. Reprimi o riso, disfarçando-o com um pequeno acesso de tosse. Ele não se afetou e continuou com o “serviço”.
- Não acredito no que você está fazendo. - disse uma voz.
Levantei a cabeça, um pouco sobressaltada, procurando de onde tinha vindo aquela voz. O baixista não tinha notado nada de diferente, pois continuava a sugar meu lóbulo esquerdo como se a vida dele dependesse daquilo.
- Lucia, estou falando com você. Se é que você ainda é você.
Levantei minha cabeça novamente, fazendo com que meu olhar cruzasse instantâneamente com o de Igor. Ele estava sentado na pequena poltrona do outro lado do quarto. O baixista não percebera a presença dele ali. Se é que ele estava realmente presente…
- Não, ele não consegue me ver. - disse Igor, com um traço de sarcasmo cansado na voz.
Nesse momento, as mãos urgentes do baixista gostoso agarraram meus seios por cima do sutiã roxo que eu ainda estava vestindo. Igor sorriu, sem achar graça.
- Estão maiores - disse ele, fazendo que meu rosto ficasse vermelho.
- Impressão sua - eu disse, em um fiapo de voz, enquanto o baixista enfiava sua enorme mão dentro da minha calcinha. Porém, naquele momento, eu não conseguia prestar atenção em qualquer outra coisa que não fosse Igor.
- Talvez. Está tomando remédio, não é? - disse Igor, desinteressado.
- Sim… - eu respondi, me perguntando como o baixista não estava me ouvindo falar. Senti os dedos do rapaz tatuado massagearem minha virilha. Ele realmente sabia o que estava fazendo.
- Está gostoso aí? - Igor sibilou, com raiva. - Geme pra ele, Lucia.
- Para com isso! - sussurrei, já sentindo a garganta queimar.
- Não posso acreditar que você é assim agora… - disse Igor, em tom de escárnio. Os olhos dele miravam a mão habilidosa do baixista gato dentro da minha calcinha de renda lilás. A calcinha que ele me deu de aniversário de namoro.
- Assim, como? - eu sorri da maneira mais sensual que consegui. Igor se encolheu sutilmente na poltrona. O baixista nada percebia pois eu estava de costas para ele, sentada em seu colo e sentindo sua ereção roçando em mim de leve. Soltei alguns gemidos forçados, fazendo com que o rapaz ficasse ainda mais animado. Rebolei em sua ereção ainda coberta pela boxer preta. Ele tirou meu sutiã e me deitou na cama, olhando nos meus olhos.
- Você é muito gostosa. - disse o baixista, não de forma sexy, mas como um menino que está vendo uma mulher nua pela primeira vez na vida. Achei graça.
- Como sabe se sou gostosa… - eu comecei, olhando Igor pela visão periférica. Ele parecia fora de si, mas controlado - se ainda nem provou o meu gosto?
Na mesma hora, o baixista arrancou minha calcinha e meteu a cara no meio de minhas pernas. Dessa vez, eu gemi de verdade. Igor me olhava furioso.
- Nisso, Igor? - eu perguntei, arfando - Na mulher solteira e independente que dá pra quem ela bem entende e quando ela bem entende? Na mulher livre que não precisa da autorização de ninguém pra sair ou beber com os amigos? - olhei bem nos olhos dele, enquanto o baixista me sugava intensamente - Na mulher diferente da que você deixou para trás?
- Não… - fraquejou Igor - Me desculpe.
- Eu sei que você esta aqui para me fazer sentir culpa - eu disse, notando as lagrimas nos olhos de Igor. Comecei a me sentir mal, afinal de contas, ele tinha sido uma criação da minha mente. - Mas não vou me sentir culpada por isso. Você abriu mão, agora deixe-me livre.
- Não Lucia - disse Igor, com um sorriso triste.
- Não o que?
- Não foi por isso que eu vim. Não foi pela culpa.
O baixista parou o trabalho, me beijou e me colocou de quatro. Pude ouvi-lo tirando as boxers. Eu estava tão entorpecida com a presença de Igor ali que eu até tinha esquecido da minha transa. Senti o baixista me penetrando devagar, sentindo uma pequena dor no início, porém me adaptando logo depois. Mas estava mais interessada no que Igor tinha a dizer. O baixista me pegava pelos quadris com força, porém eu não conseguia ser recíproca. Ainda olhava Igor nos olhos. Aquilo era bizarro demais. Há quanto tempo eu não o via? Uns, sei lá, 10 meses? Ele foi o amor da minha vida e eu estava seguindo em frente.
Não estava?
- Lucia. Eu ainda te amo. - ele disse, com uma lágrima solitária correndo por sua bochecha. - Eu não estou aqui de verdade, mas o meu eu sabe que eu estou aqui. Não sou sua imaginação. Nesse momento eu estou dormindo e sonhando. E te revelando tudo que eu sinto ainda. Nunca deixei de sentir.
- Como isso é possível, Igor? - eu exclamei, exasperada. O baixista deve ter ouvido aquilo como um gemido, pois me penetrava com mais força ainda.
- Você sabe - Igor sorriu triste, olhando para baixo - temos uma ligação muito forte.
Ele levantou os olhos e disse de novo que me amava. O baixista gritava de prazer.
- Você ainda me ama?
Eu não sabia o que dizer. Igor me olhava com aqueles olhos cor de mel através de seus óculos de aro azul escuro. Reparei que ele usava um piercing no septo. Me sobressaltei: ele não usava piercing no septo na última vez que eu o vi. Aquilo me fez acreditar que ele estava ali de alguma forma. Fiquei com medo e nervosa de repente. Senti o baixista gozar e relaxar as mãos dos meus quadris. Suspirei cansada, mas não era pelo sexo.
Fechei os olhos e afundei o rosto na cama. Já sabia o que iria responder à Igor.
- Sim, eu ainda te amo.
Quando levantei os olhos, ele havia desaparecido. O baixista me puxou para um abraço, que eu rapidamente me desvencilhei.
- Adorei nossa noite! - eu disse, enquanto vestia minha calcinha e meu sutiã - Mas eu realmente preciso ir pra casa!
- O que…- começou o baixista, mas eu o interrompi.
- Foi bom pra mim, você é ótimo! - eu dizia, enquando vestia minha calça. Calcei minhas sapatilhas e vesti minha camiseta do The Strokes. - Mas eu REALMENTE preciso ir.
Não esperei resposta, peguei minha bolsa e voei para fora daquele quarto. Desci as escadas correndo. Que patético, sair andando de um motel.

