armeme

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armem os portões, ela chegou de bolsa na mão. leva coisas para todos os lados, com carinho de mãe nova, descobre tudo que dá para alcançar e morder. 


energia sua, descobre que de lianas o caminho lota. efeito de borda de seu peito, tem que cortar a trepadeira, fazer com que pare, não deixar que a devastação entre por tudo, aperte seus pulmões rins estômago intestino, tudo tudo que se vê, ouve, sente, cheira, da vida ao ser preso solto que ela pode, é, ser. 

imagina que corre, anda, mas é sempre imaginado.


suas árvores. tem um jacarandá, jequitiba, crescem crescem mesmo no cerrado, mesmo na mata atlântica, mesmo no baixo ventre, mesmo na adversidade. Sabe aquela linha c? é sua vida, depois de perder o controle e retomar. é mesmo, não lembrei de reparar, tomar para mim, mas agora lembrei do lugar pequeno expansivo que me encontro. 


Uma mulher, de meia idade como dizem, anda pelo cafezal, procurando algo que não seja café café café café. Segue as formigas, depois a cinza, depois uma pequena cobra coral, e vê. uma fenda no meio do peito do cerrado de café. uma fenda que jorra.