Space Invaders
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Artist - Arctic Monkeys

Album - Unreleased Tracks Demos & Live

Year - 2006

Song -  Space Invaders

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ASIMOV: entrevista a Carlos Ferreira

 

Oriundos da periferia lisboeta, os Asimov são um duo formado por Carlos Ferreira (voz e guitarra) e João Arsénio (bateria).


Este projecto musical começa a ser germinado por volta de 2002, à medida que o Carlos vai acumulando gravações que mantem privadas, fechadas no baú. Em 2011, junta-se ao João - com quem já tinha tocado em Brainwashed by Amalia -, dando origem à mesma formação de Asimov que a Stress.fm encontrou no Faz-me Festas nos Anjos, no dia 1 de Junho de 2013.

Para trás, têm o “Algures no mundo é noite”, LP editado em 2012, e bastante rodagem de concertos de norte a sul. Estão prestes a lançar o novo album, também editado exclusivamente em vinil, numa tiragem de 300 exemplares.

Overseas" foi o pretexto da conversa que tivemos com o Carlos no estúdio da Stress.fm. E é com muito gosto que apresentamos ao longo deste podcast algumas das malhas deste novo disco.

Neste podcast, podemos ainda ouvi-lo a falar mais detalhadamente do percurso dos Asimov e das referências  e opiniões do Carlos sobre música, rock psicadélico e os planso futuros…


ATENÇÃO: O concerto de lançamento do Overseas vai ter lugar na quinta feira, 19 de Setembro, no Lounge (Rua da Moeda, Cais do Sodré, em Lisboa).

 

Todas as músicas deste podcast fazem parte do album dos Asimov Overseas:

Grim Harvest

This City is Dead

Overseas

Stars Are but Wishes

If home is where the heart is then I’ve been homeless for a long time

Reverence Valada: a fuga é um mundo diferente

Alguma vez se iria imaginar um festival, numa pequena vila perto do Cartaxo, que tomaria como bandeira o «rock psicadélico»? Pelos vistos houve quem imaginasse e o fizesse acontecer numa completa e enorme megalomania onde as escolhas musicais não são por acaso.

Estamos no parque de merendas de Valada, uma simpática vila ribatejana que, fruto das cheias do rio Tejo, tem a zona urbana e o parque de merendas separados por um alto muro de pedra. É um muro circulável, com escadas e rampas que ligam um lado ao outro, protegendo as casas das intempéries. De um lado a vila, do outro o festival Reverence Valada.

O Reverence propõe-nos um programa recheado, havendo concertos das 12h até às 6h em três palcos diferentes. Na zona de comes e bebes há DJs dentro desse mesmo horário. De resto? A pintura de uma cobra psicadélica numa faixa de 4 metros e a Feira das Almas com artesanatos e discos vários. A proposta posta em termos gerais é o «rock psicadélico», mas olhando para os nomes do cartaz vemos que essas fronteiras – pelo menos no sentido clássico – são muito ultrapassadas. Em entrevista ao Ípsilon, Nick Allport, o mentor da coisa, deu uma explicação que prometia: «Nunca disse que o Reverence seria um psych-fest, mas é definitivamente um festival underground, alternativo. Nunca teremos os Coldplay ou algo semelhante. Teremos bandas que adoramos, bandas que terão que ter qualquer coisa ligeiramente errada». Vejam bem, bandas que terão de ter qualquer coisa errada – não estamos no mundo do certinho, estamos no mundo onde não existe uma fórmula. Prometia muito.

Quando há concertos das 12h às 6h torna-se praticamente impossível ver tudo, mesmo que só existam pequenas sobreposições. O vai-e-vem entre os dois palcos secundários – o palco Rio e o palco Sabotage -, onde um mar de (pouca) gente se desloca em massa, torna-se algo cansativo quando já passaram cinco horas.

Tenda montada, almoço tomado, chegamos ao festival. É hora dos Killimanjaro no palco Sabotage, rock ‘n roll simpático, mas pouco «errático» para as poucas dezenas de pessoas que assistiam ao concerto. É cedo: são 14h30 de sexta-feira. No palco Rio tocam os François Sky & Guests que já entram claramente na zona do psicadelismo com o seu noise ambiente a pôr os pontos nos is sobre o terreno que pisamos. Novamente, na corrida para o outro palco ainda dá para ouvir o fim do fim do concerto de Born A Lion, que se mostram ser mais competentes a exprimir rock ‘n roll que os Killimanjaro. O músico Wooden Wand com a sua folk psicadélica marcou um momento diferente, tranquilo, bonito, embora algo pasteloso. Ao mesmo tempo o check sound  do palco Reverence entra pelos concertos do palco Rio adentro. Um incómodo constante.

