morrer não é questão de escolha e isso nós já sabíamos

começamos a morrer assim que nascemos. morremos quando choramos ao sairmos do ventre materno, quando acreditamos em monstros em baixo da cama (quando eles realmente estão nas ruas). morremos quando sofremos com a primeira paixão acabada, o primeiro beijo mal dado e o primeiro fora levado. morremos quando dizem que não somos capazes. morremos quando tiramos nota baixa na escola e somos declarados burros por isso. morremos quando temos que procurar emprego para sobreviver. morremos em cada segundo de angústia, cada minuto de loucura, cada hora de tormento, cada dia de solidão. morremos hoje, morreremos amanhã e depois, depois e depois. 

ácido.

O assassino é quase sempre alguém que saiu do nada; alguém que você jamais imaginaria em milhões de anos. A garota metida e patricinha será sua amiga. Talvez sua mãe possa te abandonar. Seu melhor amigo tem o melhor amigo dele. Você vai morrer, disto eu tenho certeza. São tantas coisas… Acho melhor parar por aqui. Não quero decepcionar você. 

poesia de ponto de ônibus em 15 minutos bizarros

eu sei que é muito bizarro
e patético
mas é só
o meu eu-poético. 

que escreve quando espera o ônibus
e quando chora nos cantos
que odeia vírgulas
e conta os pontos..

que nunca esquece o passado, deixa de viver o presente e não pensa no futuro.

só mais uma desordem
de alguém
ou ninguém.

.ácido

Estudar geografia não é tão ruim, principalmente se for a geografia do seu corpo

Ainda não estudei a geografia do seu corpo
mas quero desvendar cada relevo
e fazer sua previsão de tempo.
Deixe chover,
me inundarei em você.
Mergulharei em tua pele
e nadarei em suas artérias,
nem as bactérias
me impedirão
de estudar cada parte do seu corpo.
Faz brilhar o céu em teus olhos
e iluminar todo o seu rosto.
Serei o gosto em tua boca
e sentirei sua garganta me levar
para seu interior.

da gema

o universo é um espelho que reflete o que somos. 
não sou boa em primeira impressões, nem em segundas, terceiras ou vigésimas.
alguns km daqui loucos se drogam na lapa
"porque esses zoin vermelho eu sei que não é conjuntivite"
e outros dançam na barra.
uns querem grana
e roupa bacana
mas mudam a ideia em cada semana.
poetas que buscam inspiração
e mcs que rimam no busão.
prostituas vagam pelas esquinas esperando que um pai de família ceda aos seus encantos. 
um caos na vida carioca
mas é em são paulo que não existe o amor.

ácido.

alma é grande e a vida pequena e todos os gestos não saem do nosso corpo

de que vale todo meu desespero se ao expirar só me restarão as cinzas de um corpo atordoado de negatividade.

eu quero a tranquilidade de um beijo na testa e a agitação das moléculas quando ele beija meu pescoço; mas nunca a dor de um beijo de despedida. 

a agonia que dançava em meu peito, música nenhuma poderia descrever, mas continuava tentando apagar os rascunhos escritos em minha mente, de que tudo daria errado.

meu caos singular se tornou plural quando ele fez tudo que eu sentia ser nós sentíamos… mas hoje, segunda feira, não sinto mais; amanhã, terça, não sentirei, nem quartas, quintas, sextas, sábados e domingos. as horas passam lentamente e os xis do calendário se somam a um em cada dia que se passa, quando o fim do mês se aproxima, nada mais me tira o sossego, porque ele está aqui.
me fazendo nunca desistir.
continuo a sorrir.

ácido, 379 dias com ele.

porque depois do show tem sempre uma estrela que brilha mais

você me beija, me arrepia e depois me come com seus olhos de comer fotografia.
os detalhes eram claros:
eu te amei até a última estrela do céu se apagar.
ainda te amo.

não estamos juntos 
mas estamos sob o mesmo céu estrelado
onde nossos dedos foram entrelaçados 
e nossas bocas sorriram coladas.

ouvimos as mesmas músicas e falamos das mesmas besteiras
que nos faziam passar mais horas juntos.
os mesmos problemas
os mesmos dilemas
mas nada que me faça esquecer os poemas
as juras de amor
e as músicas da nossa própria trilha sonora.

o show das nossas vidas
depois de idas e vindas
teve uma partida.

espero sua volta, babe.

ácido.

meu amém é cético/ e acreditar é patético

conjugar amor no passado não é coisa do meu presente nem do meu futuro. não é, não será. querer ser rebelde e não conseguir é o que faço. fugir. mentir. partir. 
ta. é só o que digo. você não merece minhas palavras, não merece meu amém e muito menos meu tudo bem.
pra ele peço desculpas. é pouco eu sei.
eu sei.

ácido

Escrever na terceira pessoa esconde um pouco a vontade de soletrar a primeira pessoa

Tímida e observadora, tinha grande dificuldade de expressar os próprios adjetivos e sua personalidade, em uma folha de papel, ou até mesmo em um bloco de notas do computador.
Ainda não havia encontrado, de fato, essa personalidade simetricamente irregular que achava que tinha. 
Confusão. Era o que definia quase perfeitamente (Porque de perfeito só olhos de Welcome to the Jungle). 

Neri

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