Eram 2 da manhã, e eu estava parada de frente pra porta do apartamento do Igor. Apavorada. Apertei a campainha três vezes, como eu costumava fazer quando ainda estávamos juntos. Fui recebida por um Igor totalmente diferente do que estava comigo no quarto há poucas horas atrás. Com a cara amassada de sono, cabelos pretos bagunçados, sem os óculos. Mas, droga, ele usava uma porcaria de um piercing no septo.
Percebi que ele ainda não tinha enxergado que era eu. Ele tateou uma prateleira perto da porta a procura dos óculos. Antes que ele pudesse colocá-los, sai em disparada pelo corredor. Tinha sido uma péssima ideia. Ele não ia me ver. Talvez ele pensasse que fora apenas uma aparição. Algo na mente dele, sei lá.
- Lúcia, eu sei que é você que tá aí. - Igor falou em voz alta e eu congelei. Voltei a porta dele, envergonhada até o último fio de cabelo. - Só você toca a campainha assim.
Bufei de forma cômica, ainda constrangida. Não sabia o que dizer.
- Oi Igor. - eu genialmente soltei em sussurro.
- Oi - ele respondeu, em tom de interrogação. - Quanto tempo, né?
- Maneiro, o piercing. - eu disse, apontando para o nariz dele. Nunca me sentira tão ridícula na vida.
- Você não veio até aqui às - ele checou o relógio - duas da manhã para elogiar meu piercing.
Era agora. Aquele era o momento. Mas o que dizer? Como dizer sem que eu parecesse uma maluca? Não que eu fosse muito normal, mas ainda assim…
- Me desculpa te acordar.
- Tudo bem - Igor suspirou - O sonho tava bem ruim mesmo.
Eu arfei, mais tensa do que nunca.
- Algo a ver com quartos de motel?
Ele arregalou os olhos, finalmente parecendo acordado.
- Eu estava no sonho também, não era?
- E-estava. - Igor disse baixinho, incrédulo - Merda, estava sim.
- E estava com um rapaz tatuado passando as mãos em..
- O QUE VOCÊ QUER, HEIN? - Igor berrou de repente. - E como você sabe de tudo isso?
- Eu não quero explicar. - eu disse, já sentindo as lágrimas pedindo liberdade. - Eu só vim te responder.
Igor encostou-se no portal de entrada, olhando para baixo. A sua mágoa era palpável.
- Eu vim dizer que sim. - eu disse. Ele levantou a cabeça na mesma hora. Ele se lembrara da pergunta que ficou no ar. - Me desculpe, só achei que você merecia uma resposta.
Finalmente eu comecei a chorar. Não sabia que dia era. Ou como a minha noite tinha ficado tão insana em apenas algumas horas. Mas lá estava eu, repousando meu queixo no ombro de Igor. Sentindo ele me dar o melhor abraço da minha vida. Acariciando seus cabelos extremamente pretos e lisos. E beijando sua boca molhada de lágrimas e com gosto de sono.
Eu ainda não me lembro exatamente que dia era. Se era sexta, sábado ou domingo. Mas não importava. Eu estava bem, enfim.

PUBLICIDADE: NA COLA DE UM TROLER

Troller foi motivo de orgulho de alguns proprietários e de muitos brasileiros. Fabricado no Ceará, o off-road ganhou prêmios internacionais importantes como o Paris-Dakar. A trajetória de um carro nacional tão bem aceito pelos motoristas e técnicos atraiu a atenção de todos, inclusive de montadoras estrangeiras e de publicitários locais. Os primeiros para comprar a marca, que hoje pertence a Ford. E os segundos para fazer suas campanhas publicitárias. Num trabalho de prospecção com o objetivo de atender a Troller, que ainda era 100% nordestina na época, criamos várias peças na agência Ampla. Destaco esse anúncio que teve a direção de arte de Ricardo Rique.

Pela cruz, me chamou
Gentilmente me atraiu e eu
Sem palavras me aproximo
Quebrantado por seu amor
—  QUEBRANTADO - Vineyard Music Brasil