Rapidamente se percebe que os concertos são muito curtos, não excedendo mais de 20-30 minutos. Ora, isso acaba por até ser banal numa época em que tudo é rápido e onde a informação nos chega aos magotes, mas é um problema porque a música – e num festival onde se privilegia a música psicadélica, experimental e diferente – precisa do seu tempo. Os concertos precisam do seu tempo, de ter uma espécie de início, meio e fim – e precisam de não ser a correr. Claro que esta questão do tempo leva às bandas fazerem escolhas, mas no caso de bandas com 30, 40 ou 50 anos de existência essas escolhas serão sempre muito limitadas.

Há duas bandas que se dedicam ao sol. Os Sunflare Rock são tipos que percebem o que estão a fazer, psicadelismo ruidoso e espacial, a viagem começa aqui – uma viagem turbulenta em direcção à luz que esmaga. A potência é uma maneira de fazer um concerto. Por outro lado, os Sleepy Sun são mais modestos, com um vocalista demasiado colado à imagem de Robert Plant, mas muito mais leves que os Led Zeppelin. Um psicadelismo ligeiro para acompanhar uma cerveja.

Após uma breve passagem por Ringo Deathstarr (tenebroso), é altura para descanso e comida. Há uma zona de comes e bebes onde encontramos o quiosque do parque de merendas e umas tendas montadas de massas, hamburguers (com carne a sério), bifanas e vegetais grelhados (há também um leitão a ser assado, mas esse é destinado aos artistas), tudo a preços modestos, com gente simpática e sem as grandes marcas fast food, com excepção das barracas de cerveja Sagres. O problema é que os comes e bebes estão situados no meio de tudo e entre os concertos dos dois palcos secundários, o check sound do palco principal e os DJs que ocupam o palco nessa zona – e não há lugar ao silêncio, ao estar, à conversa. Com tanto concerto, tanta música e tanto barulho não há lugar para praticamente mais nada – e respirar é preciso.

São 20h e abrem as portas do palco Reverence, situado no campo do Ribatejano Futebol Clube Valadense. Os The Wyches são os primeiros a subir ao palco e têm 30 minutos para tocar (há mesmo um relógio, do lado direito do palco, que vai contando os segundos para o concerto terminar). São adolescentes, são explosivos, entre referências grunge experimental a alta velocidade e uma certa melancolia que dá um salto até à raiva. Não há lugar para muitas palavras, mas os Wyches dizem-nos que estamos num festival muito decente com gente muito decente, de certeza que não é um festival em inglês – aborrecimento pela meia hora que lhes era destinada? Talvez. No campo ainda meio esvaziado, mas relativamente compacto, ninguém se importou muito e, finalmente (para bem e para o mal), notava-se que estávamos num festival – as pessoas mexiam-se para lá da apatia que foi acompanhando os concertos da tarde.

Se a ideia era um festival de bandas que têm de ter alguma coisa de errado, os Swervedriver foram um enorme flop. É aquela banda em que se olha para o temporizador e se pensa «Ainda falta muito?». Não há uma ponta de erro nos Swervedriver, apenas um profundo tédio a que se costuma chamar simplesmente de «rock alternativo». Já os Red Fang abocanharam o palco com o seu rock pesado, roçando algo entre Black Sabbath e Metallica, bastante simpatia e com uma atitude que viaja para lados mais distantes do que a proposta psicadélica – dizem-me que isto é stoner rock e eu acho que está bem: as cabeças abanavam, o crowd surfing tornou-se hábito e os copos de cerveja voam pelo público – explosivo!

O melhor momento da noite foi dos Graveyard, que nos colocou no seu cemitério dos prazeres. As referências do passado estão lá todas, de Led Zeppelin a Frank Zappa, mas não nos agarramos a isso. Estamos no mundo de hoje, com uma ligeireza simpática, mas sombria e expectante. Quase repetitivo, ainda nos mostrou um mundo por descobrir.

A tensão viria com o último concerto da noite, Electric Wizard. Consigo compreender o interesse nesta banda, a sua profundidade pesada, mas a distorção constante, o elevado ruído, a má qualidade do som, serviu para antecipar a ressaca. No fim do concerto, ao longe, ouviam-se uns ruidosos Process of Guilt que tiraram as forças para continuar a noite (e assim não vi os Black Bombaim às 4 horas da manhã).

Acorda-se no dia a seguinte a pensar no porquê do rock psicadélico fazer sentido. O primeiro dia do festival não trouxe ainda grandes respostas ou viagens, com cada banda a tentar impor a sua fuga para um lugar difuso. Seria no sábado que as respostas viriam durante a noite.

O festival anda atrasado uma hora. Os bombeiros foram combater um incêndio e só houve condições para abrir as portas uma hora depois. Os Keep Razors Sharp, os Exit Calm e os Air Formation não aqueceram nem arrefeceram. Finalmente, os hipnóticos Mugstar começaram a preparar-nos para o resto do dia. Umas vezes a abrir, outras vezes com calma, uma batida electrónica potente e teclas a acompanhar – sabiam da sua poda e a estrada começara a abrir-se para novos rumos. A seguir o duo Asimov – já estamos bem encaminhados – rematam com rock rápido e descuidadamente bem feito. Uma bateria certeira e uma guitarra eléctrica acelerada levam-nos algures entre uma sala de concertos londrina nos anos 60 e o deserto da Califórnia, embora estes dois rapazes sejam do Cacém. Murdering Tripping Blues não surpreendem, mas sabe bem este rock enérgico a meio da tarde. Neste dia o festival já andava mais recheado de público, ainda que se circulasse bastante bem.

Já no fim da tarde ouvia-se ao longe «Interstellar Overdrive» e «Lucifer Sam» do primeiro disco dos Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn, pelos Christian Bland & The Revelators, uma banda satélite dos Black Angels, com uma referência clara: Syd Barrett. E, infelizmente, uma grande chatice por ser uma referência demasiado colada.

Já anoitece e com a expectativa da grande noite, dando vontade de mandar questões para o ar, por exemplo: «o que fazem os novos?». A Place to Bury Strangers fazem electricidade, ruído, criam ambiente, metem-te na caminha e depois ressuscitam-te para te assassinarem de seguida. Estamos num complexo industrial, num quarto negro, num mundo podre e cansado, com vampiros e amores libidinosos. Vamos com calma, explodimos, é rápido, sempre a abrir, mas, afinal, nem sempre. O baixo voa uma vez, a guitarra voa até se partir ao meio, continuando a fazer barulho e não é para ser desligada já. Uma locomotiva a alta velocidade numa viagem de meia hora.

E agora, para algo completamente diferente, os/as Psychic TV. Num mundo dominado por homens, são pessoas sem género vestidas de motards (mas não são Hell Angels, os nomes de países bordados nos casacos são substituídos por «Change») prontas para usar as armas do capitalismo: a televisão. Uma projecção de cores berrantes psicadélicas acompanhará o concerto todo. O início é uma viagem já conhecida, oferecem-nos, novamente, «Interstellar Overdrive » dos Pink Floyd, mas aqui não é uma cover, é antes uma versão competente, bem feita, mais sombria, mais voodoo, mais feitiço. Seguem-se duas baladas psicadélicas (sim, aqui estamos no clássico psicadelismo, embora se note que esta gente vem do punk) sem grande fervor, terminando com uma experiência mística, mas anti-fascista (e pelos sindicatos e pelos trabalhadores), «Greyhounds of the future». A memória diz-nos uma coisa, que tudo tem de desaparecer, cantava o/a vocalista. A resposta é a fuga (e a destruição do capitalismo), mas para onde? A resposta viria mais tarde.

Se esperamos alguma seriedade do rock psicadélico clássico estamos com as expectativas ao contrário, mas os Hawkwind – muito bem dispostos - cumpriram com todos os prismas de expectativas. O seu psicadelismo é um contraponto místico ao psicadelismo dos Pink Floyd (que é a minha «escola»). Misticismo agora à parte, não é preciso estar no mesmo comprimento de onda para entender o que se está a passar. Os Hawkwind fazem música do mundo, não para fora do mundo. Há que lutar contra as trevas e isso quer dizer que se tem de combater o ódio, a guerra, a exploração – temas terrenos com que andamos a viver. Uma esperança na humanidade e uma vontade que os tempos mudem. Pelo meio uma peça que simula os avisos governamentais aquando um ataque sónico (que é o que nos está a acontecer), e aí há partes para levar a sério (em caso de estarmos a fazer amor é impreterível que os envolvidos cheguem ao orgasmo ao mesmo tempo) e outras que sinal são dos tempos («think only of yourselfs»). A última música é sobre haxixe - a única fuga é voar. Para onde?

Porquê Mão Morta no Reverence? Porque são a banda – de todas as que por lá passaram – que melhor compreende o «errado». Foi há cerca de 10 anos que tinha visto o meu primeiro concerto de Mão Morta precisamente em Valada, no então Festival Tejo (sim, isto tem a sua parte sentimental). Três discos depois e muitos concertos, há diferenças a nível de som, mas não na atitude revolucionária, mesmo que consideremos os últimos dois discos mais moles e aborrecidos que os seus trabalhos anteriores (e é falso que assim seja). O concerto começa com «Até cair» e segue com «E se depois?», o suficiente para satisfazer os conhecedores e surpreender os novos na matéria. Adolfo Luxúria Canibal cai e rasteja, passeia-se de um lado para o outro do palco. Percebe-se que o público queria o som mais alto: «Se querem o som mais alto peçam àquele senhor lá atrás. Nós também queremos mais alto». (Um pouco) mais alto e a distorção não se transforma no terrível dos Electric Wizard, implica apenas mais vontades. Este concerto também serve para mostrar o novo disco, Pelo meu relógio são horas de matar, ainda desconhecido para muita gente, mas que pôs as apatias à parte – há vontade de receber coisas novas. Fugimos para «Berlim» e para «Barcelona», em «Charles Manson» faz-se a festa de cocktail na mão, enquanto «Anarquista Duval» resmunga com todo o status quo do psicadelismo. Em «Vamos fugir» os Mão Morta deram a resposta: «a única fuga é a loucura». Terminariam com «Horas de matar», o single do último disco.

Eventualmente, se pensar bem, os The Black Angels até poderão ter feito um concerto mediano com uma ideia de psicadelismo de agora e de hoje, mas tocar depois de Mão Morta tornou a sua tarefa praticamente impossível. Não houve nem uma surpresa em Black Angels, apenas um enfado onde se poderia constatar, se quiser ser maldoso, que o «psicadelismo antigo» diz mais que o «psicadelismo moderno». Repetitivo, um concerto denso onde não há tempo para respirar, um hipnotismo que não nos remete para lugar nenhum. Não há fuga, não há rasgos, fica o cansaço. Adormeci umas vezes sentado e sabia que estava com os pés no chão.

O Reverence Valada foi um festival audaz, aventuroso, com uma pretensão profissional e caseira ao mesmo tempo. Profissional no sentido da pontualidade, da qualidade, da música ser a grande questão em vez do consumo. Caseiro porque havia muita prata da casa, dos comes e bebes às bandas – de circuitos alternativos a conhecidos dos organizadores. Familiar porque não foi um festival de massas. Ao mesmo tempo não marca a diferença, o sistema de castas com o uso de pulseiras para cada categoria (verde para os que tinham bilhete de dois dias, cores diferentes para quem tem de um só dia, pretas para os músicos, outra cor para o «staff», etc.), um punhado de seguranças que se mantinham nas entradas, felizmente, mas que não deixam entrar coisas como garrafas de água ou maças por comer num recinto que não tinha uma torneira de água potável. Uma megalomania que cansa os simples curiosos, tudo muito rápido e organizado à inglesa (para que conste, havia uma carrinha antiga com uma bandeira escocesa com um «Yes»), com horários rígidos e decisões sábias. Arrojado, sem duvida, pela escolha musical, pelo local, pela vida. Um outro festival, sim, mas onde o tempo é demasiado rápido para ser um outro mundo em potência. Isso foi uma pena. Mas ficam coisas boas de quem quer a vida diferente – a gente do rock psicadélico não quer só viajar para outros mundos, quer discutir o mundo em que todos vivemos e que ele mude.

Russian Bill

Keep Your Eyes Peeled
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  • Queens Of The Stone Age
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Artist - Queens Of The Stone Age

Album - …Like Clockwork

Year - 2013

Song -  Keep Your Eyes Peeled

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